«Com este livro, e tendo em conta o título desse último texto, sente-se um pouco como um dinossauro face ao mundo actual?
Um pouco, sim. Sinto-me muito identificado com uma tradição – embora não creia que ler Shakespeare, Cervantes, Dostoiévski, Proust é opor-se à modernidade, pois nesses livros encontramos chaves para entender o mundo em que vivemos. Não se trata de negar a imagem – eu gosto muito de cinema, vejo muitos programas de televisão com muito prazer –, mas acho que se isso substituir a tradição do livro, haverá um empobrecimento da atitude crítica face ao mundo. A cultura do ecrã é muito mais conformista, mais letárgica, desmobilizando muito mais o espírito crítico, é quase como o sacrifício da racionalidade.»
Mario Vargas Llosa em entrevista ao Ípsilon.
