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«Para Píndaro não há empates. O acontecimento fundamental da vida é a vitória. Não basta por isso a mera participação Toda a disputa é individual. Não há desportos de equipa na antiga Grécia. Cada competidor está sozinho, mesmo quando representa uma casa, uma família, uma aldeia, uma cidade ou uma nação. Apenas a vitória consegue anular a solidão máxima da disputa. O campeão granjeia a fama e a glória. O triunfo altera quem o obtém. Permite o reconhecimento, uma identificação e, assim, um lugar para ser. O brilho esplendoroso da vitória amplia. Pontecia a vida. Ao vencer-se é-se maior do que se era. É-se falado. Transcende-se o espaço que se ocupa e o tempo durante  qual se existe. Expenade-se e propaga-se. Mas a derrota é uam desgraça. Uma calamidade. Quem perde não apenas é esquecido como também não quer ser lembrado. A derrota extirpa a simples hipótese de ainda ser possível. Deixa o perdedor entregue a si. Desamparado. Sem ilusões. Não pode senão sobreviver-se. Infame.»

 

De Odes, de Píndaro, na tradução de António de Castro Caeiro.

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«A transfiguração de uma dor aguda ou de um sofrimento lancinante no esplendor da beleza é uma doação de sentido. Mas essa transfiguração não depende apenas de um conjunto de regras de expressão, de formas de descrição de acontecimentos, de figuras de estilo. Ela acontece já na própria vida. É uma possibilidade da vida que é activada, quando passamos por experiências de problematicidade - quando se dão inversões de expectativa, ausências de sentido, decepções, desilusões. O que assim opera em nós não é apenas do domínio da expressão literária. Trata-se antes de uma possibilidade fundamental da vida humana, subterrânea o mais das vezes, mas activa. A própria constituição do sentido.»

 

 

Da Introdução a Odes, de Píndaro, na tradução de António de Castro Caeiro.

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António de Castro Caeiro é professor auxiliar, agregado em Filosofia Contemporânea, e ensina no Departamento de Filosofia da FCSH, desde 1990. É membro do Instituto Linguagem, Interpretação e Filosofia, e as suas áreas de investigação são a filosofia antiga e contemporânea. Orientou seminários de tradução do grego, do alemão e do latim e traduziu para português, além de Ética a Nicómaco de Aristóteles, as Odes Píticas de Píndaro. Foi Visiting Scholar na University of South Florida e, quase continuamente desde 1989, da Albert Ludwig Universität Freiburg. Participa actualmente no projecto «Sistemas Filosóficos» do instituto a que pertence, e encontra-se a traduzir os Fragmenta Aristotelis.

Fez, em 1990, o Mestrado em Filosofia Contemporânea; em 1998, o Doutoramento em Filosofia Antiga, e, em 2007, a Agregação em

Filosofia Contemporânea.

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«Horácio considerava Píndaro inultrapassável enquanto lírico.

O inultrapassável nunca é fácil de traduzir, por isso a presente tradução das odes píticas começa por ser um acto de coragem. Talvez só um poeta devesse atrever-se a fazê-lo, mas onde estão os poetas que hoje sabem grego? E nem mesmo Hölderlin, poeta dos poetas e tradutor do grego, conseguiu resultados memoráveis nas suas traduções pindáricas. António de Castro Caeiro ousou arriscar e, como se o risco não bastasse, anotou e interpretou numerosas passagens. Este hinos hepinícios em honra dos vencedores dos jogos píticos eram a letra de cantatas para as quais Píndaro também compunha a música e definia a coreografia. Daí o carácter rítmico — por vezes enigmatico e elíptico — destas odes que, no seu conjunto, encontram agora enfim uma versao na nossa língua.»

Almeida Faria

 

Mais um título da série textos clássicos e, mais uma vez, com tradução do grego de António de Castro Caeiro. Além da tradução, prefácio e notas, neste volume estão também publicadas cinco conferências do tradutor e investigador.

 

Píndaro (século VI-V a. C.) é o mais aclamado dos poetas líricos gregos. Até nós chegaram algumas das suas odes para os vencedores das competições da antiguidade clássica, as Olimpíadas, as Nemeias, as Ístmicas e as Píticas. Píndaro imortaliza no seu canto os heróis da aristocracia grega, cujo objectivo mais dignificante era concorrer aos jogos e alcançar a vitória, revelando toda uma cultura assente na excelência humana e nos mais altos valores éticos, alicerçados na justiça, coragem e reflexão.

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Lira de ouro pertença de Apolo e das Musas de tranças

cor violeta, o passo de dança, princípio do esplendor festivo,

ouve-te, e os cantores seguem os teus sinais, quando, vibradas

as cordas, dás início aos prelúdios condutores dos coros.

E extingues o raio de fogo pontiagudo que corre eternamente.

