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Entrevista de J. Rentes de Carvalho à Sábado:

«Rentes de Carvalho, de 85 anos, volta aos romances com a história de um emigrante que regressa à aldeia onde nasceu - e onde não lhe aconteceram coisas boas, nem ele as fez. Não conseguindo esquecer nem falar, a amargura chega-lhe ao osso. Uma grande história de solidão, ressentimento e maldade. 

Rentes de Carvalho explicou mais à SÁBADO, por email, a partir de Amesterdão, Holanda, onde vive.


O que o motivou? Porque quis escrever sobre um homem tão amargo, que despreza a mulher e o filho e até cobiça sexualmente a nora?

Talvez porque sou de índole pacífica, sempre senti um certo fascínio pela violência e os motivos que a provocam, a parte de  irracionalidade que leva alguém a perder a cabeça. No caso deste personagem, o Meças, além da irracionalidade há um elemento de vingança, e as humilhações a que submete a mulher, o filho, a nora, ou quem simplesmente o contradiz, provêm todas da mesma impotência, a de ser incapaz de  esquecer. Mas ao fim e ao cabo, nas chamadas horas mortas é ele quem mais sofre, pois nem a crueldade nem a bebida lhe trazem alívio.»

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Ler a entrevista completa aqui.

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«Tudo isto gravita no temível e truculento Meças, emigrante regressado da Alemanha, assombrado por memórias de abusos e por maus vinhos, que repercutirá prepotências no filho desprezado e na nora cobiçada (um iPhone branco, será a vingança dela…). Vital, violento, implacável, lúcido e aquiliniano, virtuoso no vocabulário popular e numa escrita que alavanca a tradição oral, O Meças é um livro do desassossego.»

Sílvia Souto Cunha, Visão

 

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«O romance tem uma nota inicial que avisa: "O Meças é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com acontecimentos, lugares e pessoas, vivas ou falecidas, é simples coincidência." Não acredito nesta nota, diz-se a J. Rentes de Carvalho, que fica surpreendido com a afirmação e responde logo com um "Ah não! Não acredita no meu talento?" E passa ao ataque: "Não encontrará nenhuma descrição real a não ser a da barragem do Sabor - que está lá e ninguém pode tirar - e a do hotel. Mais nada, o resto é tudo ficção."»

Entrevista de José Rentes de Carvalho ao Diário de Notícias.

Rentes by Orlando Almeida.jpg Foto: Orlando Almeida / Globalimagens

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Novo romance de Rentes de Carvalho. Uma história de violência, em que a progressiva definição dos contornos da memória trará novas e dolorosas verdades.

Romance inédito que conta a história de António Roque, homem atormentado, possesso do demónio de funestas memórias. As imagens do passado que regularmente se apoderam dele transformam-no num monstro capaz dos piores actos. No entanto, a obscura história da irmã e do homem abastado que se servia dela e que, apesar de morto, continua a instigar-lhe um ódio devastador, não é exatamente como ele pensa que se lembra.

Depois de anos emigrado na Alemanha, o Meças regressa à sua aldeia de origem. Com ele vivem o filho (a quem detesta) e a nora (a quem deseja, mas inferniza a vida), atemorizando de resto todos os que com ele se cruzam.

 

«O Meças é um romance sobre a maldade – e sobre Portugal, transfigurado numa história «no mundo rural», longe das cidades, dos círculos «bem-educados» e cosmopolitas, da hipocrisia e do esquecimento.»

Francisco José Viegas

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Meu caro Onésimo, começa J. Rentes de Carvalho.

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«Inspira-se nestas pessoas?

Eu não me inspiro, tomo nota. São uns apontamentos.

Vamos usar a palavra inspirar para facilitar...

Entre aspas.

"Inspiram" mais hoje em dia ou há uns anos "inspiravam" melhor?

