Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]


Uma breve e inteligente reflexão sobre a relação dos escritores com a crítica, no blog Contra Mundum:

 

"parece apresentar-se como inquestionável o preconceito de que um autor nunca deve (ou seja, não pode, sob pena do ridículo) responder ao crítico. ao contrário, tal preconceito não é inquestionável e decorre de alguns pressupostos amplamente erróneos.
do lado do autor, implica ou a ideia de que este deve estar acima da crítica, ignorando-a com a sobranceria devida à sua condição de eleito, ou, no pólo oposto, que deve acolher a crítica com o respeito devido à intangibilidade de um oráculo. nenhuma destas posturas é sustentável.
do lado da crítica, parece supor a infalibilidade da análise e do juízo, mesmo quando o domínio do objecto em análise se revela (como por vezes acontece) distorcido ou superficial.
o absurdo destes preconceitos é que, dada a inexistência efectiva de hábitos ou de espaços de contra-crítica, estamos diante de um diálogo onde a possibilidade de resposta é por princípio coarctada, e o espaço de debate se resume à publicação de monólogos formulados a partir de posições de poder ancoradas num muito restrito conjunto de palcos institucionais. a crítica transforma-se, assim, numa paradoxal figura de autoridade que a si mesma se nega a possibilidade de ser objecto de crítica."
 

Autoria e outros dados (tags, etc)


3 comentários

Sem imagem de perfil

De João Luís Barreto Guimarães a 13.04.2011 às 09:11

Até que enfim vejo isto escrito. Sim, senhor! Concordo em absoluto. Com o valor acrescentado de ter sido escrito por alguém que crítica e, desta forma, solicita uma crítica à crítica, ou se não a solicita, está pelo menos aberto a escutar, caso a mesma surja.
Imagem de perfil

De Luís Naves a 19.04.2011 às 15:38

Discordo totalmente. Qualquer autor que critique o crítico cairá inevitavelmente no ridículo...
Sem imagem de perfil

De João Luís Barreto Guimarães a 21.04.2011 às 10:04

Parnasos não são lugares deste tempo. Não há, neste jogo da literatura, posições intocáveis. Ao longo da história já vimos muitas vezes a crítica a falhar redondamente. Por isso me agrada o diálogo e é isso que defendo. Sabemos bem que a crítica pode ser injusta e maldosa. E, como em tudo na vida, tem que haver o direito à indignação e ao contraditório. Quando o diálogo é bem intencionado, não há lugar para argumentos como "ser rídiculo".

Comentar post



QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

  •  
  • Sites e blogues de autores

  •  
  • Sobre livros

  •  
  • Editoras do Grupo BertrandCírculo

  •  
  • Comprar livros online

  •  
  • Festivais Literários

  •  
  • Sobre livros (imprensa portuguesa)

  •  
  • Sobre livros (internacional)

  •  
  •  

  • Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2017
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2016
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2015
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2014
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2013
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2012
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2011
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2010
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2009
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D