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«Creio que poucas pessoas serão indiferentes ao tema da infância, mesmo que seja de uma forma egocêntrica, em torno das suas próprias memórias. Mas a verdade é que é difícil para nós, adultos, compreendermos o que se passa dentro da cabeça das crianças quando a nossa própria infância se vai diluindo na memória, cheia de lacunas e de mistérios, simultaneamente familiar e totalmente estranha, como um país longínquo onde habitámos um dia mas que não temos a possibilidade de revisitar. Olhamos para trás com sentimentos muito complexos. Porém, as marcas, boas e más, são indeléveis e podem provar estranhas reacções, ressuscitar fantasmas e fazer emergir a qualquer instante patalogias e neuroses. Esquecemos muita coisa. Recordamos ninharias. A nostalgia invade-nos. Se temos filhos e netos projectamos neles, mais ou menos conscientemente, a nossa própria infância. As histórias que envolvem brutalidade e violência, privação e indiferença, chocam-nos, entristecem-nos e revoltam-nos com particular acuidade. Também são as crianças que nos enternecem mais, que nos alegram ao ponto da cegueira e que determinam amiúde as nossas escolhas e opções de vida.»

 

De A Infância É Um Território Perdido, de Helena Vasconcelos.

A fotografia é de Robert Doisneau.

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«Como qualquer criança, não me perdia em análises e nada me espantava: uma menina que se mete num buraco atrás de um coelho de colete e com um relógio, que cresce e diminui a comer e beber substâncias suspeitas, fala com animais, é seguida pelo sorriso de um gato, joga um jogo maluco com flamingos, filosofa incongruentemente com vários seres estranhos, observa uma dança de lagostas, enfrenta uma rainha histérica e um exército de cartas de jogar não me parecia um sonho, mas sim acontecimentos perfeitamente aceitáveis em na realidade, extremamente sedutores.»

 

Helena Vasconcelos sobre a Alice de Lewis Carroll, num dos textos de

A Infância É Um Território Desconhecido.

 


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Estão convidados para a apresentação do livro A Infância É Um Território Desconhecido, de Helena Vasconcelos, por Inês Pedrosa, na livraria Bertrand do Chiado, às 18h30.

 

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Lolita, o romance, é um grande espectáculo de magia, uma ilusão feérica cheia de truques, alçapões, fugas e alucinações, charadas e jogos de palavras. Nada, nas suas linhas, é exactamente o que parece, e esta alusão remete-nos imediatamente para Lewis Carroll e para o seu mundo de fantasia, do «outro lado do espelho». Apesar de Nabokov ter feito bastante troça do pobre Carroll - que ele descrevia todo encasacado, frustado pela sua educação vitoriana quando  das suas paixões pelas suas ninfas, envolto numa hipocrisia que Nabokov dizia detestar - é difícil não reparar nas semelhanças entre os dois homens, até mesmo no que diz respeito ao ambiente familiar em que cresceram. A família de Carroll não era tão abastada como a de Nabokov, mas ambas estavam imbuídas de uma longa tradição cultural e de um grande sentido de dever público. Tanto Lewis como Vladimir  foram crianças amadas e mimadas num ambiente caloroso, mas com regras de disciplina bem delineadas. Ambos gostavam de xadrez e borboletas, adoravam jogos de palavras e era no vasto campo da linguagem que experimentavam a maior liberdade.

 

De A Infância É Um Território Desconhecido, de Helena Vasconcelos.

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Do texto de Andreia Brites na Os Meus Livros de Março de 2009.

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Agenda

11.03.09

 

Inês Pedrosa apresenta A Infância É Um Território Desconhecido, de Helena Vasconcelos, na Livraria Bertrand da Avenida de Roma, no próximo dia 24, pelas 18h30.

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De volta ao título do livro, este remete-nos para uma forma de ver as crianças que é simultaneamente pré-vitoriana (sabemos que antes do século XIX as crianças eram consideradas como adultos em ponto pequeno) e pós-vitoriana, na medida em que, à parte Beth, todas as outras irmãs são meninas responsáveis, independentes, voluntariosas e extrovertidas, isto é representavam a ideia de mulher moderna.

 

A Infância É Um Território Desconhecido, de Helena Vasconcelos.

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Tem de se ser Alice - cair nos buracos, ir nas correntes, encontrar seres estranhíssimos e não ter medo, não ficar espantada. Tem de se ter curiosidade.

 

Helena Vasconcelos na entrevista a Marta Pais Lopes, «Do Outro Lado dos Livros», na edição de hoje do Jornal de Letras.

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Ler bons livros implica sempre o desvendar de mistérios. Estes textos dão a conhecer o universo de grandes autores que escolheram crianças como heróis ou heroínas dos seus romances, revelando, através das suas personagens, as alegrias, traumas e anseios que associam à sua própria experiência e às características do tempo em que estão inseridos. Vitorianos como Charles Dickens, JM Barrie, Lewis Carroll e Louisa May Alcott encaram as crianças, preferencialmente, como «anjos» travessos, no rasto de Rousseau e Wordsworth, enquanto que, no século XX, Thomas Mann, Vladimir Nabokov e William Golding, associam os seus meninos e meninas a um «mal» inato e sempre prestes a ser revelado. Ian MacEwan e K. J. Rowling, nossos contemporâneos, exploram um vasto leque de possibilidades através dos múltiplos e complexos seres que povoam as suas obras. Todos perscrutam o território fértil da imaginação, da inocência (perversa e gloriosa), enquanto nos dão conta da ligação estreita entre a fantasia e a realidade, entre o vivido e o imaginado, entre o desejo e a consumação.

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QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

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