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Uma obra aberta

31.03.16

«A autora calibra o plot com a naturalidade e a segurança de quem relata uma história linear. Ora o romance de Helena Vasconcelos será tudo menos linear. Veja-se como do Livro I para os seguintes o tempo da narração sofre uma forte guinada. Afinal, nem tudo é como na pacata Steventon. Verdade que a clave irónica da close reading austeniana transforma o livro em obra aberta, pós-modernista em sentido amplo. Drible perfeito: com material na aparência “fútil” se fez um belo romance de ideias. Nada de confusões com a empáfia indígena que todos os dias presume ter descoberto a roda.»

frenteK_nao_ha_homens_ricos.jpgEduardo Pitta dá 5 estrelas ao romance de estreia de Helena Vasconcelos, na Sábado.

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«A Zona de Interesse é talvez o romance mais comprometido de Amis, e seguramente o mais conseguido, o que não deixa de ser relevante se pensarmos que O Segundo Avião (2008), não sendo uma narrativa de circunstância, reporta ao 11 de Setembro, tema familiar à maioria dos leitores. Tal como há sete anos, também agora nenhuma linha se afasta da realidade, ilustrada por factos documentados. Dir-se-ia que a quota ficcional é um pretexto para contar o indizível. A diferença é que o livro sobre o ataque às Torres Gémeas é uma obra de não-ficção (ainda que inclua um perfil ficcionado de Muhammad Atta), enquanto A Zona de Interesse é um romance clássico no mais amplo sentido do termo. Pode-se dizer que Amis dribla os que até aqui o acusavam de vénia ao ar do tempo. Desta feita, o passado regressa sob a forma de um murro no estômago. Cinco estrelas

 

Eduardo Pitta, Da Literatura

 

k_zona_interesse_7.jpg

 

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«Avesso a holofotes, Agostinho da Silva (1906-1994), escritor, pedagogo e tradutor, permanece um desconhecido para muita gente. Razão acrescida para saudar a biografia que António Cândido Franco acaba de dar à estampa – O Estranhíssimo Colosso. […] Rigor, prosa escorreita, heterodoxia. O traquejo do biógrafo permite o uso de plebeísmos conformes ao biografado: “borraçudo” (o perfil da sociedade portuguesa durante o salazarismo), “marimbou”, “baril”, “Eh, pá!” ou “Marcelo e Tomás foram dentro”, fluem com naturalidade. Agostinho aprovaria.»

Eduardo Pitta, Sábado

 

frentek_estranhissimo_colosso12.jpg

 

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Ironia Assassina

22.01.14

«A memória de Eduardo Pitta é uma memória de incríveis minúcias, capaz de irritar quem não guarda, dos acontecimentos passados, senão recordações em clave de mais ou menos. [...] É esta minúcia que dá espessura e sabor a tais momentos, mas é também a origem da irritação dos menos dotados desse tipo de memória  —  e que se vingam, como já se viu, acusando o escritor de “snobismo” e outros pecados adjacentes. É possível que o seja, até certo ponto, embora da espécie inocente. Mas, nesse caso, apetece perguntar: “Porquê não perdoar ao Eduardo o que se perdoa, gulosamente, ao Proust?” Eu creio que este tipo de acusações ignora, sobretudo, um facto: na sua altaneira exibição de conhecimento microscópico do Milieu, Eduardo Pitta usa sempre  —  e fá-lo, com singular mestria  —  um fundo de ironia assassina, que só, até certo ponto, dissimula. Certas suas formulações decapitam sem piedade: “O Al Berto absteve-se. Em tratando-se de terceiros, e sobretudo quando não era o centro das atenções, aborrecia-se.”  E era nestes termos aparentemente snobs mas sibilinamente mortíferos que falava da aurora da Democracia: “Nos primeiros anos da revolução, os operários comiam sapateiras, a direita comia filetes de pescada, a esquerda comia bacalhau com batatas a murro e os não-alinhados comiam steak au poivre. As classes altas comiam no Lucas-Carton.  A caricatura vale o que vale, mas foi a Casa da Comida que mudou o paradigma.” [...]»

 

Excerto da crítica de Eugénio Lisboa a Um Rapaz a Arder, publicada no nº 185 da Colóquio/Letras. Ler mais aqui.

 

 

 

 

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A morte da amada

28.11.13

«Os Níveis da Vida está dividido em três secções, sendo a primeira e a segunda de natureza enciclopédica (um tour d’horizon sobre balonismo, e a última uma homenagem à mulher que amou, Pat Kavanagh, a agente literária que foi sua mulher durante 30 anos. Não é fortuito que a badana da edição portuguesa inclua um breve verbete de Ms. Kavanagh. Com a morte de Pat, ele desmoronou: «Entre um Verão e um Outono houve ansiedade, alarme, medo, terror.» O suicídio esteve no horizonte, mas Barnes veio à tona, sem poupar no sarcasmo contra os que à sua volta (e foram muitos) fizeram de conta que nada tinha acontecido. Notável.»

