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Hoje, no Ípsilon, entrevista de Rui Lagartinho a Arthur Dapieve.

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«Era manhã de carnaval. Bernardino abriu um olho, depois outro, e este alcançou Maria, ressonando ali ao lado. Era manhã de carnaval, não se poderia ainda dizer se ela viria a ser bonita, mas o publicitário estava aliviado: agência só na quinta-feira de cinzas. Eram cinco dias longe de Adelaide e cinco dias longe de Adelaide talvez fossem tudo o que ele precisava para se emendar e não dar novos vexames como o dado ao piano do Copacabana Palace. Na quinta-feira seguinte à festança, lógico, ele não conseguira aparecer para trabalhar, pois seu fígado estava a fazer uma operação tartaruga. Na sexta-feira, antes de sentir-se novamente mal, tivera tempo apenas de resolver algumas pendências insignificantes com Laura e dar uma passada na sala de Milano, como quem não quer nada, só para aferir o bom humor do velho depois da noite dos 25 anos da agência. Depois de uma e de outra tarefa, passara os olhos preguiçosamente pelos remetentes e pelos assuntos das dezenas de e-mails acumulados durante o dia no estaleiro. Abrira apenas dois deles.

 

O primeiro, ainda de quinta-feira, 14:13, dizia:

<Oi, Dino, tudo bem? Fiquei preocupada com você ontem. Você bebeu tanto e a sua mulher estava com um ar tão triste na pista de dança... Por que você faz isso? Você também acha que a agência vai fechar em breve, como o P.H.? Ele me falou isso agora de manhã, no café, e disse que não sabia se você viria trabalhar. Beber do jeito que você bebe vai acabar te fazendo mal. Desculpa não ter assistido até o final da sua interpretação da música do Caetano Veloso: eu comecei a chorar e tive que sair dali. Beijos pra vc, Adelaide.>

 

A segunda mensagem, datada daquela mesma sexta, 9:37, dizia:

<Oi, Dino, eu de novo... Espero que você tenha melhorado ao menos o bastante para dar as caras aqui antes do feriadão de carnaval. Vou sentir saudades se não te vir... Me dá uma ligada, de qualquer maneira? Só para eu saber que você já está recuperado? Tô meio mãezona, né? Apesar de cansada dos Escravos da Mauá, ontem, vim cedo hoje pra agência pra poder sair logo e curtir a folia. Hoje sai o Carmelitas! Beijos pra vc, Ade-Laide.>

Bernardino aprendera, em meia dúzia de rápidas conversas ao pé da máquina de café com Adelaide, a importância do carnaval, não apenas para ela, como para toda aquela geração de Paulos, Thiagos, Renatas. E, claro, Mários e Marias. Sim, era um pouco chato admitir isso, porque essa admissão igualava seus filhos a Adelaide, ou seja, dizia pô, cara, você tem idade para ser o pai dela! nas entrelinhas, mas a convivência com a ruiva, ainda que corrida entre um almoço comercial e outro, ainda que quase sempre mediada pelo correio eletrônico, vinha lhe ajudando a entender melhor os jovens que tinha em casa.»

 

 

Excerto de De Cada Amor Tu Herdarás Só o Cinismo, de Arthur Dapieve. Dapieve virá a Portugal em Abril, mês em que publicamos Blackbox, um novo romance do autor brasileiro.

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Nas Livrarias a partir de 20 de Março:

 

 

 

Bernardino é um publicitário quarentão, com uma família normal e uma vida sem sobressaltos. Vive com uma mulher atenta e reservada e com os filhos, que frequentam a faculdade. Os seus caminhos diários fazem-se entre casa, a agência, algumas cervejas com os amigos, e concertos rock, todos a que consegue assistir. Ele cresceu a ouvir Elvis Presley e os Beatles, passou a adolescência ao som de Neil Young e dos Pink Floyd e, mais tarde, «tomou muito Joy Division na veia». É justamente num concerto, numa madrugada quente do Rio de Janeiro, que encontra Adelaide, a muito bela e jovem estagiária da agência, por quem começa a apaixonar-se. Nem a idade, nem a experiência, nem os desencantos poderão travar a vontade de viver uma história de perdiçãpo, que parece copiada de muitas outras: infidelidade, adultério, mentira, culpa – o costume. Só que as consequências serão devastadoras.

 

De Cada Amor Tu Herdarás Só o Cinismo, de Arthur Dapieve | série língua comum

 

 

 

 

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Ainda é cedo amor,

mal começaste a conhecer a vida

já anuncias a hora da partida

sem saber mesmo o rumo que irás tomar.

 

Preste atenção querida,

embora eu saiba que estás resolvida,

em cada esquina cai um ponto da tua vida

e em tão pouco tempo não serás mais o que és.

 

Ouça-me bem amor, preste atenção,

o mundo é um moinho

vai triturar teus sonhos, tão mesquinhos,

vai reduzir as ilusões à pó.

 

Preste atenção querida,

que em cada amor tu herdarás só o cinismo,

quando notares, estás a beira do abismo,

abismo que cavastes com teus pés.

 

 

Samba canção de Cartola,1976 (no vídeo interpretado por Cartola em 1977).

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QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

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