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Na companhia dos livros. O blog da Quetzal Editores.

[A POESIA LATINO-AMERICANA]
É horrível, cavalheiros. A vacuidade e o espanto.
Paisagem de formigas
No vazio. Mas no fundo, úteis.
Leiamos e contemplemos o seu fluir permanente:
Ali estão os poetas do México e da Argentina, do
Peru e da Colômbia, do Chile, Brasil
E Bolívia
Comprometidos com as suas parcelas de poder,
Em pé de guerra (permanentemente), dispostos a defender
Os seus castelos da investida do Nada
Ou dos jovens. Dispostos a pactuar, a ignorar,
A exercer a violência (verbal), a fazer desaparecer
Das antologias os elementos subversivos:
Alguns velhos fora de moda.
Uma atividade que é o fiel reflexo do nosso continente.
Pobres e débeis, são os nossos poetas
Quem melhor encenam essa contingência.
Pobres e débeis, nem europeus
Nem norteamericanos,
Pateticamente orgulhosos e pateticamente cultos
(Ainda que mais nos valeria aprender matemáticas ou mecânica,
mais nos valeria lavrar e semear! Mais nos valeria
fazer de maricas e de putas!)
Perus recheados de peidos dispostos a falar da morte
Em qualquer universidade, em qualquer balcão de bar.
Assim somos, vaidosos e lamentáveis,
Como a América Latina, estritamente hierárquicos, todos
Em linha, todos com as nossas obras completas
E um curso de inglês ou francês,
Fazendo fila nas portas
Do Desconhecido:
Um Prémio ou um pontapé
Nos nossos cus de cimento.
[Tradução de Francisco José Viegas]
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