«Compreende-se que Bruno Vieira Amaral (n. 1978), crítico, tradutor, bloguista, ligado ao mundo da edição, se tenha estreado em livro com ensaios breves sobre as personagens da ficção portuguesa. Porque o seu primeiro romance é acima de tudo um inventário de personagens, personagens no sentido masculino e feminino do termo, que têm “espessura” ou “densidade” mesmo quando existem apenas em capítulos curtos e depois se eclipsam. São personagens “secundárias”, secundárias também na vida, e têm vidas miseráveis, desperdiçadas, vidas vencidas. Apesar disso, não se espere deste romance sentimento fácil, indignação fugaz, paternalismo, demagogia ou poesia duvidosa: Amaral não dá um passo em falso durante trezentas páginas, o pathos é sentido, a prosa é imaculada sem ser exibicionista, a verdade magoa.»
Pedro Mexia, Expresso
