Excerto de entrevista de Rentes de Carvalho ao DN, em artigo sobre as novidades editoriais para 2014, entre as quais se destaca A Flor e a Foice, a publicar pela Quetzal em março.
«Diz-se que o seu próximo livro vai incomodar muita gente. Confirma?
Muita gente, não direi, possivelmente alguma. Aqueles que conhecem, mas ocultam, a versão menos folclórica do 25 de Abril, e os que do folclore retiraram grande honra e proveito. A esses de certeza não agradará. Vai afligir também alguns dos que sinceramente acreditaram na mudança, e descobrem agora terem sido manipulados. Perder sonhos e ilusões é sempre doloroso.
Quarenta anos após o 25 de Abri, que história desse período ainda está por esclarecer?
Os historiadores vão ter pela frente muito e curioso trabalho, mas as fontes mais interessantes não as encontrarão nos arquivos do governo nem da diplomacia, nacionais ou outros, sim no que puderem desenterrar da atuação das empresas e dos bancos a partir de 1962. Possivelmente trarão também à tona os nomes de pessoas que até hoje nunca vi mencionadas, malgrado o papel que discreta e eficientemente desempenharam.»