Talvez deva responder de outra maneira. As pessoas eram diferentes e mais ingénuas. Atualmente, estão mais ao corrente da vida e perguntam-se: "Como é que me devo apresentar?" O que antigamente não acontecia porque a pessoa era e agora a pessoa faz-se.

O que tem muito que ver com as personagens de ficção...

É um pouco assim. Devido à televisão, têm uma grande consciência de si próprias, da sua atitude e da sua posição. Há, talvez, aqui quatro ou cinco pessoas entre as poucas dezenas que ainda são da cepa antiga. Mas o geral não.

E no seu caso, mantém-se ingénuo ou também já a perdeu?

Eu nunca o fui. Perdi muito cedo a ingenuidade porque comecei a ler bastante e muito cedo - por volta dos 8 anos -, mesmo que não soubesse o que lia. Era como quem absorve material sem saber o que aquilo é. No entanto, por volta dos 14 anos já tinha uma consciência política muito desenvolvida para a idade e para o tempo. Até uma consciência social muito forte pois nasci num lugar muito pitoresco de Vila Nova de Gaia, a que chamam Monte dos Judeus. É uma ilhazinha de casas no meio dos armazéns de vinho do Porto, onde havia uma fauna muito especial de pessoas: dois ricos que eram os donos da estiva, uma família Cockburn, uma classe média modesta, prostitutas, embarcadiços e pescadores. Na parte da frente da casa, olhava-se para o Porto; nas traseiras, olhava-se para a Idade Média. Isso deu-me muito cedo uma visão particular da sociedade, porque convivia com as classes sociais todas.

E no seu caso, mantém-se ingénuo ou também já a perdeu?

Eu nunca o fui. Perdi muito cedo a ingenuidade porque comecei a ler bastante e muito cedo - por volta dos 8 anos -, mesmo que não soubesse o que lia. Era como quem absorve material sem saber o que aquilo é. No entanto, por volta dos 14 anos já tinha uma consciência política muito desenvolvida para a idade e para o tempo. Até uma consciência social muito forte pois nasci num lugar muito pitoresco de Vila Nova de Gaia, a que chamam Monte dos Judeus. É uma ilhazinha de casas no meio dos armazéns de vinho do Porto, onde havia uma fauna muito especial de pessoas: dois ricos que eram os donos da estiva, uma família Cockburn, uma classe média modesta, prostitutas, embarcadiços e pescadores. Na parte da frente da casa, olhava-se para o Porto; nas traseiras, olhava-se para a Idade Média. Isso deu-me muito cedo uma visão particular da sociedade, porque convivia com as classes sociais todas.»

 

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Entrevista de J. Rentes de Carvalho ao DN.

 

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«Creio não ser de especial importancia que me repita aqui. José Rentes de Carvalho é para mim o melhor escritor português vivo.»

 

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«Depois da paragem no Teatro Viriato, em Viseu, a Viagem Literária continua e a próxima etapa leva este evento itinerante até à cidade da Guarda, no Teatro Municipal, a partir das 21:30 do dia 8 de julho, à boleia de dois grandes nomes da literatura nacional: Francisco José Viegas e José Rentes de Carvalho.[...]

Até setembro de 2016, esta iniciativa vai percorrer mais 12 capitais de distrito e as duas capitais das Regiões Autónomas, levando os escritores ao encontro dos seus leitores, contribuindo para a descentralização e democratização do acesso à cultura. Em cada cidade estarão à conversa dois escritores, com moderação do jornalista João Paulo Sacadura. Os espaços em que decorrerão as sessões serão, preferencialmente, os teatros municipais, por forma a permitir a participação de centenas de leitores, e os bilhetes serão gratuitos.

A “Viagem Literária” tem espaços próprios de contacto com o grande público: no site da Porto Editora, no Facebook e no Instagram. A “Viagem Literária” tem espaços próprios de contacto com o grande público: no site da Porto Editora, no Facebook e no Instagram

 

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Mais informações no site da Porto Editora.

