O «Jornal de Letras» resume o essencial da notícia que tem marcado este verão, a publicação – em setembro – da nova tradução da Bíblia pela mão de Frederico Lourenço. Eis o texto:
A primeira tradução integral da Bíblia Grega vai começar a chegar às livrarias na próxima rentrée pela mão de Frederico Lourenço, que há dois anos iniciou esta empreitada de importância cultural e dificuldade linguística equivalente à que encontrou na Ilíada e na Odisseia. Com a chancela da Quetzal o primeiro volume será lançado a 23 de setembro. A Bíblia Grega é a versão mais antiga que se conhece dos textos sagrados, visto que os originais hebraicos se perderam entretanto. É também a mais completa, com um total de 80 livros, já que tem para o Antigo Testamento 53 livros ao contrário dos 46 católicos e dos 24 hebraicos. Esta tradução apresenta se como um trabalho dirigido a crentes e a não crentes, com um enfoque maior na natureza histórica dos textos. Ao contrário da organização teológica que procura dar um sentido à sequência de livros, Frederico Lourenço privilegiou a antiguidade dos textos. Organizada em seis volumes, sairá um por semestre: os dois primeiros são dedicados ao Novo Testamento e os restantes quatro ao Antigo. Nestes, não se começará pelo Pentateuco, antes pelos livros proféticos, os mais antigos, e depois os sapienciais, os históricos e, finalmente, os que compõem o Pentateuco. As notas também procurarão ler o que está no texto na altura em que foi escrito. E, no mesmo sentido, as falhas do textos serão evidenciadas e não reescritas para que se possa ter acesso à palavra. Não será por isso uma Bíblia para substituir as já existentes, antes para as complementar.