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«“A Memória de Shakespeare e Nove Ensaios Dantescos” é o décimo volume da belíssima colecção que a Quetzal tem dedicado a Borges. Divertimentos, jogos de pilhagem e recriação, ensaiando para o lado da fábula. Um místico que procedia, passo a passo, com a meticulosidade de um grande espírito científico e o prazer de qualquer miúdo escaqueirando um relógio para lhe espreitar as entranhas. Falar de um livro de Borges é falar de todos, porque a sua obra, as suas narrativas cruzadas, todas se combinam, compondo uma gloriosa partitura que se impõem à própria biografia. Ele aborda os textos, o conhecimento com uma elegância e tenacidade empenhada em mapear o pensamento, impor-lhe táctica e estratégia, subindo na hierarquia militar até se generalizar nas concepções radiantes do mundo. Sem buscar um envolvimento comprometido com as tragédias do seu tempo, levantar um dedo acusador, a sua obra espelha os seus conflitos, como se a origem do mal se confundisse com a do bem, a vítima servisse o reflexo do seu carrasco, este acatando ordens num momento e noutro formulando-as, tentanto em vão dominar algo que o ultrapassa. O destino de todos os homens dependente de um gesto trivial, não fossem as suas infinitas consequências.»

frenteK_MEMORIA_SHAKESPEARE2.jpgDiogo Vaz Pinto, i

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«Entre as muitas criaturas que estas páginas albergam, uma há que se reveste de particular interesse para os lisboetas – é o “cavalo de mar”, a que Plínio atribui a seguinte origem: «nas proximidades de Olisipo e das margens do Tejo, as éguas viram-se para o vento ocidental e ficam fecundadas por ele; os potros gerados assim são de uma admirável ligeireza, mas morrem antes dos três anos.» Já houve pais que escutaram das filhas adolescentes explicações mais esfarrapadas para gravidezes inesperadas.»

 

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José Carlos Fernandes, Time Out

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«O título deste livro justificaria a inclusão do príncipe Hamlet, do ponto, da linha, da superfície, do hipercubo, de todas as palavras genéricas, e talvez de cada um de nós e da divindade. Em suma, quase do Universo. No entanto, limitámo-nos ao que a locução «seres imaginários» sugere, compilámos um manual das entidades estranhas que a fantasia dos homens gerou ao longo do tempo e do espaço.

Desconhecemos o sentido do dragão, como desconhecemos o sentido do Universo, mas algo há na sua imagem que está de acordo com a imaginação dos homens e, assim, o dragão surge em latitudes e idades diferentes.»

 

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O Livro dos Seres Imaginários, de Jorge Luis Borges, chega às livrarias a 17 de julho.

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Em 2009, Pablo Katchadjian escreveu El Aleph Engordado, um livro experimental em que o autor reproduzia o célebre conto de Jorge Luis Borges acrescentando as suas próprias considerações. Agora pode ser condenado a seis anos de prisão.

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Ler a história completa aqui.

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«Poucos, como o argentino Jorge Luis Borges, terão sabido tratar do leitor com tamanha adulação, colocando-o no papel principal das suas histórias. No prólogo da primeira edição de “História Universal da Infâmia” (Quetzal, 2015), escrito em 1935, Borges escreveu isto: «Por vezes creio que os bons leitores são cisnes ainda mais tenebrosos e singulares que os bons autores.»

Referindo que os «exercícios de prosa narrativa» que formam o livro derivam das suas releituras de Stevenson e de Chesterton – e também dos primeiros filmes de Von Sternberg e de alguma biografia de Evaristo Carriego -, Borges radiografa desta forma as grandes histórias presentes neste pequeno livro: «Abusam de alguns processos: as enumerações díspares, a brusca solução de continuidade, a redução da vida inteira de um homem a duas ou três cenas.»

Pedro Miguel Silva, Deus Me Livro

 

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«Numa entrevista a uma rádio francesa muitos anos depois de ter sido publicada a sua História Universal da Infâmia, Jorge Luis Borges referiu-se ao título como resultado da intenção de um jovem em chocar os seus leitores com uma “palavra bombástica”: infâmia.

Era um livro que ele encarava com algum desprezo, chamando-lhe o “jogo irresponsável de um tímido que não ousou escrever contos e se distraiu a falsear a tergiversar (sem justificação estética alguma vezes) histórias alheias”. Era o olhar distante de um escritor que já tinha produzido os seus textos mais emblemáticos, como Ficções (1944) ou O Aleph (1949,) perante a sua primeira experiência na prosa, algo de que estava longe de se orgulhar, mas onde críticos e biógrafos apontam traços do que viria a ser a sua marca literária: a imaginação delirante, a capacidade de, efabulando, criar personagens míticas, e de entrar e de desmontar a mente humana a partir dos pormenores mais mundanos.»

Isabel Lucas, Ípsilon

 

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«Apesar de ter resultado num projecto inacabado, a “Biblioteca pessoal” (Quetzal, 2014) de Jorge Luis Borges é um livro extraordinário, que mostra todo o poder de síntese e a genialidade do escritor argentino que, em cerca de duas páginas por entrada, nos apresenta a um autor da sua preferência, naquilo que seriam, em princípio, os prólogos de textos maiores, quase enciclopédicos.»

 

Pedro Miguel Silva no seu mais recente projecto, deus me livro.

 

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«Dois bibliotecários argentinos, Laura Rosato e Germán Álvarez, encontraram um manuscrito de Jorge Luis Borges nos depósitos da hemeroteca da Biblioteca Nacional argentina. Metida entre duas páginas de um exemplar do número 112 da revista literária Sur , apareceu uma folha de papel com algumas linhas manuscritas, que correspondem, com variações mínimas, ao final do texto Tema do Traidor e do Herói , tal como surge em Ficções (1944). O director da Biblioteca, Horacio González, garante que a caligrafia do manuscrito corresponde à "inconfundível letrinha de Borges".»

