Quando eu li O Que Diz Molero a minha vida mudou. Não há muitos momentos na nossa vida em que temos a clara percepção que isso acontece, uma epifania.
O que é normal acontecer é percebermos isso depois, muito tempo depois. Uma das veladoras de O Marinheiro de Fernando Pessoa, à pergunta: «Éreis feliz, minha irmã?» Responde «Começo a tê-lo sido outrora.» Quando li O Que Diz Molero pela primeira vez tinha dezassete anos e fui imediatamente abalado por uma revelação, em directo e em língua portuguesa.
Era uma bela edição do Círculo de Leitores, um pequeno livro azul, de capa dura, coberto por uma capa plastificada, com um desenho dentro da cabeça de um rapaz com pássaros e mil coisas à volta. Na badana de uma das edições havia uma citação de Eugénio de Andrade que dizia só: «Este livro é uma alegria.» E esta citação dizia tudo.
Nuno Artur Silva em A Alegria da Liberdade - posfácio com orquídea na forma de uma nota e uma conversa de bairro com rio ao fundo, posfácio à edição da Quetzal de O Que Diz Molero, de Dinis Machado (ilustração da capa de António Jorge Gonçalves).