«Teve uma infância estranha», disse Austin. «Em última análise, todas as infâncias o são», disse Mister DeLuxe. «Molero Diz», disse Austin, «que a infância do rapaz foi particularmente estranha, condicionada por questões de ambiente que fizeram dele, simultaneamente, actor e espectador do seu próprio crescimento, lá dentro e um pouco solto, preso ao que o rodeava e desviado, como se um elástico o afastasse do corpo que transportava , muitas vezes, o projectasse brutalmente contra a realidade desse mesmo corpo, e havia então esse cachoar violento do que era e a espuma do que poderia ser, a asa tenra batendo à chuva».
Publicado pela primeira vez em 1977 e agora pela Quetzal na 22ª edição, O Que Diz Molero constitui um êxito estrondoso junto da crítica e do público e vendeu mais de cem mil exemplares. Foi ainda traduzido para espanhol, búlgaro, romeno e alemão, estando actualmente em preparação as edições em itália e República Checa. Luiz Pacheco disse dele: «É um livro-bomba, uma obra de arromba». Esta edição tem um posfácio de Nuno Artur Silva e a ilustração da capa e é de António Jorge Gonçalves.