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O escritor italiano Claudio Magris venceu a edição deste ano do prestigiado FIL Literary Award. O prémio, no valor de $150,000, é outorgado anualmente a escritores de línguas românicas e distingue o conjunto da respetiva obra. A entrega do prémio será realizada durante a inauguração da Feira do Livro de Guadalajara, no México, no próximo dia 29 de novembro. Entre os anteriores galardoados contam-se grandes nomes da literatura contemporânea como o poeta chileno Nicanor Parra, os romancistas brasileiros Rubem Fonseca e Nélida Piñon e António Lobo Antunes.

 

A Quetzal tem vindo a publicar a obra de Claudio Magris, em que se destacam Danúbio, A História Não Acabou, Às Cegas e Alfabetos, livro que o escritor apresentou o ano passado na Casa Fernando Pessoa.

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«Além de reafirmar as qualidades já apontadas nestas páginas à outra colectânea de Magris publicada na Quetzal – A História Não Acabou – esta nova recolha de textos, publicados (maioritariamente) no Corriere della Sera, faz dilatar a admiração pelo autor: a mera leitura da multitude de obras aqui abordadas é trabalho para toda uma vida em dedicação exclusiva.

 

Em Alfabetos a literatura – o fio condutor – entrelaça-se com a filosofia, as artes, os temas da actualidade e os grandes temas de todos os tempos: nacionalismo, Baudelaire, felicidade, a Odisseia, Kafka, família, Robinson Crusoe, melancolia, a Bíblia, campos de extermínio. Comum a todos os textos é a capacidade de síntese, a clareza de exposição, a erudição sem afectação, a perspicácia que permite unir assuntos aparentemente díspares.»

 

José Carlos Fernandes, Time Out

 

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Alfabetos

09.01.14

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«A dimensão do seu discurso traduzia a dimensão do seu pensamento: a capacidade e a coragem de ir para lá do óbvio, de não se acantonar em lugares pacíficos, nem amanhãs que cantam, nem cinismo estéreis, nem totalmente otimista nem totalmente pessimista. No seu discurso, nas suas ideias e até na sua linguagem corporal a posição que escolhe é a mais difícil de todas: o equilíbrio no meio. Luta do agonismo, da incompletude, da incerteza. Um Ulisses que, mesmo estando em Ítaca, sabe que o chão que pisa não é sólido. […]

 

Há no pensamento e na escrita do ensaísta italiano a liberdade da errância. Como homem sensível e atento ele sabe manejar os sinais e os símbolos, as intuições, o visível e o invisível e interliga-los de forma a dar a ver sempre um ângulo novo da experiência.»

 

Joana Emídio Marques, QI

 

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Claudio Magris

05.12.13

 

«Como quando lê um livro que lhe agrada? Também se abandona?

 

R: Sim, abandono-me. Claro que fui toda a vida professor de Literatura, há uma relação profissional, uma certa capacidade de analisar, de ver os passos em falso. Mas quando o livro é realmente uma experiência, então é como o baile de Natacha, é o abandono. Isto não tem nada contra a capacidade profissional de julgar, como um músico que toca, e claro que tem a técnica, mas a música não é destruída. O abandono à música, o encantamento de Schubert ou de Mahler não se opõem à técnica necessária para compor e interpretar a música.

 

Quando escreve, também se abandona ou tem muitas regras?

 

R: São momentos diferentes. Há talvez três momentos na minha escrita. Por vezes é como uma intuição, uma sugestão que pode ser uma notícia lida no jornal ou uma pequena história portuguesa, ou um rosto, um episódio, qualquer coisa. Então começo a pensar, a deambular sem direção com isso. Se o tema começa a tomar forma, então agarro-o e começo a trabalhar, depende do tema. A história de Às Cegas, que exige muito conhecimento e muitos dados, ou o Danúbio, que precisa de muita investigação, fazem-me pensar. Se a ideia, o projeto não morre nesse momento inicial, é como numa relação sentimental, começamos a ver a pessoa, telefonamos um ao outro, encontramo-nos, bebemos um café, por vezes isso continua, outras vezes não. Se a ideia, o projeto, em agarram, pelo menos do ponto de vista subjetivo, então há uma fase selvagem em que escrevo sem atenção especial ao estilo, na qual não sou realmente mestre daquilo que escrevo, é como…

 

…é torrencial?

 

R: É torrencial, é isso. É aí que um livro nasce ou não, não é uma decisão. Se sinto que o livro nasceu, espero, espero sempre, e depois começo um controlo, uma correção muito pedante, muito penosa, muito professoral, muito aborrecida, muito fria. Mas o momento decisivo é antes.»

 

Claudio Magris entrevistado por Ana Sousa Dias na revista Ler deste mês.

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«Claudio Magris é um intelectual cujo sonho é, a seu modo, à escala do Danúbio. O rio que tanto testemunhou o esplendor da dinastia dos Habsburgos como a sua derrocada, com o assassinato do arquiduque Francisco Fernando, em Sarajevo. O sonho de Magris é o de uma Europa política federal, que não descure a extensa amostra de identidades europeias, como diz em entrevista ao Negócios. “Acredito num Estado europeu que seja federalista e descentralizado. No que diz respeito à identidade, creio que temos de falar em identidades. Ou seja, cada um tem uma identidade de género, uma identidade cultural, uma identidade política. Eu, por exemplo, sou mais próximo de um liberal uruguaio do que de um fascista de Trieste. Todos temos diferentes identidades”, explica o escritor italiano, de 74 anos, nascido em Trieste.»

