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Na companhia dos livros. O blog da Quetzal Editores.
«Originalmente publicado em 1949, O Segundo Sexo ocupa um lugar canónico nos estudos do género e, naturalmente, no feminismo. O seu principal instrumento teórico é a noção de Outro. […] Na secção final deste primeiro volume, Simone de Beauvoir descreve a mulher “como os homens a sonham”, assim penetrando a fundo nos mitos. […] É difícil não ver a novela Mal-Entendido em Moscovo como um caso prático de O Segundo Sexo.»
Hugo Pinto Santos, Time Out
Inicialmente escrita para integrar a recolha La Femme Rompue (com a edição portuguesa intitulada A Mulher Destruída), esta novela (Mal-Entendido em Moscovo) acabou por ser excluída do referido livro.
Pela pertinência e atualidade do tema e pelo riquíssimo diálogo que o mesmo mantém com toda a obra de Beauvoir, este texto merecia, sem qualquer dúvida, uma edição autónoma.
Mal-entendido em Moscovo evoca a crise vivida por um casal de meia-idade ao longo de uma viagem à União Soviética: a deceção política cruza-se com um aparente desencontro sentimental, ligando a história individual à história coletiva.
No mesmo dia (23 de janeiro), chega às livrarias uma nova edição de O Segundo Sexo (volume 1). Mais de 60 anos volvidos sobre a sua primeira publicação, os temas que Simone de Beauvoir discute neste célebre tratado sobre a condição da mulher continuam a ser pertinentes e a manter aceso um debate clássico. Entretecendo argumentos da Biologia, da Antropologia, da Psicanálise e Filosofia, e outras áreas de saber, O Segundo Sexo revela os desequilíbrios de poder entre os sexos e a posição do «Outro» que as mulheres ocupam no mundo.
O Segundo Sexo é uma obra essencial do feminismo, e as suas considerações acerca dos condicionamentos sociais que levam à construção de categorias como «mulher» ou «feminino» ̶ e que estão na base da opressão das mulheres ̶ são hoje amplamente aceites.
Hesitei muito tempo em escrever um livro sobre a mulher. O tema é irritante, principalmente para as mulheres. E não é novo. A querela do femininismo fez correr rios de tinta e está agora mais ou menos encerrada. Não toquemos mais nisso... No entanto, ainda se fala dela. E não parece que as volumosas tolices lançadas neste último século tenham realmente esclarecido a questão. Aliás, haverá um problema? E qual é ele? Haverá mesmo mulheres?
Começar pelo princípio: as sete primeiras frases de O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir.
Compreende-se que a dualidade dos sexos (...) tenha sido traduzida por um conflito. Compreende-se que, se um dos dois conseguisse impor a sua superioridade, esta deveria estabelecer-se como absoluta. Resta explicar porque venceu o homem desde o início. Parece que as mulheres deveriam ter saído vitoriosas. Ou a luta poderia nunca ter tido solução. Por que razão o mundo sempre pertenceu aos homens e só hoje as coisas começam a mudar?
60 anos depois da sua primeira edição, eis o primeiro volume do livro que mudou a vida das mulheres, com a chancela da Quetzal.
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