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Na companhia dos livros. O blog da Quetzal Editores.
Luís Naves nasceu em 1961, em Lisboa. Foi jornalista no Diário de Notícias. Fez reportagens na Guiné-Bissau, Paquistão e Coreia do Norte, escrevendo habitualmente sobre temas europeus. Tem dois romances e uma novela publicados. Luís Naves é também autor de vários contos, crónicas e ficções publicados em revistas e diversos blogues. Em 2009, Luís Naves começou a publicar na Quetzal com o livro Territórios de Caça, a que se seguiram o romance Jardim Botânico e a recolha 1000 Frases de Vergílio Ferreira.
AS RESPOSTAS
Um exemplo de beleza.
Kim Novak, em Vertigo, e Rita Hayworth, em A Dama de Xangai. Ah, era só um exemplo...
Um exemplo de elegância.
A elegância não parece ser uma ideia muito contemporânea e não tenho conhecimentos suficientes para responder a inquéritos sobre culturas em extinção.
Um exemplo de fealdade.
O feio é uma questão estatística. Estamos a falar do mais feio entre cem, entre cem mil? Não será o mais feio entre mil milhões tão singular que se torna quase belo? Depois, há o feio com graça, há a fealdade interior, enfim, todo um universo de complexidade e subtileza em que nós, os feios, estamos sempre a pensar.
A música que nunca lhe sai da cabeça.
A primeira reacção a esta questão foi de resistência. Quando pensei um pouco na resposta, descobri que costumo assobiar espontaneamente “J’attendrai”, uma canção que foi um tremendo êxito em 1938. Desconheço o motivo. Na minha memória está gravada a versão francesa de Rina Ketty, mas pouco sei da letra. Não posso dizer ‘nunca me sai da cabeça’, mas emerge em momentos felizes e solitários. Lá vou assobiando a melodia, sem saber muito bem o que espero.
O lugar ideal para passar férias.
Como saber? Nunca lá estive.
Qual foi o primeiro livro que leu? O que se lembra dele?
Tenho memória de periquito, ou selectiva, e não me recordo do primeiro livro que li. Deve ter sido uma história de aventuras ou alguma coisa infantil.
Que livro o obrigaram a ler na escola que achou insuportável?
As coisas obrigatórias nem sempre são insuportáveis. Os livros que me obrigaram a ler na escola eram todos bons.
Qual é obra que releu mais vezes? Porquê?
A Bíblia. É interminável. A maior colecção de histórias que existe. E tem uma biografia com quatro versões, que se completam umas às outras.
Vai parar a uma ilha deserta e encontra o pior livro imaginável. Como se chama?
Numa ilha deserta, o pior livro imaginável é a melhor coisa que nos podia acontecer. Num local sem humanidade, quem é que prefere contar coqueiros a ler um maravilhoso péssimo livro?
Qual é o melhor local para ler? E o pior?
O melhor local para ler é uma biblioteca, de preferência com vista da cidade. O pior é nos transportes públicos: se nos concentramos na leitura, perdemos a paragem; se nos distraímos, perdemos a leitura.
A bebida ideal para acompanhar uma boa leitura?
Sem dúvida uma bebida que nos ajude a perceber o espírito daquela literatura. A escolha de bebida é fácil no caso da literatura russa ou da escocesa, mas nestes exemplos, se insistirmos na parte da bebida, deve privilegiar-se a narrativa curta.
Costuma sublinhar livros ou escrever neles ou é daqueles que os mantém imaculados?
Evito sublinhar. Li algures que as passagens sublinhadas revelam muito sobre o que não compreendemos num livro.
Usa um marcador ou dobra as páginas?
Dobro as páginas.
Em miúdo, sonhou em ser igual a que personagem literária? Porquê?
Sempre gostei de coisas medievais, cavaleiros, peripécias, correrias, cavalgadas, provavelmente por ter lido alguma coisa de Alexandre Herculano ou excertos do Ivanhoe, um romance de Sir Walter Scott que a minha mãe adorava. Depois, comecei a ler livrinhos de ficção científica e continuei a apreciar as peripécias, as correrias e as cavalgadas espaciais. Também gostava de Sandokan, sobretudo das peripécias, correrias e cavalgadas. E apanhei o gosto por mapas com A Ilha Misteriosa e A Ilha do Tesouro.
De que livro tirava o seu epitáfio, porquê?
Nunca pensei nisso. Para que serve um epitáfio?
Um filme que gostaria de rever sempre.
Nenhum filme merece ser visto sempre, pois ficaria monótono. O que nos encanta num filme admirável é tudo aquilo que reencontramos quando o vemos outra vez. Ainda não me cansei de Rio Bravo ou de Lawrence da Arábia. Depois, há filmes que vimos uma vez e que nos causaram profundo impacto e tememos revê-los, pois há sempre o risco de não serem tão maravilhosos como pareciam. Para quê estragar uma boa memória?
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