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Nas livrarias

08.05.15

I:\CAPAS - BERTRAND EDITORA\2015\Quetzal\05_ maio\

 

I:\CAPAS - BERTRAND EDITORA\2015\Quetzal\05_ maio\

 

I:\CAPAS - BERTRAND EDITORA\2015\Quetzal\05_ maio\

 

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«O Kalifa serve um «bacalhau à lagareiro» de qualidade superior, feitura idem, pelo que para lá me mando, a antecipar os sabores do almoço.

Estaciono defronte dos Correios.

Assombrado, o casal estacou no passeio. A mulher fica. O homem, um sessentão gorducho apoiado a um cajado, avança para mim:

- Olha que esta! Ai que caralho! Quem havia de dizer!

Indiferente ao trânsito, pára a meio da rua, abre os braços, agita o pau num modo de esgrima amigável.

- Não me está a conhecer, pois não? Ai que caralho. A minha mulher… Não se lembra de mim?

- Francamente, não recordo.

- Caralho! Sou o Adérito! O Adérito das cerejas, caralho!

- Deve estar enganado.

- Não estou, caralho! Nós somos primos!

- Desculpe, mas…

- Sou o Adérito da tia Conceição, caralho! O Adérito… - continua a sorrir, mas atira uma paulada raivosa ao passeio.

- O Adérito, caralho! O Adérito de Vilarinho dos Galegos! O das cerejas! O primo!

- Olhe que não. Eu sou doutros lados. Não tenho família em Vilarinho, nunca lá fui.

- Não me diga, caralho! Então enganei-me?

- Acho que sim.

- Ai que caralho! Podia jurar, caralho!...

Encara-me descrente. No outro lado da rua, encostada à parede dos Correios, a mulher acena um adeusinho.»

 

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«O livro Pó, Cinza e Recordações começa no dia 15 de maio de 1999 e termina nesse mesmo dia do ano seguinte. É do género literário da diarística, peça pouco habitual entre a maioria dos escritores portugueses e no qual o escritor J. Rentes de Carvalho já caminha pela terceira vez, pois publicou Portugal, a Flor e a Foice, um relato cáustico sobre o país de 1974 e 1975, e Tempo Contado, sobre o mesmo país, mas passado nos anos de 1994 e 1995.»

 

João Céu e Silva, Diário de Notícias

 

Pó, Cinza e Recordações chega às livrarias a 8 de maio.

 

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Escrito entre maio de 1999 e maio do ano 2000, este é o diário do milénio de um dos mais relevantes autores portugueses da atualidade, vencedor do Grande Prémio de Literatura Biográfica APE, em 2012.

 

«Há diários importantes e os que são apenas interessantes. Há-os íntimos, alguns dolorosamente francos, outros mascarados. Os que são escritos para ferir e os que são escritos para recordar. Este, suponho eu, cabe mal nas categorias acima, pois menos que uma anotação de factos e pensamentos, o vejo sobretudo como um desejo de conversa.»

 

«Aonde pertencerei? De verdade e por inteiro, a parte nenhuma. A terra onde nasci tornou-se-me estranha como um teatro, quando estou nela tenho a ideia de que represento um papel. A outra, onde vivo há mais de meio século, dá-me por vezes a ideia de um navio que se afasta e me deixou no cais. Procurar outro poiso? Nem a idade o permite nem as amarras o deixariam. Porque é isso: não pertenço, mas é muito e forte o que me prende.»

 

A 8 de maio nas livrarias.

