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No Origem das Espécies, de Francisco José Viegas - o director editorial da Quetzal.

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No catálogo da Quetzal, um livro que nos devolve as memórias do verão de 1956 no Cairo - um outro marco na história recente do Egipto.

 

«A memória, longe de ser unívoca, é como esse Verão de 1956 que não se repetirá na vida de Hammad. Melhor ainda, a memória possui múltiplas pátrias e espaços. É por isso que vivemos, como se diz, entre dois fogos: a utopia da lembrança e a utopia do desejo. Sempre que recordamos, o desejo insinua-se e vem dar cor à nossa memória; e sempre que nos abandonamos ao desejo, a memória apodera-se dele-Uma memória do Egipto nos anos mais importantes da sua História recente: a nacionalização do Canal do Suez; a vitória egípcia sobre o ataque tripartido das forças britânicas, francesas e israelitas; e o sonho do nacionalismo árabe – a esperança de recuperar a antiga glória na criação de um estado moderno, modelado na liberdade e na justiça social. E, no centro de tudo, o Cairo: “a cidade infinita, cheia de gritos, risos, confissões – essa mulher cheia de orgulho, onde coabitam os vivos e os mortos, as palavras e os sonhos."»

 

De Como Um Verão Que Não Voltará, de Mohammed Berrada, tradução de Ana Cristina Leonardo.

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«Em Assuão, Hammad viu o Nilo correr denso e inchado como um pequeno mar em fúria, rodeado de planaltos, campos de silvas e rochedos. Seguiu o rio que desfilava, desabrido, na sua viagem para norte. Como se a sua memória ao reencontrar-se com uma civilização de gostos refinados e beleza luxuriante, se recusasse a acolher um tesouro que não vê porque não o conhece. Face àqueles templos, esculturas e pinturas, Hammad compreendeu que a viagem ao Egipto não fora só o fruto de um desejo de contemplar um quadro do qual já conheceria alguns traços, mas também uma viagem em direcção a um desconhecido cuja presença ele recriaria, um desconhecido carregado de questões essenciais que o homem formula junto às margens do Nilo, à sombra da história.

 

Nada nos é dado previamente. Ao aproximarmo-nos daquilo que julgamos ser a verdade, outras coisas se nos revelam que põem em causa a fórmula inicial das nossas interrogações. A memória, também, longe de ser unívoca, é como esse Verão de 1956 que não se repetirá na vida de Hammad. Melhor ainda, a memória possui múltiplas pátrias e espaços. É por isso que vivemos, como se diz, entre dois fogos: a utopia da lembrança e a utopia do desejo. Sempre que recordamos, o desejo insinua-se e vem dar cor à nossa memória; e sempre que nos abandonamos ao desejo, a memória apodera-se dele.»

 

Excerto de Como Um verão Que Não Voltará, de Mohamed Berrada, um livro da série mediterrâneo.

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Relato de viagem, registo de aprendizagem, meditação sobre os sortilégios da memória e da escrita: nesta obra, o autor de O Jogo do Esquecimento, um dos textos essenciais da literatura marroquina moderna, entrega-se inteiramente à sua paixão pela "mãe do mundo" , o Cairo - a segunda pátria descoberta nos anos cinquenta pelo jovem marroquino, que aí se instalou para dar continuidade aos seus estudos universitários.

 

Os ecos desse tempo ressoam ainda na memória: a voz de Nasser anunciando a nacionalização do Canal do Suez, a de Oum Kalsoum que acompanhou os primeiros sobressaltos do coração; as das vedetas de cinema e as dos escritores, como Naguib Mahfouz. E o rumor incessante da cidade infinita, cheia de gritos, risos, confissões - essa "mulher coberta de orgulho", onde coabutam os vivos e os mortos, as palavras e os sonhos.

 

Como Um Verão Que Não Voltará, de Mohamed Berrada | série mediterrâneo

Traduzido do francês por Ana Cristina Leonardo

180 páginas

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QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

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