Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]
Na companhia dos livros. O blog da Quetzal Editores.
A autora do belíssimo ‘Ana de Amsterdam’ começou a vida de leitora com ‘As Gémeas no Colégio de Santa Clara’ – e lê ‘O Monte dos Vendavais’ todos os invernos. Ana Cássia Rebelo trabalha das nove às cinco, como jurista, em Lisboa, numa instituição pública. Às cinco da tarde inicia o segundo turno – cuidar dos filhos –, que se prolonga até por volta das onze da noite: dar banhos, ajudar com os deveres da escola, fazer o jantar. No dia seguinte, de manhã cedo, prepara-lhes o pequeno-almoço, leva-os à escola, regressa ao trabalho. Assim dia a dia, hora a hora, minuto a minuto. A Madalena, o João e o Joaquim são a sua prioridade, a eles se dedica sem restrições e a eles se sacrifica inteiramente, com infinita disponibilidade e amor. Os filhos são os pontos de apoio que lhe regem a existência, é maravilhoso que existam, sente-se feliz quando os tem a seu lado, nada lhe dá mais força; a profissão, por outro lado, garante-lhe a subsistência, permite-lhe aplicar o diploma de licenciada em Direito pela Universidade Católica e dá-lhe um sentido prático da realidade.
Um exemplo de beleza.
A Simone de Beauvoir.
Um exemplo de elegância.
A Simone de Beauvoir.
Um exemplo de fealdade.
O Jean-Paul Sartre.
A música que nunca lhe sai da cabeça.
Nenhuma.
O lugar ideal para passar férias.
A aldeia onde o meu pai nasceu, em Goa.
Qual foi o primeiro livro que leu? O que se lembra dele?
“As Gémeas no Colégio de Santa Clara”. Recordo o início: quatro raparigas caprichosas jogam ténis e bebem limonada.
Que livro a obrigaram a ler na escola que achou insuportável?
“Eurico, o presbítero”.
Qual é a obra que releu mais vezes? Porquê?
“O Monte dos Vendavais”. Leio-o todos os invernos por rotina e superstição. O ano não pode terminar sem que volte a esse livro.
Vai parar a uma ilha deserta e encontra o pior livro imaginável. Como se chama?
Infelizmente, não é preciso ir para uma ilha deserta para encontrar o pior livro imaginável. Os escaparates das livrarias estão repletos de maus livros.
Qual é o melhor local para ler? E o pior?
Gosto de ler no refeitório do banco onde trabalho. Não gosto de ler em locais demasiado silenciosos. Preciso de algum ruído para me concentrar.
A bebida ideal para acompanhar uma boa leitura?
Nenhuma. Não bebo enquanto leio.
Costuma sublinhar livros ou escrever neles ou é daqueles que os mantém imaculados?
Sublinho, escrevo nas margens e nas entrelinhas. Faço listas de palavras na cartolina da capa.
Usa um marcador ou dobra as páginas?
Uso um clipe.
Em miúdo, sonhou em ser igual a que personagem literária? Porquê?
Em miúda, pouco ligava à literatura, queria era ser igual à Beatriz do “Verão Azul”, de longos cabelos loiros, disputada por Pancho e Xavi.
De que livro tirava o seu epitáfio, porquê?
Tirava-o de um poema do Mário de Sá Carneiro: “Quando eu morrer batam em latas/ Rompam aos saltos e aos pinotes./Façam estalar no ar chicotes./ Chamem palhaços e acrobatas.”
O filme que gostaria de rever sempre.
“As asas do desejo”, do Wim Wenders.
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.