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Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

 

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconsequente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
 

Da nora que nunca tive
E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei um burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

 

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água.

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada

 

Em Prasárgada tem tudo

É outra civilização
Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar
 

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

 

 

Um poema de Manuel Bandeira escolhido por Vasco Graça Moura para o livro 366 Poemas que Falam de Amor.

 


 

 

 

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To a green god

01.08.09

Trazia consigo a graça

das fontes, quando anoitece.

Era o corpo como um rio

em sereno desafio

com as margens, quando desce.

 

Andava como quem passa,

sem ter tempo de parar.

Ervas nasciam dos passos,

cresciam troncos dos braços

quando os erguia no ar.

 

Sorria como quem dança.

E desfolhava ao dançar
o corpo, que lhe tremia

num ritmo que ele sabia

que os deuses devem usar.
 

E seguia o seu caminho,

porque era um deus que passava.

Alheio a tudo o que via,

enleado na melodia

de uma flauta que tocava.

 

Um poema de Eugénio de Andrade escolhido por Vasco Graça Moura para o livro 366 Poemas que Falam de Amor.

 


 

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Olha, Daisy: quando eu morrer tu hás-de

dizer aos meus amigos aí de Londres,

embora não o sintas, que tu escondes

a grande dor da minha morte. Irás de

 

Londres p’ra Iorque, onde nasceste (dizes...

que eu nada que tu digas acredito),

contar àquele pobre rapazito

que me deu tantas horas tão felizes,

 

Embora não o saibas, que morri...

mesmo ele, a quem eu tanto julguei amar,

nada se importará... Depois vai dar

 

a notícia a essa estranha Cecily

que acreditava que eu seria grande...

Raios partam a vida e quem lá ande!

 

À atenção do Senhor Palomar, porque contém um ponto de exclamação, um poema de Álvaro de Campos escolhido por Vasco Graça Moura para o livro 366 Poemas que Falam de Amor.

 


 

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Estás no meio das árvores dos

pássaros das

sombras no regresso da praia

as flores do verão também estampadas

na solidão da saia outras crescendo

naturais sendo umas o futuro e as da

natureza

o momento presente a estampa que

te envolve saindo

dos arbustos movidos pla leveza

imperceptível quase do espírito

ar

que virá um dia

transformar-te

como do rés da terra um vento baixo

subindo ao peitoril onde te inclinas

para as

flores do verão ainda

 

Um poema de Gastão Cruz escolhido por Vasco Graça Moura para o livro 366 Poemas que Falam de Amor.

 


 

 

 

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QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

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