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Quetzal

Na companhia dos livros. O blog da Quetzal Editores.

«Pedro Vieira aposta num retrato abrangente de um país refém de medos, incapaz de se libertar do fantasma de um ditador, um “país pobre com uma boa rede de fibra óptica”, “cheio de gente em desespero mas sem vontade de partir a loiça, de partir a fibra, no lugar da primavera dos árabes o outono dos orgulhosamente sós”. É uma escrita crítica, cheia de uma ironia ácida, onde cada palavra encontra o seu lugar num intrincado jogo de sentidos que os leitores que já tinham lido Vieira no seu romance de estreia, Última Paragem, Massamá — sobre a vida num subúrbio da linha de Sintra —, não estranham. O olhar do escritor sobre o seu tempo e o seu lugar é inconformado e sustenta-se numa observação detalhada de costumes, na atenção à linguagem e à circunstância que determina cada existência mais ou menos ficcionada, mas sempre colada a um real que é o que sobretudo lhe interessa captar.»

Isabel Lucas, Ípsilon

 

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«Fazem falta, na ficção portuguesa contemporânea, romances capazes de captar o momento presente, os impactos da crise económica na sociedade, o modo como os portugueses viveram (ou sobreviveram) nestes últimos anos de austeridade. A literatura é uma arte lenta, mas felizmente há autores que a aceleram e conseguem sintonizá-la com a atualidade. Como Pedro Vieira, que faz de O Que Não Pode Ser Salvo um voo planado sobre Portugal, “terra refém dos medos e das farmácias e das luzes apagadas ao fundo do túnel”, cheia de “gente em desespero mas sem vontade de partir a loiça”. Se no seu primeiro romance, Última Paragem: Massamá, Vieira oferecia-nos uma visão desencantada da vida nos subúrbios, centrada no eixo formado pela Linha de Sintra, agora o objetivo é muito mais abrangente.»

 

José Mário Silva, Expresso

 

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«Como numa tragédia, há uma espécie de força negra que impele as personagens a uma condenação. Não se trata de uma visão determinística, mas da lucidez de um pessimismo atento. A precipitação final do livro aproxima-o da catástrofe trágica, acabando por lhe dar uma dimensão que o eleva acima de uma simples narrativa.»

 

Hugo Pinto Santos, Time Out

 

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«Com efeito, não existe passado literário em Portugal para o estilo de Pedro Vieira, o qual não se resume a adornar a narração de uma história, uma simples história (pecado maior do atual romance português),mas, tal como o de Raul Brandão e o de Lobo Antunes, a evidenciar, por meio da caracterização das personagens, segundo uma leitura satírica, traços fundamentais da cultura portuguesa e do comportamento idiossincrático dos portugueses, revolucionados neste princípio de século.

A obra do autor reflete, justamente, esta revolução mental e comportamental que sucede todos os dias à nossa frente e que escritores mais velhos, obcecados com o Portugal saído do 25 de Abril, não traduzem na sua obra. Há, indubitavelmente, uma atualização temática da sátira em Pedro Vieira, que se junta, assim, na sua prática, a Rui Zink e a Manuel da Silva Ramos.

É, assim, por força do seu estilo, que a obra de Pedro Vieira, constituída apenas por dois livros de ficção, se singulariza no panorama do romance português dos princípios do século XXI, ganhando jus, por mérito próprio, a ser considerado um autor de culto entre os leitores de 20 e 30 anos (que dominam o jargão suburbano americanizado e informático dos seus livros) e, provavelmente, no futuro, da generalidade do público.»

Miguel Real, Jornal de Letras

 

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«"O Que Não Pode Ser Salvo", o título, é uma pergunta ou uma afirmação?

É algo que deixo à interpretação. O título, como muitas coisas que escrevo, é um reaproveitamento de outras coisas. Isso é uma tradução tosca de uma passagem da peça "Otelo", do Shakespeare. De alguma maneira, quis fazer um "Otelo" de pechisbeque, uma versão à portuguesa do "Otelo", sem gôndolas e com cacilheiros, mas com água também. No primeiro acto do "Otelo" há uma personagem que diz qualquer coisa como: "O que não pode ser salvo quando a fortuna intervém." Fortuna, entenda-se destino, sorte. Achei que se enquadrava, é uma tradução completamente livre.»

 

Pedro Vieira em entrevista ao i.

 

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O livro Última Paragem, Massamá, de Pedro Vieira, publicado em fevereiro de 2011 pela Quetzal, foi anunciado como vencedor do Prémio PEN Clube Português, na categoria Primeira Obra. Os prémios PEN Clube Português distinguem, anualmente, as melhores obras publicadas no ano anterior, em língua portuguesa e em primeira edição.

 

 

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