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Será que um crítico é basicamente um leitor muito bom?

 

James Wood: Penso que sim. Há na crítica literária um amadorismo agradável apesar de agora constar dos programas universitários. Um professor de literatura numa universidade de renome não é necessariamente alguém mais atento do que um leitor normal. A vantagem, claro, é que o leitor profissional tem uma erudição mais vasta. Mas enquanto crítico pouco mais se pode fazer do que treinar a atenção e ler bastante para que se possam fazer leituras comparadas.

 

James-Wood.jpg Foto: Stephanie Mitchell

 

Leia no site Electric Literature, a entrevista completa de James Wood, autor de A Mecânica da Ficção e A Herança Perdida, ambos publicados pela Quetzal.

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James Wood

08.01.14

Excerto da entrevista, publicada a semana passada no Expresso, que Pedro Mexia fez a James Wood, crítico literário de quem a Quetzal já publicou A Mecânica da Ficção e A Herança Perdida.

 

«É atualmente o crítico literário mais conhecido da sua geração. Acha que isso tem a ver com o facto de não escrever apenas recensões mas ensaios com um certo cunho pessoal? É por isso que chega até aos leitores que normalmente não leem crítica literária?

 

Espero que isso seja verdade. Quando eu era adolescente, lia crítica literária por prazer, o que faz de mim um indivíduo muito estranho. Sentava-me na cama à noite e lia ensaios. Em Inglaterra há uma longa tradição de crítica literária de poetas e romancistas que remonta ao século XVIII. Gostava especialmente de Thomas de Quincey, que escreveu sobre o vício do ópio e os poetas românticos. E gostava muitos dos ensaios de Virginia Woolf, de onde retirei a ideia de que a maneira certa de escrever sobre livros é escrever através deles. Tenta-se nadar na mesma água onde o livro nada. E às vezes isso significa quase adotar alguma da sua linguagem, algum do seu poder metafórico. Estar numa espécie de proximidade ou – por mais tolo que isso pareça – numa competição com o livro que se está a criticar.»

 

 

 

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O missionário

09.11.12

“Para Wood, os grandes escritores são aqueles – como Tchéckhov, Gógol, Jane Austen, Melville, Thomas Mann – que melhor souberam explorar essa tensão entre os dois sistemas e aceitar as contradições e intermitência s de qualquer fé. Da mesma maneira, as maiores dores de aversão crítica são reservadas para as ficções (quase todas contemporâneas) que criam realidades autónomas sem o devido cuidado de calibrar a sua plausibilidade. Ao investir contra as várias deturpações do realismo – do «mágico» ao «histérico» – o crítico inglês está no fundo a denunciar os escritores que desvalorizam o «real», exigindo ao leitor um ripo de crença demasiado próximo da religião.”

 

Crítica de Rogério Casanova, que traduziu A Mecânica da Ficção, na revista Ler deste mês

 

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“Ler os textos de A Herança Perdida é um constante desafio, por vezes chocante, por implicar o desmoronar de algumas ideias feitas e o ressurgir de outras mais perturbadoras e iconoclastas. Wood obriga-nos a pensar a crítica como algo mutável, mais livre do ferrete das ideologias, e a alterar a forma como olhamos os textos literários, se formos suficientemente audazes e imaginativos.”

Helena Vasconcelos, Público

 

“James Wood começou por destacar-se pela ética das suas críticas, inatacáveis no contacto profundo com cada obra, no uso da citação, no apelo a que só a literatura em si mesma nos ensina a lê-la. Todavia, Wood rapidamente chamou a si uma cruzada pela ‘grande literatura’, identificada a partir da sua definição de realismo, isto é, colando-a ao seu próprio projecto crítico e estético.”

Filipa Melo, Sol

 

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A Revista Ler está nas bancas desde sexta-feira. Encontre os livros da Quetzal nos textos de Filipa Melo sobre James Wood  «Como se pode atirar a pequena traineira do comentário às altas ondas da ficção? No caso de Wood, tanto pelo elogio como pelo exame agudo, usando metáforas ou hipérboles, mas sendo sempre meticuloso na leitura e análise dos textos e pródigo nas citações e erudição literário»; na coluna dos Booktailors, assinada por Paulo Ferreira, dedicada à onda anti-bolaño; no texto de Rui Bebiano sobre Um Jantar a Mais, de Ismaïl Kadaré e de Bruno Vieira Amaral. sobre Zeitoun, onde diz que «a matéria-prima é excelente, mas é a mestria narrativa que faz de Zeitoun uma obra extraordinária».

