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No ano em que se celebra o centenário do nascimento de Vergílio Ferreira, a Quetzal publicar uma seleção de 1000 frases do escritor.

Vergílio Ferreira é um dos mais completos, cultos e emblemáticos autores do século XX português. A sua obra (distribuída pelo romance, contos, ensaio filosófico e literário, além de nove volumes de diário) faz dele uma voz única na história da nossa literatura e do pensamento europeu de hoje. Estas mil citações de Vergílio Ferreira dão conta da diversidade, riqueza e constante atualidade da sua obra, a par da sua atenção tanto ao humano como ao transcendente e ao invisível das nossas vidas – há sempre uma frase que Vergílio Ferreira já escreveu.

 

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Na mesma data, 15 de janeiro, chegam às livrarias três novas edições de obras de Vergílio Ferreira:

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«Havia um bando de crianças à volta da médica, curiosas pelo cabelo de fogo. Rodeavam-na, tocavam-lhe na roupa e acariciavam a mala, como se ali houvesse feitiços. A russa tinha um ar trágico de Ana Karenina. Por momentos, Daniel alheou-se da negociação, que entrara em fase de ruptura. Observou até que ponto ela era magra e ruiva. Fascinou-se, por um instante, com o seu cabelo, que brilhava naquela luz. O sol iluminava-lhe a cara, oval e pálida como a Lua, com tons de bronze quente, alimentando a frescura rósea da pele, desenhando-lhe o contorno dos lábios pequenos e tristes. Dessa forma, era quase bela. Os miúdos deviam estar fascinados, ou talvez meio atemorizados, com aquela deslocada brancura das estepes.»

 

De Jardim Botânico, de Luís Naves. Dia 4 de Fevereiro nas livrarias.

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Territórios de Caça, de Luís Naves, em análise pelo Diário Digital, hoje.

 

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«Noutras línguas, nas latinas, por exemplo, é possível disfarçar a origem social. Ou será mais fácil do que no nosso país. Na Europa Central, onde as sociedades são mais igualitárias, somos aquilo que falamos. Parece paradoxal, mas é assim: uma pessoa instruída fala de uma maneira; outra sem estudos usará a expressão típica do povo. Nem o comunismo suavizou as regras; pelo contrário, às vezes penso que as agravou. E Csilla não se limitava a usar a linguagem popular, ela usava pronúncia quase igual à dos ciganos, impondo uma rudeza proletária em certas palavras, falhando uma ou outra conjugação verbal, simplificando a frase, por vezes com erros na construção que pareciam propositados, como se ela estivesse a fazer uma imitação. Mas não estava: aquela era a linguagem do bairro dela.»

 

Territórios de Caça, de Luís Naves, mais um excerto.

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Rua Gogol

09.11.09

«A rua Gogol deve ser das mais agradáveis da nossa cidade: tem fileiras de faias pujantes, muitas delas plantadas no início do século. O bairro, fisicamente, não sofreu durante a guerra. Durante o regime comunista, as melhores casas foram nacionalizadas, para alojar trabalhadores. No fim do regime, foram vendidas, a bons preços. Os prédios estão preservados e só alguns se encontram em mau estado sem obras há décadas.


Enfim, nesta parte da cidade não houve bombardeamentos de guerra, mas aidna se podem ver as cicatrizes do século. Aqui fica o gueto judeu, com a sinagoga e ruas elegantes, com jardins tranquilos. E o que ainda hoje se observa é ausência de antigos habitantes.


Jamais pensamos nas pessoas que faltam, mas para se compreender a nossa cidade, é preciso pensar nas ausências, nos hiatos, no que devia estar ali, mas não está. Famílias inteiras, gente que vibrava e pensava, cheia de vida e de paixão, de sonhos como os nossos... »

 

 

 

A rua Gogol existe e a cidade húngara desta história é factual, embora não saibamos o seu nome. 20 anos depois da queda do Muro de Berlim, Territórios de Caça, de Luís Naves, é hoje apresentado por João Villalobos, na Bertrand do Chiado, às 18h30. No fim, o quarteto de Vasco Barbora interpreta «Nocturno» de Borodin. E haverá qualquer coisa para comer e beber.    

 

Tomás Vasques sobre a rua Gogol, para ler aqui.

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Territórios de Caça é a história de um encontro entre dois homens e do confronto entre o presente e o passado. O narrador chama-se Lajos Kormányos, um húngaro nascido em 1961, em Budapeste, cujo nome corresponde à tradução livre de Luís Naves. Não pense o leitor que Kormányos não existe ou que se trata de uma simples personagem – muito pleo contrário: tem uma biografia quase banal e vive numa linha paralela à própria vida do autor. Outra figura chama-se Farkas, o que em húngaro significa lobo, algo que o narrador nunca nos explica. A rua Gogol também existe e a cidade húngara desta história é factual, embora não saibamos o seu nome. A imprecisão da verdade é porventura um dos temas presentes neste livro; mas talvez o leitor encontre aqui o bem e o mal, a traição e o medo, o compromisso e a raiva, o acaso e o destino.

 

Luís Naves  | língua comum.

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QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

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