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Ironia Assassina

22.01.14

«A memória de Eduardo Pitta é uma memória de incríveis minúcias, capaz de irritar quem não guarda, dos acontecimentos passados, senão recordações em clave de mais ou menos. [...] É esta minúcia que dá espessura e sabor a tais momentos, mas é também a origem da irritação dos menos dotados desse tipo de memória  —  e que se vingam, como já se viu, acusando o escritor de “snobismo” e outros pecados adjacentes. É possível que o seja, até certo ponto, embora da espécie inocente. Mas, nesse caso, apetece perguntar: “Porquê não perdoar ao Eduardo o que se perdoa, gulosamente, ao Proust?” Eu creio que este tipo de acusações ignora, sobretudo, um facto: na sua altaneira exibição de conhecimento microscópico do Milieu, Eduardo Pitta usa sempre  —  e fá-lo, com singular mestria  —  um fundo de ironia assassina, que só, até certo ponto, dissimula. Certas suas formulações decapitam sem piedade: “O Al Berto absteve-se. Em tratando-se de terceiros, e sobretudo quando não era o centro das atenções, aborrecia-se.”  E era nestes termos aparentemente snobs mas sibilinamente mortíferos que falava da aurora da Democracia: “Nos primeiros anos da revolução, os operários comiam sapateiras, a direita comia filetes de pescada, a esquerda comia bacalhau com batatas a murro e os não-alinhados comiam steak au poivre. As classes altas comiam no Lucas-Carton.  A caricatura vale o que vale, mas foi a Casa da Comida que mudou o paradigma.” [...]»

 

Excerto da crítica de Eugénio Lisboa a Um Rapaz a Arder, publicada no nº 185 da Colóquio/Letras. Ler mais aqui.

 

 

 

 

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QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

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