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Na companhia dos livros. O blog da Quetzal Editores.
«Nada há de mais incerto do que uma data, que se quer precisa e definitiva, que determine o "início de atividade" de um escritor. Neste domínio, Vergílio António Ferreira, beirão nascido em Melo, Gouveia, a 28 de janeiro de 1916, não tem direito a exceção. Sabe-se, isso sim, que era estudante da Faculdade de Letras de Coimbra, onde viria a licenciar-se em Filologia Clássica, quando escreveu (1939) o primeiro romance, O Caminho Fica Longe, que só veria publicação quando o autor já exercia funções docentes (1943), profissão que manteria até à reforma.
Com alguma certeza, pode dizer-se que Vergílio Ferreira ainda não arrumara suficientemente as ideias para as sintetizar assim: "O que me excita a escrever é o desejo de me esclarecer na posse disto que conto, o desejo de perseguir o alarme que me violentou e ver-me através dele e vê-lo de novo em mim, revelá-lo na própria posse, que é recuperá-lo pela evidência da arte. Escrevo para ser, escrevo para segurar nas minhas mãos inábeis o que fulgurou e morreu" [Nota: Todas as citações deste texto são repescadas do livro 1000 Frases de Vergílio Ferreira, organização de Luís Naves, edição da Quetzal]. Ou, de um jeito mais sintético: "Escrevo para tornar visível o mistério das coisas."»
«Corto Maltese, mas também Paulinho da Viola. Mia Couto e Gabo. Carlos da Maia e João da Ega. Um ditador africano cujo nome se torna tão fácil de reconhecer como complicado de apresentar de forma explícita, até porque, como diz o próprio, «a comunidade internacional e, em particular, Portugal, tem apoiado, sem reservas, o nosso modelo de democracia». Mas também uma Virgem sem cabeça, um Construtor de Castelos que deriva para Engenheiro de Pontes, o Kung Fu Panda e o Sombra. Depois, Salvador da Bahia, uma Lisboa disfarçada com o passado, França, Colômbia e múltiplas Angolas. A que se junta a sombra de uma mangueira, que resguarda mas que, em simultâneo, faz cativos aqueles que nela mergulham e não mais conseguem sair – até aventura em contrário – dessa traiçoeira «zona de conforto».»
João Gobern, Diário de Notícias
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