 

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Amanhã, dia 7 de abril, a RTP2 exibe, às 23h25, um documentário da autoria de António-Pedro Vasconcelos e Leandro Ferreira sobre J. Rentes de Carvalho. A não perder:

«J. Rentes de Carvalho nasceu em 1930, em Vila Nova de Gaia, mas a sua ascendência transmontana traçou o seu carácter e marcou a sua vida e a sua obra, sendo o seu romance "Ernestina" considerado a obra máxima da literatura portuguesa protagonizada pelas gentes de Trás-os-Montes. Tornou-se um cidadão do mundo, porque muito cedo afirmou as suas ideias e se revoltou contra o regime "salazarento", opressivo, mesquinho e ditatorial que então governava Portugal. Viveu sucessivamente no Rio de Janeiro, S. Paulo, Nova Iorque e Paris, até se fixar em Amesterdão, em 1956, onde se licenciou com uma tese intitulada "O Povo na Obra de Raul Brandão". Na Universidade de Amesterdão foi professor de Literatura Portuguesa entre os anos de 1964 e 1988. Vivendo na Holanda, mas sempre com um pé em Portugal, J. Rentes de Carvalho é um observador de duas realidades e dois povos, que vê como diferentes em quase tudo e com mordacidade se habituou a criticar e desmistificar. Foi assim que surgiu o convite para escrever um livro precisamente sobre os holandeses, "Com os Holandeses", uma obra "de escárnio e maldizer" sobre "um povo demasiado arrumado, bruto, obediente e desapaixonado", que curiosamente teve uma aceitação aparentemente improvável por parte dos holandeses e se tornou um best-seller logo que foi publicado, em 1972, e já vai na 13ª edição. O livro só foi publicado em Portugal em 2009 e isso é resultado de uma espécie de recusa que os jornais e revistas da especialidade tiveram até então em divulgar a obra de J. Rentes de Carvalho ou sequer em lê-la. Mas mesmo agora, J. Rentes de Carvalho não deixou, nem se deixa iludir com o ambiente cultural português, que caracteriza com a sua mordacidade habitual: "A julgar pelo que conheço e pelo que leio nos jornais e semanários portugueses, o país brilha em todos os campos. O cinema, a literatura, as artes plásticas, a música, pelos jeitos tudo isso ferve, e quase não se passa semana sem o anúncio da aparição de um génio. O mundo, infelizmente, parece não se aperceber de tanta genialidade".» Aqui.

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Ao longo das gerações são sem conta as famílias portuguesas onde há alguém como o triste protagonista de Montedor: rapaz sem futuro, com um passado apenas de sonhos, arrastando-se num presente que é verdadeira morte lenta.

 

Mau grado a simplicidade das personagens e das cenas, há no romance uma tensão permanente, pode com verdade dizer-se que quase cada página encerra um momento dramático, ou antecipa uma tragédia, a qual, talvez porque raro chega a acontecer, cria um desespero cinzento, retratando bem, e cruamente, os medos e o sofrimento da sociedade portuguesa, passada e presente.

 

Publicado pela primeira vez em 1968, Montedor é o romance de estreia de J. Rentes de Carvalho, sobre o qual escreveu José Saramago: «O autor dá-nos o quase esquecido prazer de uma linguagem em que a simplicidade vai de par com a riqueza (…), uma linguagem que decide sugerir e propor, em vez de explicar e impor.»

 

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«O escritor José Rentes de Carvalho (n. Vila Nova de Gaia, 1930) "sofreu", segundo o seu próprio termo, a primeira homenagem na noite de sábado, em Matosinhos, classificado pelo antigo secretário de Estado da Cultura Francisco José Viegas como um "dos últimos aventureiros" da literatura portuguesa.

 

Residente entre Amesterdão – onde se radicou há mais de cinco décadas –  e Trás-os-Montes, José Rentes de Carvalho tem vindo a ser redescoberto nos últimos anos, dizendo Francisco José Viegas, seu editor, que se está a "construir o lugar de um homem que durante anos foi ignorado em Portugal".

 

Assim, Viegas anunciou na homenagem que decorreu no âmbito do festival Literatura em Viagem (LeV), que este domingo termina em Matosinhos, que o primeiro romance de Rentes de Carvalho, lançado em 1968 pela Prelo com o título Montedor, vai ser reeditado em Portugal pela Quetzal em Outubro, esperando-se um romance inédito para 2015.»