 

Curiosamente, a nova edição de Ficções, publicada pela Quetzal, chegou às livrarias na passada sexta-feira.

 

 

 

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Este é, na nossa opinião, um dos melhores livros de sempre. Quase setenta anos após a primeira edição, Ficções continua a fascinar os leitores que o descobrem e também aqueles que, a cada leitura, o redescobrem. O desafio que deixamos aos nossos leitores é que nos digam, na caixa de comentários, qual é o vosso conto preferido de Ficções. Ficamos à espera.

 

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"Em 17 pequenos-grandes contos, Jorge Luis Borges discorre sobre alguns dos temas universais que estiveram, desde sempre, presente na sua escrita: o tempo, o sonho, o infinito, a morte, a justiça, Deus, a ética. Sempre com o fantástico como papel de parede: em «O imortal» procura-se a secreta Cidade dos Imortais e a vida eterna; «História do guerreiro e da cativa» é um dos dois contos – a par de «Emma Zunz» – que parte de factos fidedignos, e que revela a escolha entre o lado racional ou animal da vida; «A casa da Astério» é uma fábula sobre um deus que aguarda o seu redentor; «Abenjacan, o Bokhari morto no seu labirinto» conta a história de um homem preso no seu próprio esconderijo, guardado por um escravo e perseguido por um morto sedento de vingança; «Os dois reis e os dois labirintos» mostra que a melhor prisão não precisa de ter escadarias, portas ou paredes; «O Aleph», que dá título ao livro, é o conto supremo, trespassado pela loucura, onde numa casa à beira da demolição se poderá ver, através de um único ponto, o Universo inteiro."

 

Pedro Silva, Rua de Baixo

 

 

Aqui.

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Nas livrarias a 18 de janeiro:

 

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Joana Emídio Marques, do Diário de Notícias, falou com vários admiradores portugueses da obra de Borges. Aqui ficam, com o devido agradecimento, as respetivas declarações:

 

"O que sempre me fascinou nas obras de Borges foi a forma como elas conseguiam mostrar que a literatura é um mundo paralelo perfeito. Nenhum outro escritor nos possibilita tão vertiginosas desciadas ao absurdo. Não sendo colecionador, a única coisa que coleciono são as primeiras edições de livros do Borges, o que demonstra bem a minha estima por ele."

António Mega Ferreira, escritor

 

"Descobri Borges ainda muito jovem, até porque ele foi uma leitura obrigatória para quase todos os escritores da minha geração. A minha formação em Filosofia também ajudou a potenciar o meu interesse pela sua literatura metaficcional. Lembro que o primeiro livro que li foi 'Ruínas Circulares'. Estranhamente, hoje acho esse conto muito datado."

Luísa Costa Gomes, ficcionista e dramaturga

 

"É o meu escritor. Sou um borgiano e, como tal, gosto de todas as obras dele. Ficção, poesia, ensaio, são facetas de uma imensa inteligência e sentido estético apurado. Todo o imaginário dele nasce da própria ideia de literatura. Ideia dentro da qual ele vivia. Considero que 'Ficções' é o mais perfeito dos livros. É um escritor que através do complexo consegue chegar ao essencial."

José Mário Silva, jornalista e poeta

 

"Borges foi leitura assídua de muitos da minha geração [...], como sequência natural dos surrealistas. De que o Borges, é claro, não é, mas de cujos deslocamentos conceptuais partilha. Borges aproxima-se também da tradição cabalista na forma como trabalha a partir das ressonâncias do alfabeto."

Helder Macedo, ensaísta e poeta

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Borges, o mesmo

27.01.12

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Borges

20.01.12

Na lista de maiores escritores do século XX, há vários nomes que são sempre citados: Proust, Joyce, Kafka. Jorge Luis Borges é um deles. A sua ascensão ao panteão literário foi lenta, mas com a entrega do prémio Formentor, em 1961, fixou-se aí definitivamente. Borges tornou-se uma lenda, um arquétipo do escritor erudito e de infinitos conhecimentos enciclopédicos, que inspirou Umberto Eco na criação de Jorge de Burgos, o monge cego de O Nome da Rosa. Bibliotecas, tigres, espelhos e labirintos: não é possível pensar em qualquer destes substantivos sem que o nome de Borges nos ocorra de imediato. São elementos de um universo único que gerou uma multidão de admiradores e imitadores, embora nenhum tivesse atingido o nível do mestre. Tal como os escritores referidos no início, Jorge Luis Borges não recebeu o prémio Nobel.

 

Poeta, contista e ensaísta, Jorge Luis Borges nasceu em Buenos Aires, em 1899, e morreu em Genebra, em 1986.

 

A Quetzal dá início, a 3 de fevereiro, à publicação das obras de Jorge Luis Borges com a saída em simultâneo de dois livros: História da Eternidade e O Livro de Areia. O primeiro, que reúne ensaios, revela o Borges polímato, o escritor erudito. O segundo é um exemplo de mestria da narrativa curta, em que Borges revisita temas desenvolvidos anteriormente, como a ideia de um livro infinito.

 

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"Da apresentação de livros das chancelas do Grupo Bertrand/Círculo, realizada esta manhã durante um pequeno-almoço na Bénard (Chiado), destaca-se o anúncio de que as obras de Jorge Luis Borges vão ser reeditadas pela Quetzal, livro a livro, na maior parte dos casos mantendo as traduções incluídas nas Obras Completas, publicadas há uns anos pela Teorema."

no Bibliotecário de Babel

 

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QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

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