O que o fez pensar que um bairro poderia ser profundamente literário?
As histórias das pessoas. Desde cedo senti que tinha ali matéria-prima que poderia resultar em matéria literária. Podemos conhecer histórias interessantíssimas na vida real e não conseguir encontrar forma de as transformar em matéria literária e, por vezes, histórias muito interessantes do ponto de vista humano dão má literatura... Mas havia uma coerência naquele ambiente, não só naquelas histórias reais que eu conhecia, mas noutras que eu pensei que poderiam encaixar ali, histórias inventadas, histórias que partiram de notícias que li em jornais e que cabiam naquele universo. O ponto de partida foi crescer ali, ouvir muitas histórias, e pensar porque é que haveria de ir à procura de outras histórias se tinha ali um ponto de partida. Mas por que não ir buscar histórias a outros lugares e trazê-las para aquele universo? A certa altura percebi que fazia mais sentido assim.
Bruno Vieira Amaral, sobre o Bairro Amélia, de As Primeiras Coisas, em entrevista a Vânia Maia, para a revista Visão, a propósito do projeto Um Bairro Melhor.