 

Eduardo Pitta, Sábado

 

 

 

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«Pode-se dizer que a consagração de Teju Cole (n. 1975) chegou com o ensaio de várias páginas que James Wood lhe dedicou na “The New Yorker”, mas a melhor síntese sobre Cidade Aberta pertence a Cólm Tóibín – “Um reflexão sobre história e cultura, identidade e solidão.” Em rigor não é preciso dizer mais nada. (…) Cole tem uma escrita elegante (a tradução de Helder Moura Pereira faz-lhe justiça) e este livro não anda longe dos textos sobre viagens que publica com regularidade. Uma bela descoberta.»

 

Eduardo Pitta, Sábado

 

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«Um dos seus feitos, li algures, dizia ser “ter sobrevivido sem canudo num país de doutores.” Não precisou de diploma para se encantar pela literatura. Como começa a sua relação com os livros e os autores?

 

Mas alguém algum dia se preocupou com a falta de canudo do Cesariny, da Sophia ou do Herberto Helder? A poesia tornou-se um feudo de académicos, isso nem é pecha nossa, lá fora também é assim, mas eu venho de outra geração. E em minha casa sempre houve muitos livros. Leio desde que me conheço.»

 

Eduardo Pitta em entrevista ao jornal i

 

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Um Rapaz a Arder

07.05.13

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Um Rapaz a Arder

15.02.13

«Esta é uma das dezenas de fotografias que estarão no livro de memórias do poeta e crítico Eduardo Pitta sobre o meio literário português de 1975 a 2001, e que a Quetzal publicará em Abril, com o título Um Rapaz a Arder. É o verso de um dos seus poemas, cantado pela banda A Naifa (“Está um rapaz a arder / nunca ninguém apagou esse lume”). O livro começa no dia em que este português nascido em Moçambique chega a Lisboa, em 1975, e termina no dia 11 de Setembro de 2001. “8 de Novembro de 1975 foi o dia que mudou a minha vida, 11 de Setembro foi o dia que mudou a vida a toda a gente”, explica o autor. À medida que ia escrevendo aquilo que começou por ser um projecto só sobre os anos 1980 em Portugal, o autor do romance Cidade Proibida e do ensaio sobre a homossexualidade na literatura portuguesa contemporânea Fractura percebeu que teria de incluir muitos flashbacks. Conclusão: as memórias dilataram-se.»

 

Isabel Coutinho, Ípsilon

 

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O anúncio foi feito pelo autor no facebook e o Público aproveitou para informar os seus leitores sobre a publicação, no próximo ano, de um livro de memórias de Eduardo Pitta sobre os loucos anos 80.

 

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90%

28.07.11

 

Crítica de Eduardo Pitta na revista Sábado

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«A agilidade do [seu] discurso é viciante». Eduardo Pitta leu A Mecânica da Ficção numa viagem de comboio.

 

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Alexandre Borges, António Manuel Venda, Eduardo Pitta e Luís Naves estiveram no espaço da Bertrand/Quetzal para assinar os seus livros e falar com os seus leitores.

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Osvaldo Manuel Silvestre, Eduardo Pitta e Francisco José Viegas, na apresentação de Aula de Poesia em Coimbra.

 

 

Foi na sexta-feira à noite, em Coimbra, na Bertrand do Dolce Vita. Osvaldo Manuel Silvestre falou de T.S.Eliot e crítica. Eduardo Pitta explicou porque não fala de poetas mais recentes: o que escrevem não o entuasiasma; explicou porque prefere Cesariny a Eugénio de Andrade («que em Lisboa seria um poeta de bairro»): está tudo nas entrelinhas de Aula de Poesia. Francisco José Viegas faz o relato aqui. Em montagem paralela, o relato do congresso do PSD (Mudar, de Pedro Passos Coelhos foi publicado pela Quetzal em Janeiro deste ano).

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Osvaldo Silvestre apresenta Aula de Poesia, de Eduardo Pitta, na Livraria Bertrand do Dolce Vita de Coimbra.

 

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«Pitta lembra com especial cuidado alguns autores exilados, esquecidos porque "desaparecidos", como é o caso de Alberto Lacerda e sobretudo Rui Knopfli, poeta realista, culto, empático e tristemente irónico, que o crítico tem tentado resgatar de um escandaloso olvido.»

 

No Ípsilon de hoje, o texto que Pedro Mexia leu na apresentação de Aula de Poesia, na passada quarta-feira.

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Ontem, na Fnac Chiado, falou-se do cânone a que pertencem ou não determinados poetas portugueses, de novos e novíssimos, da orientação sexual de quem escreve poesia, de editores, de reconhecimento e falta dele. Falou Pedro Mexia, Francisco José Viegas e Eduardo Pitta. Foi o lançamento de Aula de Poesia, que o Eduardo descreve aqui, e o Pedro Vieira, resume em desenho, pois claro.

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Aula de Poesia

10.02.10

Às 18h30, na Fnac Chiado, Pedro Mexia apresenta o livro de Eduardo Pitta, Aula de Poesia.

 

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QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

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