 

Entrevista de Claudio Magris ao Jornal de Negócios

 

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«No início deste ano, Magris assinou com outros intelectuais (nomeadamente Umberto Eco, Salman Rushdie, Julia Kristeva, Fernando Savater e António Lobo Antunes) um manifesto de Bernard Henri-Lévy intitulado “Europa ou caos?”, onde se diz que a Europa – como “ideia”, como “sonho”, como “projeto” – “não está em crise, está em vias de morrer”. Embora concorde com a denúncia do manifesto, ao assiná-la sentiu um certo incómodo: “A verdade é que não me parece que os intelectuais sejam mais clarividentes quanto aos problemas que dizem respeito a todos. Não gosto de ver os escritores e outros artistas elevados ao estatuto de sacerdotes de uma religião laica, como se compreendessem melhor a realidade do que as pessoas que não escrevem ou que não criam.” Quanto ao eventual melhor conhecimento que os escritores terão da natureza humana, desvaloriza-o: “Talvez isso seja verdade, mas conhecem a natureza humana de um ângulo que não é necessariamente o mais importante para a vida política de um país. Não podemos aplicar os mesmos critérios à minha loucura e ao problema das crianças que não têm escola.”»

 

Excerto da entrevista que Claudio Magris concedeu a José Mário Silva, publicada no suplemento Atual, do Expresso.

 

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Hoje

22.10.13

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O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a divulgação do Património Cultural, instituído pela Europa Nostra, pelo Conselho Nacional de Cultura e pelo Clube Português de Imprensa foi atribuído, pela primeira vez, ao escritor italiano Claudio Magris. Este prémio, agora em primeira edição, visa distinguir anualmente um cidadão europeu que, ao longo da sua carreira se tenha distinguido pela sua atividade de divulgação, defesa e promoção do Património Cultural Europeu.

 

Segundo o comunicado emitido pelo Centro Nacional de Cultural, Claudio Magris reagiu ao anúncio desta distinção expressando “profunda gratidão por este grande, generoso e totalmente inesperado reconhecimento que me chega de um país que sempre esteve presente na minha fantasia, nos meus interesses, no meu imaginário”.

 

 A Quetzal Editores publicará ainda este ano mais um título de Claudio Magris: Alfabetos estará disponível em edição portuguesa em outubro.

 

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Luz dourada

28.03.12

"Noutras mãos, Às Cegas seria um panfleto. Com a sua vasta erudição e uma escrita torrencial vibrando em harmónicas de modulação exemplar, Magris compõe uma epopeia homérica. Na leitura política como nos devaneios amorosos do narrador, são óbvias as alusões ao mito de Jasão e os argonautas. Raras vezes a luz dourada da literatura se manifestou com tal intensidade."

 

Eduardo Pitta, Sábado

 

 

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"Como em Danúbio, que era o rio que nos guiava e servia de rota para as civilizações, aqui também é o espaço de tolerância e de ética responsável que encontramos. Magris mostra como tudo é transitório na história: os regimes políticos erguem-se e desaparecem como pó quase sem se reparar. Sucedeu no Danúbio, acontece em Itália, pode inclusivamente ser possível em todo o mundo. Porque a história não acaba."

 

Fernando Sobral, no Jornal de Negócios, sobre A História Não Acabou, de Claudio Magris

 

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CSC, do blogue Bikitim, lê O Sorriso Enigmático do Javali, de António Manuel Venda.

A comunidade de leitores Ler Doce Ler, que reúne na Oficina de Chocolate Denegro em Telheiras, vai ler Danúbio, de Claudio Magris.

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Inês Fonseca Santos recomenda o Danúbio, de Claudio Magris, no Câmara Clara Diário.

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«Há quem acredite em Ulm?, perguntava Céline durante a sua fuga através da Alemanha devastada. Interrogava-se, caústico e trocista, se Ulm existia ainda ou se os bombardeamentos a tinham destruído. Quando a realidade é anulada pela violência, pensá-la torna-se um acto de fé. Mas toda a realidade, a cada instante, é anulada, ainda que por felicidade nem sempre por meio da sangrenta cena das bombas de fósforo, mas antes por imperceptíveis traços, e não podemos fazer outra coisa senão acreditar que ela existe. Uma fé, vivida e mergulhada nos gestos do corpo, confere-nos a tranquila certeza vital que nos permite atravessar o mundo sem que o coração se perturbe.»


De Danúbio, de Claudio Magris.

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É o que diz Fernando Sobral, no Jornal de Negócios de hoje, numa página dedicada a Danúbio, de Claudio Magris - um livro em que o autor «percorre um rio mas, também, as civilizações que alimentou».

 

 

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José Riço Direitinho assina hoje no Ípsilon um texto sobre E Então Vai Entender, de Claudio Magris

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Escudo

05.11.09

«As ruas, por exemplo, são parecidas, quase iguais. Escuras de gente que caminha, se toca, se choca e se olha de viés e suspeitosa, desaparece no meio das casas e nos corredores, um rio que corre por entre meandros e curvas, que engrossa ou se aperta entre as margens, embora as margens não se vejam, não existam. A água brilha por um instante à luz, desaparece na sombra; uma nuvem, o tecto baixa, a maré escura cai-te em cima, arrasta-te mas não te magoa, a água é macia como a névoa, até a multidão que te aperta é macia, corpos de tenra lama que se te derretem nas mãos e se desvanecem antes que tu os abraces. A corrente é rápida, as árvores baixam as copas e os ramos por cima da água raspam-te a cara, mas é só uma leve carícia de folhas que logo se dissolve; uma cara passa-te ao lado e sorri incerta e já desapareceu naquele maleável amontoado, como uma figura de fumo. O coração aperta-se. Meu amor, faz-me de escudo...»

 


Nas livrarias a 6 de Novembro.

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O catálogo da Quetzal observado nesta fotografia.

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QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

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