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Hoje, no Teatro Nacional D. Maria II, no Lisbon & Estoril Film Festival, Bernardo Carvalho, de que publicámos Reprodução, lerá em público excertos do seu novo livro, numa sessão que conta com a presença de Don Delillo e Juan Goytisolo. 

 

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Novas línguas

06.10.15

«Tudo começa a partir do momento em que um estudante decide aprender uma nova língua – a língua chinesa –, por “achar que a própria língua não dá conta do que tem para dizer”. Como resultado de uma vida sem uma ponta de felicidade, desempregado e divorciado há seis anos, resta-lhe unicamente uma sensação de insatisfação que o leva a estudar a língua chinesa e a querer embarcar para a China. É no momento em que está na fila para fazer o check-in que encontra a sua professora de chinês e, após algum tempo, acaba por ser detido com a sua professora. Cada um é levado para uma sala diferente, cada um é questionado por um polícia. Sob o olhar do estudante de chinês, Bernardo Carvalho convida em “Reprodução” (Quetzal, 2015) o leitor a reflectir, numa época em que o acesso à informação está à mão de todas as pessoas (apesar do momento de reflexão ser questionado).»

 

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David Pimenta, Deus Me Livro.

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«Este romance parece ter nascido de um impulso. Foi assim?


Sim, um pouco por uma urgência que veio de uma observação política. Acabei reconhecendo em pessoas que abomino, em discursos que odeio, coisas com as quais concordo. Acontece ouvir alguém, estar de acordo e acompanhar o discurso, acreditando que é bom, e de repente dar-me conta de que quem falava era um representante da extrema-direita, por exemplo. Essa mobilidade dos discursos, o terem saído do lugar de conforto no qual eu podia reconhecê-los, inquieta-me. O livro vem do desconforto de não saber como me posicionar politicamente nesse mundo actual.»

 

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Entrevista do escritor brasileiro Bernardo Carvalho ao Ípsilon, a propósito da publicação em Portugal de Reprodução.

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A recensão de Pedro Mexia, no Expresso, ao romance Reprodução, do escritor brasileiro Bernardo Carvalho.

 

«O romance baseia-se numa sequência de interrogatórios policiais, dos quais só ouvimos as respostas dos suspeitos, e que por isso parecem monólogos exasperados e paranóicos. As declarações, hesitações e interjeições permitem-nos depreender o que está a ser perguntado ou sugerido, mas não eliminam os hiatos, as ambiguidades, as versões diferentes e as pistas enganadoras. Bernardo Carvalho demonstra uma consciência aguda do mal no mundo contemporâneo, mesmo quando é um mal trivializado. Tal como em romances anteriores, as questões ligadas à viagem, à globalização e ao etnocentrismo são determinantes, bem como a violência, nas suas diversas manifestações.»

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Um olhar irónico sobre os tempos atuais nas páginas de um dos mais destacados narradores brasileiros contemporâneos.

 

 

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Neste romance, Bernardo Carvalho parece fazer «picadinho» – com um humor convulsivo – de um típico personagem da nossa era: o comentador de blogues e portais da internet. O «estudante de chinês» que é protagonista deste romance vive entre a realidade e a paranoia, dividido entre a visão distorcida do mundo e a espera pelo dia em que a China dominará o planeta – e então ele, iniciado no estudo do intrincado idioma, poderá integrar as fileiras de uma nova classe dominante. Vítima de um equívoco na altura em que pretendia embarcar para Pequim, ao ser detido pela polícia, desata a falar venenosamente sobre tudo e todos.

 

À história do protagonista ligam-se a da professora de chinês, que tenta levar uma criança órfã para a China, a do inspetor da Polícia Federal às voltas com o seu próprio caso bicudo de paternidade e a da psicótica inspetora que vive as suas operações de infiltrada com particular emoção; todos são personagens de uma comédia de enganos, feita de diálogos, em que só um dos lados tem o direito de falar. A linguagem é também um tema central de Reprodução: é o que expressa a mente do indivíduo perante o resto da sociedade, mas é também o que reproduz discursos, estereótipos e a própria vida. É poder – e não apenas redentor, mas também aniquilador.

 

Nota biográfica:

Jornalista, Bernardo Carvalho (Rio de Janeiro, 1960) foi correspondente da Folha de São Paulo em Paris e Nova Iorque. Como o próprio conta, em 1992 (durante a crise do governo Collor), o jornal fechou o escritório em Manhattan, o que ele transformou numa vantagem: «Meu apartamento já estava pago por mais seis meses, resolvi ficar na cidade.» Foi nessa altura que decidiu retomar alguns textos escritos antes («Eu nunca quis ser jornalista. Sempre tive a tendência para a narrativa ficcional. Paralelamente ao trabalho no jornal, eu escrevia o primeiro parágrafo de romances. Acumulei centenas deles.») e transformá-los no seu primeiro livro, Aberração (1993). Vinte anos depois, Bernardo Carvalho é um dos mais importantes e originais escritores brasileiros, autor de romances tão singulares como Teatro (1998), Nove Noites (2002, Prémio Portugal Telecom), Mongólia (2003, Prémio Jabuti) ou O Filho da Mãe (2009).

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QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

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