 

Ler no Público.

 

  

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«A semana será de festa em Portugal. Passam 40 anos sobre o 25 de Abril, o golpe militar que terminou com a ditadura de Marcello Caetano.

 

Mas no momento de festa, inteiramente merecido, uma pergunta nunca deixou de me ocupar - e envergonhar: como foi possível a um país da Europa suportar a mais longa ditadura do século 20, quase meio século, até ao momento em que a putrefacção interna e a guerra colonial externa a fez desabar sob os tanques pacíficos dos capitães?

 

Uma boa resposta está em J. Rentes de Carvalho e no livro "Portugal, a Flor e a Foice" (Quetzal, 238 págs.). Sim, o nome talvez não seja conhecido entre o público brasileiro (uma lástima). Curiosamente, também não o era entre o público português: nascido em 1930, exilado na Holanda, autor de romances, diários, crónicas e prosa biográfica vária, Rentes de Carvalho, vivo e activo, é um dos melhores prosadores da língua lusa. Mas não custa perceber por que motivo um estilista como Rentes foi "persona non grata" entre a intelectualidade nativa, habitando o silêncio da indiferença durante grande parte da sua carreira.»

 

João Pereira Coutinho na sua coluna da Folha de São Paulo

 

 

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Nas livrarias desde a passada sexta-feira, o livro «maldito» de Rentes de Carvalho terá uma 2ª edição. Publicado em 1975 na Holanda, Portugal, a Flor e a Foice nunca tinha sido editado em Portugal. No ano em que se assinala o 40º aniversário da Revolução dos Cravos, este olhar heterodoxo sobre o período revolucionário está a cativar os leitores portugueses.

 

«Os cravos simbolizaram a esperança, mas a foice que os cortou não foi, como por um instante se temeu, ou fingiu temer, a do papão comunista, sim a dos lobos que a traziam escondida sob o disfarce de cordeiros.»

J. Rentes de Carvalho

 

«De início, não houve interesse em publicá-lo porque a minha visão do que se estava a passar era considerada desagradável e incómoda.»

Entrevista ao Atual

 

«As pessoas até aos 40, 50 anos vão ficar tristes ou assustadas com a revelação. Depois, os mais velhos, dos 60 anos para cima, vão-se dividir em duas categorias: aqueles que, contra toda a evidência, continuarão a acreditar que houve uma revolução muito bem feita e muito feliz, e os outros, que se vão dar conta de que nem tudo o que reluz é ouro.»

Entrevista ao i

 

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Excerto da entrevista de J. Rentes de Carvalho ao Expresso (Atual).

 

«Este livro, escrito entre abril de 1974 e outubro de 1975, nunca foi publicado em Portugal. Porquê?

De início, não houve interesse em publicá-lo porque a minha visão do que se estava a passar era considerada desagradável e incómoda. Mesmo na Holanda, teve uma única edição, pequena, e só saiu uma crítica ao livro num jornalzeco belga. Por causa do meu pessimismo, chamaram-me filho da puta, vendido ao capital e mais não sei quê. Demorou trinta anos para que os meus amigos socialistas, que na altura me abandonaram, começassem a dizer: “Olha lá, se calhar tiveste um bocado de razão, só que foi cedo demais.” A verdade é que ao mostrar o manuscrito ao Manso Pinheiro, editor da Estampa, já nos anos 80, ele explicou-me que o livro continuava a não ser publicável, “nem agora, nem daqui a dez anos, nem daqui a vinte”.

 

E que justificação deu para essa recusa?

Nos anos 80, este assunto ainda era intocável.

 

O problema era a falta de recuo histórico?

Não. O problema era contrariar as grandes certezas saídas da Revolução dos Cravos. Um sujeito vir dizer estas coisas não caía bem. Não vendia livros. E era até capaz de dar cadeia, sei lá.»

 

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QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

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