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Territórios de Caça, de Luís Naves, em análise pelo Diário Digital, hoje.

 

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«Lajos é um vencido pela vida, que não tem controlo sobre as suas personagens; o Luís tem total controlo sobre os seus personagens; Lajos vai-se apagando com a vida, o Luís vai-se iluminando»

 

João Villalobos na apresentação de Territórios de Caça, citado pelo Diário de Notícias.

 

«Uma obra algures entre o hambúrguer e a nouvelle cuisine: "Alimenta, é sólido do princípio ao fim e desperta o apetite". Mas também houve "Nocturno", de Aleksander Porfirivitch Borodin, e uma prenda de aniversário atrasada…»

 

E o relato de Pedro Justino Alves, no Diário Digital.

 

Para que se saiba como foi o lançamento do novo livro de Luís Naves. Ontem, na Bertrand do Chiado, com música, antes de tudo.

 

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«Noutras línguas, nas latinas, por exemplo, é possível disfarçar a origem social. Ou será mais fácil do que no nosso país. Na Europa Central, onde as sociedades são mais igualitárias, somos aquilo que falamos. Parece paradoxal, mas é assim: uma pessoa instruída fala de uma maneira; outra sem estudos usará a expressão típica do povo. Nem o comunismo suavizou as regras; pelo contrário, às vezes penso que as agravou. E Csilla não se limitava a usar a linguagem popular, ela usava pronúncia quase igual à dos ciganos, impondo uma rudeza proletária em certas palavras, falhando uma ou outra conjugação verbal, simplificando a frase, por vezes com erros na construção que pareciam propositados, como se ela estivesse a fazer uma imitação. Mas não estava: aquela era a linguagem do bairro dela.»

 

Territórios de Caça, de Luís Naves, mais um excerto.

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Rua Gogol

09.11.09

«A rua Gogol deve ser das mais agradáveis da nossa cidade: tem fileiras de faias pujantes, muitas delas plantadas no início do século. O bairro, fisicamente, não sofreu durante a guerra. Durante o regime comunista, as melhores casas foram nacionalizadas, para alojar trabalhadores. No fim do regime, foram vendidas, a bons preços. Os prédios estão preservados e só alguns se encontram em mau estado sem obras há décadas.


Enfim, nesta parte da cidade não houve bombardeamentos de guerra, mas aidna se podem ver as cicatrizes do século. Aqui fica o gueto judeu, com a sinagoga e ruas elegantes, com jardins tranquilos. E o que ainda hoje se observa é ausência de antigos habitantes.


Jamais pensamos nas pessoas que faltam, mas para se compreender a nossa cidade, é preciso pensar nas ausências, nos hiatos, no que devia estar ali, mas não está. Famílias inteiras, gente que vibrava e pensava, cheia de vida e de paixão, de sonhos como os nossos... »

 

 

 

A rua Gogol existe e a cidade húngara desta história é factual, embora não saibamos o seu nome. 20 anos depois da queda do Muro de Berlim, Territórios de Caça, de Luís Naves, é hoje apresentado por João Villalobos, na Bertrand do Chiado, às 18h30. No fim, o quarteto de Vasco Barbora interpreta «Nocturno» de Borodin. E haverá qualquer coisa para comer e beber.    

 

Tomás Vasques sobre a rua Gogol, para ler aqui.

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«Da quietude pesada da tarde saiu um lamento, acompanhado de um barulho que parecia produzido por um corpo a roçar nos degraus da escada e plo som pausado de uma ão que batia na parede a um ritmo de soco. O rumor durou pouco tempo, apenas o suficiente para eu me aperceber da sua estranheza. Mas não me mexi imediatamente. Primeiro ainda pensei que viesse do interior da minha sonolência. Ou talvez não passasse de uma brincadeira de crianças . Fiquei imerso numa vaga indiferença, talvez um minuto, a ouvir aquele murmúrio, semelhante a um coração a pulsar na distância. Se tivesse ali permanecido, sem vontade para investigar, nada haveria para contar nestas páginas, o que seria bem melhor para mim, sem dúvida. Mas a curiosidade levou-me a abrir a porta. Saí para o corredor colectivo (a varanda típica corrida dos prédios húngaros) e abri a porta da escada (tarefa que me levou o que pareceu uma eternidade, enquanto escolhia o exemplar certo de um molho de chaves indistintas). E entrei na escadaria.»   

 

O primeiro parágrado de Territórios de Caça, de Luís Naves. O livro será apresentado no próximo dia 9 - não por acaso: passam vinte anos sobre a queda do Muro de Berlim e o romance é passado na Hungria e atravessado pela sombra do muro. Haverá além da apresentação por João Villalobos, uma actuação do Quarteto de Câmara de Vasco Barbosa, que interpretará um "nocturno" de Alexander Borodin.

 

 

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Territórios de Caça é a história de um encontro entre dois homens e do confronto entre o presente e o passado. O narrador chama-se Lajos Kormányos, um húngaro nascido em 1961, em Budapeste, cujo nome corresponde à tradução livre de Luís Naves. Não pense o leitor que Kormányos não existe ou que se trata de uma simples personagem – muito pleo contrário: tem uma biografia quase banal e vive numa linha paralela à própria vida do autor. Outra figura chama-se Farkas, o que em húngaro significa lobo, algo que o narrador nunca nos explica. A rua Gogol também existe e a cidade húngara desta história é factual, embora não saibamos o seu nome. A imprecisão da verdade é porventura um dos temas presentes neste livro; mas talvez o leitor encontre aqui o bem e o mal, a traição e o medo, o compromisso e a raiva, o acaso e o destino.

 

Luís Naves  | língua comum.

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Da Hungria

20.10.09

Territórios de Caça é o mais recente romance de Luís Naves. Chega às livrarias no próximo dia 6 de Novembro. Entretanto, aqui fica a capa (já divulgada no Origem das Espécies).

 

 

Luís Naves é jornalista no Diário de Notícias e autor de dois romances e uma novela. Fez reportagens na Guiné-Bissau, Paquistão e Coreia do Norte, escrevendo habitualmente sobre temas europeus. Publica também nos blogues As penas do flamingo e Corta-fitas.

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QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

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