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Quetzal

Na companhia dos livros. O blog da Quetzal Editores.

 Outro fado de Vasco Graça Moura cantado por Kátia Guerreiro, «Até ao Fim», que dá título ao seu álbum. A Puxar ao Sentimento foi lançado pela Quetzal na passada sexta-feira. Ora aqui está uma boa maneira de começar a semana – apesar da melancolia da canção –, recordando a poesia de Vasco Graça Moura.

É amanhã, sexta-feira, que chega às livrarias  o livro de fados inéditos de Vasco Graça Moura, A Puxar ao Sentimento. Aqui fica um dos fados do livro, interpretado por Carminho, no álbum Alma:

Talvez digas um dia o que me queres,

Talvez não queiras afinal dizê-lo,

Talvez passes a mão no meu cabelo,

Talvez eu pense em ti talvez me esperes.

 

Talvez, sendo isto assim, fosse melhor

Falhar-se o nosso encontro por um triz

Talvez não me afagasses como eu quis,

Talvez não nos soubéssemos de cor.

 

Mas não sei bem, respostas não mas dês.

Vivo só de murmúrios repetidos,

De enganos de alma e fome dos sentidos,

Talvez seja cruel, talvez, talvez.

 

Se nada dás, porém, nada te dou

Neste vaivém que sempre nos sustenta,

E se a própria saudade nos inventa,

Não sei talvez quem és mas sei quem sou.

...

 

Se nada dás, porém, nada te dou

Neste vaivém que sempre nos sustenta,

E se a própria saudade nos inventa,

Não sei talvez quem és mas sei quem sou.

image.jpeg

 Com este livro de fados inéditos, o génio poético de Vasco Graça Moura é recordado quatro anos após a sua morte. Na obra de Vasco Graça Moura, que escreveu vários ensaios sobre a origem deste género musical, há muitas incursões no fado e, inclusive, um livro que lhe é inteiramente dedicado: Letras do Fado Vulgar. O poeta escreveu alguns fados para as vozes de intérpretes como Mísia, Kátia Guerreiro ou Carminho. 

A Puxar ao Sentimento inclui um bom número de fados inéditos de Vasco Graça Moura, marcados pelo seu génio melancólico e pleno de ironia — são poemas maravilhosos que, só por si, constituem uma homenagem ao fado e uma contribuição literária para abrir (ainda mais) as suas portas.
Quatro anos depois da morte de Vasco Graça Moura, esta é uma forma de continuar a recordar uma das grandes vozes da poesia e da literatura portuguesas do nosso tempo.

O livro sai para as livrarias a 21 de setembro.

O poeta Vasco Graça Moura morreu há um ano. Assinalamos a data com um dos poemas incluídos no volume 2 da Poesia Reunida.

 

meu amor, meu quente marulhar

 

meu amor, meu quente marulhar das águas ancestrais,

meu alvoroço terno das manhãs, há um vaporzinho no ar,

percorro a linha fina do teu corpo, o seu desenho ainda ensonado,

e és para mim toda a realidade nesse instante.

há roupas, sim. roupas que vais vestindo, algum creme que pões,

uma cama desfeita, um leve baloiçar das árvores lá fora

e o sol de inverno a alastrar nas vinhas.

 

foto_vgm.jpg

 

«A criação do Prémio Vasco Graça Moura, que distinguirá obras inéditas de poesia, foi uma das novidades anunciadas na apresentação do Plano Editorial da Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM) para 2015, que teve lugar na Biblioteca da Imprensa Nacional, no dia 6 de fevereiro.

Além do Prémio, cujo regulamento e júri deverão ser conhecidos até final de abril, foi também anunciado o relançamento da coleção Plural, uma coleção emblemática criada por Graça Moura quando integrou a administração da INCM, na década de 1980, agora exclusivamente dedicada à poesia, prevendo-se a edição de quatro livros por ano, sendo um deles o título premiado.»

Do comunicado da INCM.

 

foto_vgm.jpg

 

«Foi, até ao fim, um homem tolerante e cosmopolita, renascentista na amplitude de interesses, fiel à identidade europeia e à memória cultural, incansável de produtividade, descomplexado numa heterossexualidade efusiva e galante, e finalmente estóico na luta contra o cancro, que enfrentou sem catastrofismos nem sentimentalismos. Vasco Graça Moura, por convicção e contradição, era pouco pessoano: ao mundo tristonho e ensimesmado de Pessoa preferiu Camões, poeta do veemente desejo quieto e vergonhoso e do inevitável desconcerto do mundo. Um desejo e um desconcerto que o Vasco toda a vida glosou, em poemas que ficarão enquanto houver ainda esta língua portuguesa.»

 

Excerto da crónica de Pedro Mexia no Expresso

 

 

Nota da editora:

 

É com profunda tristeza que emitimos esta nota no dia de hoje. Vasco Graça Moura morreu ao fim desta manhã, em Lisboa. 

 

Sobre ele, diz Francisco José Viegas, diretor editorial da Quetzal Editores: «Pessoalmente, era um homem superiormente inteligente, sensível, dedicado à literatura, inquietado pela literatura. Vasco Graça Moura é um dos nossos grandes poetas europeus, um clássico que ultrapassou a fragilidade e as maldições do tempo – a sua obra, a sua intuição minuciosa e cheia de cultura, de erudição e de leveza, deviam ser motivo suficiente para relermos, também, a beleza terrível da sua Poesia Reunida.

 

Poucos conseguiram, como Vasco Graça Moura, recriar o cânone da nossa grande poesia e comover-nos tão profundamente, entre a ironia e a melancolia (seus instrumentos fundamentais), num equilíbrio de grande autor e de respeito pela tradição dos seus mestres que vêm do renascimento até hoje. O lugar de poeta não esconde, além disso, a sua figura de magnífico tradutor (o de Dante ou Shakespeare), de romancista, de ensaísta culto e exigente, de homem criativo e empenhado pelo seu país. Era um homem raro, com convicções fortes – e um espírito combativo.

 

A Quetzal, que publica a sua poesia e a sua ficção, bem como as inúmeras traduções premiadas que nos deixou, sofre com a perda de um autor sublime. Como o próprio Vasco Graça Moura dizia recentemente, “está a faltar poesia em Portugal”. Infelizmente, deixou-nos um dos nossos grandes poetas.»

 

 

 

 

 

 
  
 
 


«Poeta, ensaísta e político social-democrata Vasco Graça Moura morreu na manhã deste domingo no Hospital da Luz em Lisboa, após uma longa e estóica luta contra o cancro, confirmou o PÚBLICO junto de fonte próxima da família. Era presidente do conselho de administração do Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa. Mesmo na sua fase terminal, a doença não o impediu de desempenhar, quase até aos últimos dia de vida, as suas funções de presidente do Centro Cultural de Belém (CCB), nem de continuar a escrever e publicar livros e de enviar as suas crónicas semanais para o Diário de Notícias

 

Notícia sobre a morte de Vaco Graça Moura, no Público.

 

Daniel Rocha

"Os escritores Vasco Graça Moura e Daniel Jonas, o realizador Miguel Gomes, e o fadista Camané foram distinguidos com o Prémio Europa - David Mourão Ferreira 2010-2012, anunciou hoje o Instituto Camões. [...] Na categoria Mito, que visa galardoar a carreira de uma personalidade eminente da cultura lusófona que se tenha distinguido no campo das letras e das artes, os premiados foram o escritor e poeta Vasco Graça Moura e o fadista Camané."

 

Ler aqui a notícia completa.

 

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