A águia dorme no ceptro de Zeus, deixando tombar para

ambos os lados as rápidas asas.

 

À rainha das aves, derramaste-lhe sobre a sua cabeça dobrada

uma nuvem de faces negras, o suave fechar dos olhos.

E, dormindo, ela balança as costas lânguidas, tomadas pelas

tuas rajadas de ventos. Até o violento Ares deixa de lado

a ponta rija das lanças e aquece o coração num profundo

sono. As tuas flechas encantam o espírito das divindades com

a perícia do do filho de Leto e das Musas de cintura fina

e de formosos seios.

 

 

Das odes para os vencedores nos jogos píticos, em Odes, de Píndaro, na tradução de António de Castro Caeiro, recentemente lançada pela Quetzal.

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Luis M. Faria, nas sugestões de leitura para este verão do Actual (Expresso).

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Hoje, é lançada a 3ª edição da Ética a Nicómaco. Como o poderia ter adivinhado durante os meses passados em Freiburg, na Floresta Negra, a traduzi-la? Impensável. Mas, afinal, “non canimus surdis” [“não cantamos para surdos”, Vergílio, Écloga X, v. 8].  


A tarefa do tradutor de Aristóteles é quase inexequível. Diz-se de Hermolaus Barbarus, seu comentador e tradutor no Renascimento, que, ao ficar enredado em dificuldades, aparentemente insuperáveis, teve mesmo de conjurar o diabo para o ajudar. Se calhar, a nossa situação é ainda hoje a mesma de Hermolaus Barbarus. Sobretudo, num País em que, desde 1974, depois de 30 Ministros da Educação, o Grego e o Latim foram extirpados e varridos dos “curricula” do ensino Secundário. Numa época, em que uma legislatura liquidou o ensino da Filosofia no 12º ano, sem que inclusivamente os futuros Estudantes de Filosofia a nível superior a possam frequentar, para não falar já como os nossos futuros juristas, advogados e juízes, linguistas, filólogos, sociólogos, psicólogos e até seminaristas ficarão sem uma melhor preparação para as suas áreas específicas.


Mas hoje é dia de comemoramos o preceptor de Alexandre o Grande. Invoquemos o sentido para o projecto da sua ética: a excelência. O trabalho é a condição mínima de realização do humano. O que nos maximiza é o saber. Só ele dignifica. Simplesmente, consagra. É importante— hoje mais do que em qualquer outra época do passado— perceber isto mesmo: é possível fazer-se aquilo de que se gosta e não temos de passar a vida inteira a tentar gostar daquilo que fazemos. Fazer-se o que se é, não ser-se o que se faz, é uma das expressões mais radicais da vida.


Se calhar é possível relançar este ensinamento de Aristóteles. A sua origem não é o passado remoto e distante. Com efeito, a sua hora está continuamente, sempre, por ser. Um pensamento, embora arredado, feito desaparecer, permanecido na sua ausência não está morto nem acabado. O seu vigor provem do seu futuro, do que possibilita.


As palavras que encerram os pensamentos podem ficar como que congeladas num Inverno qualquer numa região incerta durante tempos imemoriais. Como dizia Plutarco, acerca das palavras proferidas pelos pensadores. Ditas da boca para fora congelam por causa do frio, sendo, depois, preciso esperar pelo Verão para as escutar descongeladas. Assim, diz-se, também terá de se esperar pela velhice para poder entender o que se escutou desde a mais tenra idade. (ἔφη ὄψε τοὺς πολλοὺς αἰσθάνεσθαι γέροντας γενομένους, citado a partir de M. J. Carvalho: 2008: Die Aristophanesrede in Platons Symposium, p. 23, meu mestre e amigo.
O projecto da Ética é o segundo melhor possível, no caso de se falhar a oportunidade de se encontrar na vida o que verdadeiramente orienta, quando se está desnorteado, levantar do chão quando caímos. Quer dizer, há uma possibilidade nec plus ultra que nos cumpriria. Tal sucederia se na demanda de si, na tentativa de identificação de vestígios que nos levam a nós, o resultado final ficasse plasmado na nossa expressão (ἦθος) [Lamento de Danae] mais radical de si.

Logo no livro I da Ética a Nicómaco, Aristóteles cita o epigrama de Delos:

O mais nobre é a justiça e o mais desejável será a saúde mas o que de mais doce há é encontrar o que se ama a partir da sua essência mais radical e natureza intrínseca. ἥδιστον δὲ πέφυχ’ οὗ τις ἐρᾶ τὸ τυχεῖν!

É disso que o humano é capaz, é essa a sua condição. (...)

 

Do texto lido por António de Castro Caeiro, na apresentação da 3ª edição de Ética a Nicómaco, de Aristóteles, que este traduziu do grego.
 

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QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

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