Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Claudio Magris

05.12.13

 

«Como quando lê um livro que lhe agrada? Também se abandona?

 

R: Sim, abandono-me. Claro que fui toda a vida professor de Literatura, há uma relação profissional, uma certa capacidade de analisar, de ver os passos em falso. Mas quando o livro é realmente uma experiência, então é como o baile de Natacha, é o abandono. Isto não tem nada contra a capacidade profissional de julgar, como um músico que toca, e claro que tem a técnica, mas a música não é destruída. O abandono à música, o encantamento de Schubert ou de Mahler não se opõem à técnica necessária para compor e interpretar a música.

 

Quando escreve, também se abandona ou tem muitas regras?

 

R: São momentos diferentes. Há talvez três momentos na minha escrita. Por vezes é como uma intuição, uma sugestão que pode ser uma notícia lida no jornal ou uma pequena história portuguesa, ou um rosto, um episódio, qualquer coisa. Então começo a pensar, a deambular sem direção com isso. Se o tema começa a tomar forma, então agarro-o e começo a trabalhar, depende do tema. A história de Às Cegas, que exige muito conhecimento e muitos dados, ou o Danúbio, que precisa de muita investigação, fazem-me pensar. Se a ideia, o projeto não morre nesse momento inicial, é como numa relação sentimental, começamos a ver a pessoa, telefonamos um ao outro, encontramo-nos, bebemos um café, por vezes isso continua, outras vezes não. Se a ideia, o projeto, em agarram, pelo menos do ponto de vista subjetivo, então há uma fase selvagem em que escrevo sem atenção especial ao estilo, na qual não sou realmente mestre daquilo que escrevo, é como…

 

…é torrencial?

 

R: É torrencial, é isso. É aí que um livro nasce ou não, não é uma decisão. Se sinto que o livro nasceu, espero, espero sempre, e depois começo um controlo, uma correção muito pedante, muito penosa, muito professoral, muito aborrecida, muito fria. Mas o momento decisivo é antes.»

 

Claudio Magris entrevistado por Ana Sousa Dias na revista Ler deste mês.

Autoria e outros dados (tags, etc)



QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

  •  
  • Sites e blogues de autores

  •  
  • Sobre livros

  •  
  • Editoras do Grupo BertrandCírculo

  •  
  • Comprar livros online

  •  
  • Festivais Literários

  •  
  • Sobre livros (imprensa portuguesa)

  •  
  • Sobre livros (internacional)

  •  
  •  

  • Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2017
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2016
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2015
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2014
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2013
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2012
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2011
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2010
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2009
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D