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«A agilidade do [seu] discurso é viciante». Eduardo Pitta leu A Mecânica da Ficção numa viagem de comboio.

 

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«No meio da cacofonia mediática nem sempre é fácil perceber que a maior parte das criaturas que se pavoneiam como aves-do-paraíso não passam de frangos de aviário trasvestidos de Carmen Miranda, mas o livro de James Wood dá uma ajuda a afastar as plumas falsas.»

 

José Carlos Fernandes sobre A Mecânica da Ficção, de James Wood, na Time Out Lisboa desta semana.

 

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Hoje, no Ípsilon, um artigo de José Riço Direitinho sobre James Wood, a propósito de A Mecânica da Ficção.

 

«Nos seus textos, Wood coloca ao leitor perguntas teóricas, mas apresenta respostas práticas. Questões como "o que é uma metáfora bem sucedida", "o que é uma personagem", como é que o escritor faz para lhe soprar a "vida" (assemelhado-se nisso a Deus) ou porque é que a ficção nos consegue comover são respondidas com múltiplos exemplos práticos que o crítico vai buscar ao seu imenso manancial de leituras, que vai desde os clássicos gregos e da Bílblia até Saramago ou os mais recentes David Foster Wallace e Philip Roth.»

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«Os romancistas devem agradecer a Flaubert, da mesma forma que os poetas agradecem à Primavera: tudo começa de novo com ele. Podemos realmente falar de um tempo antes de Flaubert e de um tempo depois deçe. Flaubert estabeleceu decisivamente aquilo que grande parte dos escritores vêem como a moderna narração realista, e a sua influência é quase demasiado familiar para ser visível. Quase nunca elogiamos a boa prosa quando esta favorece o detalhe brilhante e revelador; quando priveligia um alto nível de registo visual; quando matém uma pose não sentimental e sabe quando se abster, com um bom valete, de fazer comentários supérfluos; quando busca a verdade, mesmo sob o perigo que nos repelir; e quando as impressões digitais do autor sobre tudo isto são, paradoxalmente, identificáveis, ams invisíveis. Conseguimos encontrar alguns destes factores em Defoe, Austen ou Balzac, mas todos eles só em Flaubert.»


De A Mecânica da Ficção, de James Wood, traduzido por Rogério Casanova.

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A Mecânica da Ficção é um estudo brilhante sobre os elementos principais da ficção, tais como a narrativa, o detalhe, a caracterização, o diálogo, realismo e estilo. Um dos mais proeminentes críticos dos nossos tempos disseca os mecanismos da narração e coloca uma série de questões fundamentais: o que queremos dizer quando dizemos que conhecemos uma personagem ficional? Quando é que uma metáfora é bem conseguida? Será que o Realismo é realista? E por que é que tantas vezes os desfechos dos romances são uma desilusão?

De Homero a Beatrix Potter, da Bíblia a John le Carré, A Mecânica da Ficção estuda as técnicas ficcionais, enquanto constitui também uma história alternativa do romance. Um livro lúdico e profundo.


A Mecânica da Ficção, de James Wood

série textos breves

Tradução de Rogério Casanova

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Estilo

03.05.10

Saul Bellow e James Joyce

 

«A tensão entre o estilo do autor e o estilo das suas personagens atinge um estado crítico quando três elementos coincidem: quando o autor é um estilista exímio, como Bellow ou Joyce; quando esse estilista se compromete a seguir as percepções e reflexões das suas personagens (um compromisso normalmente organizado pelo estilo indirecto livre, ou pela sua descendente, a corrente de consciência); e quando um estilista tem um interesse especial na representação de detalhe.

Estilo; estilo indirecto livre; e detalhe: acabei de descrever Flaubert, cuja obra inaugura e tenta resolver esta tensão, e que é realmente o seu fundador.»

James Wood, em A Mecânica da Ficção, traduzido por Rogério Casanova.

 

Gustav Flaubert

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A Mecânica da Ficção, de James Wood, traduzida por Rogério Casanova.

How Fiction Works, no original.

«Uma anatomia prática e profunda do romance, pelo maior crítico literário de hoje.» New York Review of Books.

Dia 23 de Feveiro nas livrarias.

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QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

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