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Na companhia dos livros. O blog da Quetzal Editores.

[HORDA]
Poetas de Espanha e da América Latina, o mais infame
Da literatura, surgiram como ratazanas do fundo do meu sonho
E transformaram os seus guinchos num coro de vozes brancas:
Não te preocupes, Roberto, disseram, nós nos encarregaremos
De fazer-te desaparecer, nem os teus ossos imaculados
Nem os teus escritos que cuspimos e plagiamos habilmente
Emergirão do naufrágio. Nem os teus olhos, nem os teus tomates,
Se salvarão deste ensaio geral de afogamento. E vi
As suas carinhas satisfeitas, graves adidos culturais e rosados
Directores de revistas, leitores de editoras, e pobres
Revisores, os poetas de língua espanhola, cujo nome é
Horda, os melhores, as ratazanas fedorentas, banhos
Na dura arte de sobreviver em troca de excrementos,
De exercícios públicos de terror, os Neruda
E os Octavio Paz de bolso, os porcos insensíveis, abside
Ou arranhão no grande edifício do Poder.
Horda que detém o sonho do adolescente e a escrita.
Meu Deus! Debaixo deste sol gordo e seboso que nos mata
E nos diminui.
[Tradução de Francisco José Viegas]
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