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Traições

15.02.13

«A narradora deste livro – que não tem nome porque a escritora não conseguiu “dar um que não soasse falso, já que o verdadeiro não podia dar” – relata-nos como descobriu a traição do marido, como sofreu com ela e tentou enganar-se. O tema não é propriamente novidade, mas aqui ganha mais força pelo tom honesto e confessional com que Elvira escreve. Uma forma despretensiosa marcada pelos diálogos e que cria empatia com qualquer tipo de leitor, traído, não traído, traidor ou curioso. De repente estamos na pele daquela mulher, com vontade de a sacudir para que não se deixe enganar e quase a ponto de odiar Paulo, o marido, e N., a amante.»

 

Aqui.

 

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"Elvira Vigna (n.1947), jornalista, tradutora e escritora brasileira, apresenta-se ao público português com “Nada a Dizer” (Quetzal). O seu oitavo romance (primeiro editado em Portugal) foi aplaudido pela crítica brasileira.

 

“Nada a Dizer” venceu o Prémio Ficção da Academia Brasileira de Letras e foi finalista do Prémio Portugal Telecom. O enredo do livro é simples.

 

Um casal sexagenário pertencente à classe média, com filhos e sem problemas económicos, vê o seu casamento, de mais de 30 anos, em risco devido a adultério. Durante um ano, a mulher traída narra os factos e as emoções sentidas durante esse período. A mais-valia desta obra de Elvira Vigna não é a história; é a forma como a história é contada.

 

Nesta perspectiva, “Nada a dizer” é um texto literário muito bem estruturado, onde a escritora, com mestria e através de um “eu narrativo”, seduz o leitor a assistir às vicissitudes inerentes a este triângulo amoroso."

 

Mário Rufino, P3

 

 

Foto de Renato Parada

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«A cena faz parte de Nada a Dizer, o livro com que a carioca Elvira Vigna chega às livrarias portuguesas, e mostra em meia dúzia de linhas o que é este romance, originalmente publicado em 2010: o relato de uma mulher traída a tentar entender como é que duas pessoas que estão juntas há mais de 30 anos podem esquecer-se uma da outra, e a falar do fim do amor com uma ironia que chega a ser desconcertante.

 

“Escolhi a mulher traída para narradora por este ser um ponto de vista raramente considerado nas histórias românticas”, diz a autora a partir do Rio de Janeiro. “Assim retiro a impressão romântica que uma traição possa ter. Não acredito em amor aos pouquinhos. Casos de amor significam que o amor anterior acabaou.”»

 

Artigo de Ana Dias Ferreira na Time Out

 

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Nada a Dizer

04.02.13

«Ao contar uma história vulgar, Elvira Vigna não acrescenta nada de original. As vacilações abismo psicológicos, a fragmentação identitária, o espetáculo doloroso da perda, as ruínas emocionais e o recomeço, já vimos tudo isto mil vezes. O que salva o romance da banalidade é o estilo: seco, direto, reflexivo, sofisticado. A linguagem como espaço onde as coisas, as verdadeiras e as imaginárias, acontecem […]»

 

José Mário Silva, Expresso

 

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O nosso leitor Cassionei Niches Petry enviou-nos o texto que se segue sobre Nada a Dizer (a 1 de fevereiro nas livrarias), romance da escritora brasileira Elvira Vigna. Agradecemos a amabilidade do autor do texto, que aqui reproduzimos na íntegra com a sua autorização:

 

«Há muito a dizer sobre Nada a dizer, de Elvira Vigna. O espaço, porém, é limitado, o que é bom, pois só assim escapo da tentação de contar tudo e afastar, dessa forma, o leitor da obra. Sugerir é mais sensato, provocar a leitura, dar pistas talvez. Bem, o melhor é dizer pouco.

Carioca, nascida em 1947, Elvira Vigna tem uma obra consolidada, que inclui romances como Coisas que os homens não entendem e Deixei ele lá e vim. É uma escritora que sabe o que quer dizer e diz. Seus projetos literários são baseados em estudos teóricos bem fundamentados que ela expõe em palestras ou vídeos disponíveis no seu site. Não é diferente com esse Nada a dizer.

No romance, há uma história de adultério. Tema que pode parecer comum, mas que na mão da escritora ganha outro brilho, pela maneira como é contada, pela voz que relata, pela forma como ficamos sabendo da traição. Aliás, o ponto de vista da narrativa, para quem não lê a orelha ou a contracapa do livro, é uma surpresa que se desvenda logo no início, mas que já demonstra o trabalho criterioso da autora. É difícil, inclusive, resumir parte do enredo sem falar sobre o narrador. Tentaremos.

A personagem principal, cujo nome desconhecemos, é casada com Paulo. Ambos estão recém se mudando do Rio de Janeiro para São Paulo. A casa ainda por arrumar tem caixotes espalhados pelos cômodos, dando um indício do que acontecerá com os dois. A vida deles será bagunçada devido a algumas visitas que Paulo faz ao Rio de Janeiro, com o pretexto de encontrar os amigos e jogar futebol. Através de troca de e-mails, conversas no Skype e mensagens de celular, o marido marca encontros com N., uma amiga do casal no Rio. A mulher traída, depois de descobrir tudo, lê obsessivamente os rastros de conversas que foram deixados, bem como o blog escrito pela amante, numa tentativa de entender os motivos de o marido, já com seus sessenta e poucos anos, se envolver com uma mulher vinte anos mais nova.

Paulo, num primeiro momento, nega tudo. Mente. Mas depois confessa, a esposa o ouve e expressa esse momento numa das passagens mais belas do romance: “Não sei como exprimir o que vivi. Eu teria de falar em frases lentas, muito suaves, uma música de câmera dessas que nos embalam e se preocupam em nos avisar quando terminam graças aos compassos em tom menor, mais curtos. Quando então saímos de nossa letargia para bater palmas discretamente e nos dirigir à pessoa ao lado, com acenos de cabeça, sim, a execução foi exatamente como esperávamos, sim, muito satisfatório esse sentimento de realização que nos fica quando acompanhamos até o fim uma melodia”.

Paulo havia mentido para a mulher. É a mentira que torna o caso uma traição. Não ter nada a dizer sobre o que aconteceu, negar tudo. O romance, por isso, é muito mais sobre a mentira do que o adultério. Mentir é inerente ao ser humano. A história escrita por Elvira Vigna pode ser uma mentira. O escritor mente e cria personagens que mentem, inclusive a própria mulher traída mente. Por isso dizemos que um romance é uma ficção. A mentira aqui serve para mostrar a verdade, revelar questões humanas que só se revelam na ficção. Acreditamos mais em uma mentira bem contada do que numa verdade com roupa rota. Inclusive esta resenha pode ser mentirosa, mas sobre isso não tenho nada a dizer. O que tenho a dizer é que Nada a dizer é um romance que merece e deve ser lido. Pronto, já disse.»

http://cassionei.blogspot.com.br/2011/12/no-tracando-livros-de-hoje-o-romance-de.html

 

 

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QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

foto do autor


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