Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

 

Luis M. Faria, nas sugestões de leitura para este verão do Actual (Expresso).

Autoria e outros dados (tags, etc)

Hoje, é lançada a 3ª edição da Ética a Nicómaco. Como o poderia ter adivinhado durante os meses passados em Freiburg, na Floresta Negra, a traduzi-la? Impensável. Mas, afinal, “non canimus surdis” [“não cantamos para surdos”, Vergílio, Écloga X, v. 8].  


A tarefa do tradutor de Aristóteles é quase inexequível. Diz-se de Hermolaus Barbarus, seu comentador e tradutor no Renascimento, que, ao ficar enredado em dificuldades, aparentemente insuperáveis, teve mesmo de conjurar o diabo para o ajudar. Se calhar, a nossa situação é ainda hoje a mesma de Hermolaus Barbarus. Sobretudo, num País em que, desde 1974, depois de 30 Ministros da Educação, o Grego e o Latim foram extirpados e varridos dos “curricula” do ensino Secundário. Numa época, em que uma legislatura liquidou o ensino da Filosofia no 12º ano, sem que inclusivamente os futuros Estudantes de Filosofia a nível superior a possam frequentar, para não falar já como os nossos futuros juristas, advogados e juízes, linguistas, filólogos, sociólogos, psicólogos e até seminaristas ficarão sem uma melhor preparação para as suas áreas específicas.


Mas hoje é dia de comemoramos o preceptor de Alexandre o Grande. Invoquemos o sentido para o projecto da sua ética: a excelência. O trabalho é a condição mínima de realização do humano. O que nos maximiza é o saber. Só ele dignifica. Simplesmente, consagra. É importante— hoje mais do que em qualquer outra época do passado— perceber isto mesmo: é possível fazer-se aquilo de que se gosta e não temos de passar a vida inteira a tentar gostar daquilo que fazemos. Fazer-se o que se é, não ser-se o que se faz, é uma das expressões mais radicais da vida.


Se calhar é possível relançar este ensinamento de Aristóteles. A sua origem não é o passado remoto e distante. Com efeito, a sua hora está continuamente, sempre, por ser. Um pensamento, embora arredado, feito desaparecer, permanecido na sua ausência não está morto nem acabado. O seu vigor provem do seu futuro, do que possibilita.


As palavras que encerram os pensamentos podem ficar como que congeladas num Inverno qualquer numa região incerta durante tempos imemoriais. Como dizia Plutarco, acerca das palavras proferidas pelos pensadores. Ditas da boca para fora congelam por causa do frio, sendo, depois, preciso esperar pelo Verão para as escutar descongeladas. Assim, diz-se, também terá de se esperar pela velhice para poder entender o que se escutou desde a mais tenra idade. (ἔφη ὄψε τοὺς πολλοὺς αἰσθάνεσθαι γέροντας γενομένους, citado a partir de M. J. Carvalho: 2008: Die Aristophanesrede in Platons Symposium, p. 23, meu mestre e amigo.
O projecto da Ética é o segundo melhor possível, no caso de se falhar a oportunidade de se encontrar na vida o que verdadeiramente orienta, quando se está desnorteado, levantar do chão quando caímos. Quer dizer, há uma possibilidade nec plus ultra que nos cumpriria. Tal sucederia se na demanda de si, na tentativa de identificação de vestígios que nos levam a nós, o resultado final ficasse plasmado na nossa expressão (ἦθος) [Lamento de Danae] mais radical de si.

Logo no livro I da Ética a Nicómaco, Aristóteles cita o epigrama de Delos:

O mais nobre é a justiça e o mais desejável será a saúde mas o que de mais doce há é encontrar o que se ama a partir da sua essência mais radical e natureza intrínseca. ἥδιστον δὲ πέφυχ’ οὗ τις ἐρᾶ τὸ τυχεῖν!

É disso que o humano é capaz, é essa a sua condição. (...)

 

Do texto lido por António de Castro Caeiro, na apresentação da 3ª edição de Ética a Nicómaco, de Aristóteles, que este traduziu do grego.
 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Francisco José Viegas e Professor Marcelo Rebelo de Sousa.

 

Padre Tolentino de Mendonça, Professor António de Castro Caeiro (tradutor), Francisco José Viegas e Professor Marcelo Rebelo de Sousa.

 

Padre Tolentino de Mendonça e Professor António de Castro Caeiro (tradutor).

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Aristóteles:

29.06.09

«O bem que cada um obtém para si é suficiente para se satisfazer, mas o bem que um povo e os Estados obtêm e conservam é mais belo e mais próximo do que é divino.»

 

Ética a Nicómaco, na tradução de António de Castro Caeiro é apresentado dentro de duas horas, às 18h30, pelo Professor Marcelo Rebelo de Sousa e pelo Padre Tolentino de Mendonça, na Bertrand do Chiado.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

Ética a Nicómaco trata da felicidade como projecto essencial do ser humano. Das virtudes, da sensatez, do que se pode e do que se deve fazer. Trata da possibilidade de se existir de acordo com as escolhas que fazemos. De se ser autónomo, de viver com gosto. Trata da procura do prazer pelo prazer - e do prazer pela honra. Da justiça. Das formas de vida que levam à felicidade. Da procura do amor. É um livro fundamental para a cultura do ocidente.

 

Ética a Nicómaco, Aristóteles | tradução, introdução e notas de António de Castro Caeiro


ARISTÓTELES nasceu em 384 a.C. É um dos mais influentes filósofos da História do pensamento ocidental. Fundou várias disciplinas e influenciou muitas outras: Lógica, Epistemologia, Biologia, Física, Teoria da Literatura, Direito e Filosofia. Ao longo dos tempos, Aristóteles tem sido tratado em cada época como um contemporâneo que acabou de publicar os seus textos e cuja recensão é premente.

 

ANTÓNIO DE CASTRO CAEIRO é professor auxiliar, agregado em Filosofia Contemporânea, e ensina no Departamento de Filosofia da FCSH dsde 1990. É membro do Instituto Linguagem, Interpretação e Filosofia e as suas áreas de investigação são a filosofia antiga e contemporânea. Orientou seminários de tradução do grego, do alemão e do latim e traduziu para português além de Ética a Nicómaco e as Odes Políticas de Pindaro.

 

Amanhã nas livrarias.

 

Apresentado no dia 29 de Julho, na Livraria Bertrand do Chiado

pelo Professor Marcelo Rebelo de Sousa e o Padre Tolentino de Mendonça. 
 

Autoria e outros dados (tags, etc)


QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

  •  
  • Sites e blogues de autores

  •  
  • Sobre livros

  •  
  • Editoras do Grupo BertrandCírculo

  •  
  • Comprar livros online

  •  
  • Festivais Literários

  •  
  • Sobre livros (imprensa portuguesa)

  •  
  • Sobre livros (internacional)

  •  
  •  

  • Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2017
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2016
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2015
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2014
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2013
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2012
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2011
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2010
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2009
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D