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Quetzal

Na companhia dos livros. O blog da Quetzal Editores.

«Mentiras & Diamantes tem os ingredientes do thriller, com o escritor a manusear com mestria as técnicas do suspense numa teia cuidadosamente tecida e à prova do leitor mais treinado em encontra pontas soltas. Mas seria limitador reduzi-lo a um género. É uma interrogação sobre um tempo da história recente de Portugal ainda camuflado no silêncio, com uma crítica dura aos protagonistas da cena política nacional. E isto já não é novo em Rentes de Carvalho. É conhecido o desprezo do escritor pelos políticos e pelo rumo de um país que não conseguiu suportar pela claustrofobia dos costumes e do qual fugiu. É também conhecida a sua atracção pela possibilidade literária desse Portugal que, apesar de apontar o dedo ao ditador, nunca terá sido capaz de resolver uma mesquinhez e um provincianismo enraizados.» (5 estrelas)

 

Isabel Lucas

 

«Mentiras & Diamantes tem os ingredientes do thriller, com o escritor a manusear com mestria as técnicas do suspense numa teia cuidadosamente tecida e à prova do leitor mais treinado em encontra pontas soltas. Mas seria limitador reduzi-lo a um género. É uma interrogação sobre um tempo da história recente de Portugal ainda camuflado no silêncio, com uma crítica dura aos protagonistas da cena política nacional. E isto já não é novo em Rentes de Carvalho. É conhecido o desprezo do escritor pelos políticos e pelo rumo de um país que não conseguiu suportar pela claustrofobia dos costumes e do qual fugiu. É também conhecida a sua atracção pela possibilidade literária desse Portugal que, apesar de apontar o dedo ao ditador, nunca terá sido capaz de resolver uma mesquinhez e um provincianismo enraizados.»

 

Isabel Lucas, Público

 

«A obra de J. Rentes de Carvalho (n. 1930) tem estado a ser reeditada pela Quetzal, que acaba de publicar um seu romance inédito -  “Mentiras & Diamantes”. Trata-se de um thriller bem esgalhado, cruzando reminiscências do processo revolucionário que se seguiu ao 25 de Abril de 1974 com redes de crime organizado. Rentes de Carvalho pertence a uma geração em que os escritores dominam bem o vocabulário, por oposição à “dieta Twitter” que vai moldando vária prosa publicada. O desembaraço não dispensa o uso de vernáculo, sempre adequado às circunstâncias, pontuando a narrativa de observações pícaras: “Grande cu! Alcatra de primeira!”»

 

Eduardo Pitta, Sábado

 

«Rentes de Carvalho escreve com a elegância e a destreza “de quem maneja o florete”. O leitor vai sabendo das aventuras (as do presente e as do passado) pela voz de um narrador que parece divertir-se na maneira elíptica e muito hábil de contar a história, que tanto pode alternar entre uma aldeia algarvia onde uns estrangeiros organizaram “umas orgiazitas ao ar livre, outras na capela da casa”, para logo a seguir um corpo ser entregue no deserto da Mauritânia. Pelo meio vão surgindo diamantes traficados nos saltos de Blahniks, um nigeriano em Albufeira, uma conta de dinheiro sujo em chipre, um receptador em Amesterdão que fala quimbundo, português, inglês e russo, e que vive com uma antiga bailarina do Kirov…enfim, toda uma fauna que faz de Mentiras & Diamantes um dos mais interessantes livros de Rentes de Carvalho.»

 

José Riço Direitinho, Revista Ler

 

A propósito da publicação de Mentiras & Diamantes, que chega às livrarias a 12 de abril, desafiámos o nosso autor J. Rentes de Carvalho a responder a algumas perguntas, uma das quais de um leitor. O escritor aceitou amavalemente o desafio e aqui ficam as perguntas e as respostas para todos os nossos leitores:

 

Passaram dez anos desde a publicação do seu último romance, A Amante Holandesa. Porquê um hiato tão longo até este Mentiras & Diamantes?

R: Hiato relativo, porque entretanto escrevi outras coisas, um segundo guia de Portugal, um guia de Lisboa e um estudo político social, A Ira de Deus sobre a Holanda, artigos aqui e ali, um ou outro ensaio. Mas acontece que no respeitante à escrita de ficção sou extremamente vagaroso, levanto-me dificuldades, problemas que só na minha cabeça existem. Fora isso sou um crítico embirrento de mim mesmo, o que hoje me parece satisfatório desagrada-me amanhã, emendo sem fim, recomeço não sei quantas vezes. E não vou falar dos romances deixados a meio, nem dos que ficam pelo esqueleto. Felizmente o meu pão-nosso de cada dia não depende da escrita, caso contrário teria um sério problema.

 

Pode descrever-nos, sucintamente, este romance?

R: É um relato em que entram personagens de natureza muito diferente, nalguns casos diria até oposta, e acontecimentos que decorrem num enquadramento peculiar. Numa trama normal teriam poucas probabilidades de se encontrar e influenciar. Mas como a vida é cheia de surpresas acabam por, voluntária ou acidentalmente, interferir nas acções mútuas e dar ao enredo as reviravoltas que, quanto a mim, são indispensáveis para "prender" o leitor e, em certas alturas, perguntar-se se é ficção ou, pelo menos em parte, realmente aconteceu. Acrescente-se que aqui e ali de facto aconteceu, e estou grato às pessoas que me forneceram algumas peças do puzzle.

