«Não vamos nos desabar em sentimentalismos», disse ele. «Fale-me sobre o caso em que está trabalhando.»
Túlio Bellini limitou-se a ouvir, mas tive a impressão de que perscrutava meus pensamentos em vez de escutar-me as palavras. Contei tudo e, do pouco que ouviu, pareceu mais interessado na história do manuscrito de Hammett do que no assassínio de Sílvia Maldini. Devia ser algo relacionado à idade.
Dona Helga entrou de repente anunciando que já era hora de ele ir embora. Papai abriu os olhos e tive a certeza de que dormira algumas vezes enquanto eu falava.
Túlio Bellini estava definitivamente alquebrado.
«Desculpe, filho, mas temos um jantar esta noite em casa do desembargador Medeiros. Não posso deixar de comparecer... você janta connosco amanhã?»
Imaginei tantas vezes a nossa reconciliação e nunca poderia supor que seria tão simples. Nem tão melancólica. A vida é estranha.
De Um Caso com o Demónio, de Tony Bellotto
