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Na companhia dos livros. O blog da Quetzal Editores.

A propósito da publicação de Ana de Amsterdam no Brasil, Ana Cássia Rebelo deu uma entrevista à Sábado, na semana passada. Entre outras coisas, explica porque não quer ser escritora a tempo inteiro.
Entrevista de J. Rentes de Carvalho à Sábado:
«Rentes de Carvalho, de 85 anos, volta aos romances com a história de um emigrante que regressa à aldeia onde nasceu - e onde não lhe aconteceram coisas boas, nem ele as fez. Não conseguindo esquecer nem falar, a amargura chega-lhe ao osso. Uma grande história de solidão, ressentimento e maldade.
Rentes de Carvalho explicou mais à SÁBADO, por email, a partir de Amesterdão, Holanda, onde vive.
O que o motivou? Porque quis escrever sobre um homem tão amargo, que despreza a mulher e o filho e até cobiça sexualmente a nora?
Talvez porque sou de índole pacífica, sempre senti um certo fascínio pela violência e os motivos que a provocam, a parte de irracionalidade que leva alguém a perder a cabeça. No caso deste personagem, o Meças, além da irracionalidade há um elemento de vingança, e as humilhações a que submete a mulher, o filho, a nora, ou quem simplesmente o contradiz, provêm todas da mesma impotência, a de ser incapaz de esquecer. Mas ao fim e ao cabo, nas chamadas horas mortas é ele quem mais sofre, pois nem a crueldade nem a bebida lhe trazem alívio.»
Ler a entrevista completa aqui.
Excertos da entrevista que Reza Aslan concedeu à revista Sábado. O Zelota - A Vida e o Tempo de Jesus de Nazaré chega às livrarias a 7 de fevereiro.
Numa entrevista na Fox News, a jornalista perguntou-lhe repetidamente porque é que escreveu um livro sobre Jesus sendo muçulmano. Ficou surpreendido?
Não. Há uma grande parcialidade antimuçulmana nos Estados Unidos e a Fox News é o primeiro exemplo disso. Transformam o sentimento antimuçulmano em milhões de dólares de lucro. São uma organização noticiosa tendenciosa e preconceituosa contra os muçulmanos e os estrangeiros em geral. Sabia que ia ser atacado. O que não sabia era que a entrevista toda ia ser sobre o meu direito de escrever este livro.
Já foi discriminado? Sente reacções agressivas?
Qualquer muçulmano na América tem histórias de discriminação. Eu não sou excepção: ter um escrutínio extra no aeroporto, ter longos olhares de lado no metro. Neste caso, não estou a ser atacado pelos cristãos, estou a ser atacado por grupos de direita. As pessoas que me enviam a mim e à minha família ameaças de morte são fanáticos de direita, ameaçados pela noção de um Jesus revolucionário que combateu os ricos e poderosos, porque muitas destas pessoas, que alegam ser porta-vozes de Jesus, são eles próprios ricos e poderosos.
Estuda Jesus há mais de 20 anos. É uma obsessão?
Admito que sim, mas acho que toda a gente a devia ter. Estamos a falar de um camponês pobre e iletrado, da Galileia rural, que começou um movimento em favor dos rejeitados e marginalizados, que foi uma tal ameaça para os poderes políticos e religiosos do seu tempo que foi preso, torturado e executado.
Diz que Jesus era um revolucionário, não um pacifista: queria expulsar os romanos e instalar um estado teológico.
Essa é a função do Messias. Se ele se intitulava o Messias, o que queria dizer é que era o descendente do rei David, que tinha vindo para estabelecer o trono de David na terra. É tão simples quanto isso. Ou nunca pensou que era o Messias; ou pensou e a sua tarefa era remover a ocupação romana. É isso que é suposto o Messias fazer.
Quais são as diferenças que encontrou entre o Jesus divino e o Jesus humano?
A maior parte dos cristãos pensa que Jesus não tinha ambições políticas ou terrenas, que foi um pacifista de boas acções. O que não percebem é que no tempo de Jesus religião e política eram a mesma coisa.
Então não era um pacifista?
Não há prova de que Jesus defendesse abertamente a violência, mas este é o homem que disse que não vinha para trazer paz à terra mas a espada; que ordenou aos seus homens que se armassem antes de se esconderem das autoridades; que foi crucificado pelo crime de traição contra o Estado. A ideia de que era apenas um pregador tranquilo não se ajusta à história daquele tempo. A visão de Jesus que muitos cristãos têm é uma que Roma teria ignorado.
Entrevista completa à Sábado aqui.
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