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Nascido em Maputo em 1976, licenciou-se em Jornalismo pela Faculdade de Letras de Coimbra. Começou a trabalhar no jornal Público, em 1998, onde permaneceu até 2009. Desde então trabalhou na revista Sábado e, atualmente, é editor da Time Out. Recebeu o prémio de Jornalista Revelação do Ano, em 2003, do Clube de Jornalistas, com uma reportagem sobre o bairro da Cova da Moura, intitulada «A Favela Aqui Tão Perto», bem como o prémio do Alto-Comissariado para a Imigração (por uma investigação sobre dificuldades criadas na legalização de estrangeiros) e o Prémio Literário Orlando Gonçalves (por uma reportagem sobre doentes africanos instalados pelo governo em pensões clandestinas). Enquanto jornalista trabalhou nas áreas do crime, da justiça, da imigração e da política. Já com o último Governo PS, foi destacado para acompanhar o primeiro-ministro, acabando por ser responsável pela investigação que resultou no chamado Caso Independente. É ainda autor dos livros Voltar a Ser Médico e Vencer Cá Fora, publicados pela Fundação Calouste Gulbenkian. Herói no Vermelho é o seu primeiro romance. 

 

 

Um exemplo de beleza. 

Renato Sanches 

 

Um exemplo de elegância. 

Renato Sanches 

 

Um exemplo de fealdade. 

Linda-a-Velha. 

 

A música que nunca lhe sai da cabeça. 

As músicas saem-me todas da cabeça. Mas neste momento ando a gostar de ouvir Capitão Fausto, em particular “Semana em Semana”, que às tantas soa assim: “Digo uma frase esperta em cada direcção/ de semana em semana afino a situação/ a cada escolha torta dou-te boa razão...” E ainda: “Bem sei que reconforta saber de antemão/ que eu não vou para a Comporta saltitar no Verão.”

 

O lugar ideal para passar férias.

Vila do Bispo. Tem praias com ondas (não é  como aquele laguinho monótono do sotavento algarvio). Para mais há bons tascos por ali e um areal semi-deserto com caranguejos e mexilhões grandes que eu não digo a ninguém onde fica. A caminho.  

 

Qual foi o primeiro livro que leu? O que se lembra dele? 

Nada erudito. Acho que li um livro respeitável devia ter já uns 14 anos. O primeiro, mesmo o primeiro, deve ter sido um Tio Patinhas. Lembro-me de um em particular em que o pato avarento ia atrás de um arco-íris porque, no fim, supostamente, estava um tesouro. Era de tal forma credível que ainda hoje me lembro da história sempre que vejo um arco-íris.

 

Que livro o obrigaram a ler na escola que achou insuportável? 

Vamos dizer assim: Os Lusíadas e os seus 8.816 versos decassilábicos foram prematuros.  

 

Qual é a obra que releu mais vezes? Porquê? 

Não sou de reler. Os meus pais tinham um livro escondido, que era uma espécie de Kama Sutra moderno e bastante gráfico, que revisitei várias vezes na minha adolescência. Mas não tinha muito que ler. De então para cá, o livro que consultei mais foi com certeza a Cozinha Tradicional Portuguesa, da Maria de Lourdes Modesto. Comida e comida.  

 

Vai parar a uma ilha deserta e encontra o pior livro imaginável. Como se chama? 

Todos sabemos que as ilhas desertas nunca são desertas. Por isso, o pior livro seria The Cannibals Within, de Lewis F. Petrinovich. Ou o clássico Jungle Ways, escrito nos anos 30 por William Seabrook, repórter do New York Times. Seabrook explicou ao mundo, com refinamento gourmet, a que sabe a carne humana, depois de ele próprio ter provado: “It was like good, fully developed veal, not young, but not yet beef. It was very definitely like that, and it was not like any other meat I had ever tasted. It was so nearly like good, fully developed veal that I think no other person with a palate of ordinary, normal sensitiveness, could distinguish it from veal.”

 

Qual é o melhor local para ler? E o pior? 

A cama. A cama.  

 

A bebida ideal para acompanhar uma boa leitura? 

No Verão, um cocktail. Pode ser o Old Fashioned ou outro com whisky. No Inverno, uma receita pessoal de chá com estrela de anis, cardamomo, canela e um ingrediente secreto com patente registada na UE. 

 

Costuma sublinhar livros ou escrever neles ou é daqueles que os mantém imaculados? 

Só se estiver a fazer uma recensão é que os sublinho e escrevinho. De resto, imaculada nem a Conceição.

 

Usa um marcador ou dobra as páginas? 

Irritam-me os marcadores de livros: caem, desposicionam-se, escondem-se, reaparecem. Prefiro a técnica da badana ou a velha e eficaz dobra do canto da página.  

 

 Em miúdo, sonhou em ser igual a que personagem literária? Porquê?

Tom Sawyer. Passava o dia a fazer tropelias, era popular e tinha como melhor amigo um dos grandes contadores de histórias de todos os tempos: Huckleberry Finn. 

 

De que livro tirava o seu epitáfio, porquê?

 

De I Was Sitting and Drinking and Sitting”, de Meredith Lock. Às tantas, a personagem principal dá conta de que adiou demasiadas coisas importantes até demasiado tarde. Acaba assim. “Distraiu-se e morreu.”

 

Um filme que gostaria de rever sempre. 

Nunca digas sempre. Ainda assim: Conto de Outono, de Éric Rohmer, mas podiam ser outros dele. Há sempre uma elegância cómica e romântica nos seus filmes, São quase todos filmes bonitos, simples, irónicos e filosóficos, coisas que dificilmente vão juntas.

 

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QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

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