 

Mentiras & Diamantes, que se pode considerar um thriller, pode surpreender os leitores quer pela temática, quer pelo estilo. Houve uma intenção deliberada de se aventurar por outros caminhos ou foi escrevendo sem pensar muito nessa mudança?

R: Era um desejo antigo, inconscientemente talvez date da minha infância, porque desde menino sempre fui e continuo a ser um leitor guloso de thrillers. Acontece que não me via capaz de fabricar um enredo complicado e a movimentar tantos personagens, o que a uns parecerá simples, mas se aproxima do malabarismo. Com o perigo de por um pequeno descuido segurar mal a vara e fazer cair a pratalhada.

 

Já citou como influências ou pelo menos, como escritores que lê com muito agrado, John LeCarré e Elmore Leonard. O que é que estes dois escritores têm que desperta a sua admiração? Deteta-se neste livro a influência destes autores?

R: Os quatro ou cinco primeiros romances de John LeCarré foram para mim uma revelação. Pelo enredo, o conhecimento dos ambientes e, sobretudo, a naturalidade do diálogo. Li-os algumas vezes com a mesma intenção de quem estuda um manual. Elmore Leonard foi uma descoberta posterior, e então já era demasiado velho para aprender, apenas saboreio e invejo. No que respeita este género, na minha formação pesam ainda de maneira variada muitos outros escritores, mas por agora fico-me por: Téophile Gautier,  Lawrence Durrell, Graham Greene, Somerset Maugham, Simenon, um esquecido John D. MacDonald.

 

Os seus livros, que a Quetzal tem vindo a publicar, têm tido um reconhecimento crescente por parte dos leitores e da crítica. Vê esse reconhecimento com gratidão ou com a sensação de ter chegado tarde demais?

R: Nunca se chega tarde demais, quando se chega. Claro que me sinto grato, mas para além de  um sentimento de gratidão, o que de facto me toma é um pasmo real, um sentimento de descrença. Não é impunemente que um indivíduo anda na escrita há mais de  sessenta anos, tem algum nome no país que o adoptou, mas por razões várias é ignorado  naquele em que nasceu e em cuja língua insiste em escrever.

A reviravolta causa uma certa perplexidade, mas nada que a tarimba da minha longa vida não ajude a resolver.

 

Pergunta do leitor Hugo Carlos Silva: No caso de existir, qual o livro que funciona como o centro da sua obra, a a partir do qual os outros irradiam (mesmo que de formas pouco óbvias), aquele em que sentiu estar mais próximo da plenitude (estética e moral)?

R: Um livro que funcione assim, que possa ser considerado centro de uma obra, deve ser raro e privilégio daqueles poucos escritores que, de longe a longe nos séculos, merecem o título de grandes. No meu caso não há centro, apenas dispersão, e planeamento nenhum. O que tenho escrito ou o que vou escrevendo resulta, ora de acidentes, ora de coincidências, às vezes é “disparado” por uma simples frase numa conversa, uma recordação, uma notícia.

A respeito de plenitude, e peço desculpa da banalidade, a única atingível é a do estômago. Pessoa a quem se meter na cabeça que anda em busca, ou está prestes a alcançar uma plenitude, seja ela estética, moral ou outra – com exceção da acima citada – tem em mãos um problema sério.

 

Que pergunta fariam a J. Rentes de Carvalho?

 

Vamos entrevistar o nosso autor J. Rentes de Carvalho e os leitores também têm oportunidade de participar. Deixem a vossa pergunta nos comentários até amanhã (dia 3 de abril) no respetivo post na nossa página do facebook (https://www.facebook.com/livros.quetzal.editores). Rentes de Carvalho responderá à pergunta escolhida pela equipa da Quetzal e a entrevista será publicada no blog www.quetzal.blogs.sapo.pt. O autor da pergunta escolhida receberá também um exemplar de Mentiras & Diamantes, o romance inédito que chega às livrarias a 12 de abril.

 

Jorge Ferreira, «o conde», recebe na sua quinta algarvia uma jovem e bela inquilina inglesa, que pretende escrever um livro. O anfitrião é um homem educado, atraente e rico, mas em extremo reservado – não se lhe conhecem amigos, amantes ou relações familiares –, que partilha a grande casa senhorial com duas amas e uma governanta. O seu passado esconde um trauma que o acompanha até hoje e que ele pretende eliminar da memória. Pelo contrário, Sarah Langton, filha de um milionário italiano, é impulsiva e aventureira, «viciada em liberdade» – o que não consegue conciliar com a reclusão e a disciplina que a escrita exige. Tudo parece concorrer para que estas duas personagens se aproximem lentamente e que comecem a processar o que as atormenta (a Jorge, os episódios do passado; a Sarah, extrema dificuldade em escrever alguma coisa pertinente para o seu livro misterioso). Mas a súbita visita de «Biafra» – «vistoso fato de linho branco, cravo na botoeira, panamá na mão» –, que vem para tentar uma pequena chantagem, dá lugar a uma cascata de revelações, desenlaces, homicídios, suicídios e desaparecimentos entre a Nigéria, Marrocos, Algarve, Londres e Amsterdão, tendo como pano de fundo o tráfico de diamantes e um país corrupto e corrompido, entregue aos seus segredos de família.

Mentiras & Diamantes, o mais recente e inédito romance de J. Rentes de Carvalho, é um thriller habilmente construído e uma narrativa implacável, violenta e sexy. E um maravilhosamente obscuro objeto de suspense.

 

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