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Vem tudo aqui: a Volta ao Mundo foi às Seychelles com José Luís Peixoto para mostrar que há vida para além das luas-de-mel, mas não deixando de mostrar aquilo que encanta os milhares de turistas que para lá voam à procura de romance. Pode ver o episódio completo no RtpPlay da RTP3, aqui.

 

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Luís Naves nasceu em 1961, em Lisboa. Foi jornalista no Diário de Notícias. Fez reportagens na Guiné-Bissau, Paquistão e Coreia do Norte, escrevendo habitualmente sobre temas europeus. Tem dois romances e uma novela publicados. Luís Naves é também autor de vários contos, crónicas e ficções publicados em revistas e diversos blogues. Em 2009, Luís Naves começou a publicar na Quetzal com o livro Territórios de Caça, a que se seguiram o romance Jardim Botânico e a recolha 1000 Frases de Vergílio Ferreira. 

 

AS RESPOSTAS

 

Um exemplo de beleza.

Kim Novak, em Vertigo, e Rita Hayworth, em A Dama de Xangai. Ah, era só um exemplo...  

 

Um exemplo de elegância.

A elegância não parece ser uma ideia muito contemporânea e não tenho conhecimentos suficientes para responder a inquéritos sobre culturas em extinção. 

 

Um exemplo de fealdade.

O feio é uma questão estatística. Estamos a falar do mais feio entre cem, entre cem mil? Não será o mais feio entre mil milhões tão singular que se torna quase belo? Depois, há o feio com graça, há a fealdade interior, enfim, todo um universo de complexidade e subtileza em que nós, os feios, estamos sempre a pensar.

 

A música que nunca lhe sai da cabeça.

A primeira reacção a esta questão foi de resistência. Quando pensei um pouco na resposta, descobri que costumo assobiar espontaneamente “J’attendrai”, uma canção que foi um tremendo êxito em 1938. Desconheço o motivo. Na minha memória está gravada a versão francesa de Rina Ketty, mas pouco sei da letra. Não posso dizer ‘nunca me sai da cabeça’, mas emerge em momentos felizes e solitários. Lá vou assobiando a melodia, sem saber muito bem o que espero.

 

O lugar ideal para passar férias.

Como saber? Nunca lá estive.

 

Qual foi o primeiro livro que leu? O que se lembra dele?

Tenho memória de periquito, ou selectiva, e não me recordo do primeiro livro que li. Deve ter sido uma história de aventuras ou alguma coisa infantil.

 

Que livro o obrigaram a ler na escola que achou insuportável?

As coisas obrigatórias nem sempre são insuportáveis. Os livros que me obrigaram a ler na escola eram todos bons.

 

Qual é obra que releu mais vezes? Porquê?

A Bíblia. É interminável. A maior colecção de histórias que existe. E tem uma biografia com quatro versões, que se completam umas às outras.

 

Vai parar a uma ilha deserta e encontra o pior livro imaginável. Como se chama?

Numa ilha deserta, o pior livro imaginável é a melhor coisa que nos podia acontecer. Num local sem humanidade, quem é que prefere contar coqueiros a ler um maravilhoso péssimo livro?

 

Qual é o melhor local para ler? E o pior?

O melhor local para ler é uma biblioteca, de preferência com vista da cidade. O pior é nos transportes públicos: se nos concentramos na leitura, perdemos a paragem; se nos distraímos, perdemos a leitura.

 

A bebida ideal para acompanhar uma boa leitura?

Sem dúvida uma bebida que nos ajude a perceber o espírito daquela literatura. A escolha de bebida é fácil no caso da literatura russa ou da escocesa, mas nestes exemplos, se insistirmos na parte da bebida, deve privilegiar-se a narrativa curta.

 

Costuma sublinhar livros ou escrever neles ou é daqueles que os mantém imaculados?

Evito sublinhar. Li algures que as passagens sublinhadas revelam muito sobre o que não compreendemos num livro.

 

Usa um marcador ou dobra as páginas?

Dobro as páginas.

 

Em miúdo, sonhou em ser igual a que personagem literária? Porquê?

Sempre gostei de coisas medievais, cavaleiros, peripécias, correrias, cavalgadas, provavelmente por ter lido alguma coisa de Alexandre Herculano ou excertos do Ivanhoe, um romance de Sir Walter Scott que a minha mãe adorava. Depois, comecei a ler livrinhos de ficção científica e continuei a apreciar as peripécias, as correrias e as cavalgadas espaciais. Também gostava de Sandokan, sobretudo das peripécias, correrias e cavalgadas. E apanhei o gosto por mapas com A Ilha Misteriosa A Ilha do Tesouro.

 

De que livro tirava o seu epitáfio, porquê?

Nunca pensei nisso. Para que serve um epitáfio?

 

Um filme que gostaria de rever sempre.

Nenhum filme merece ser visto sempre, pois ficaria monótono. O que nos encanta num filme admirável é tudo aquilo que reencontramos quando o vemos outra vez. Ainda não me cansei de Rio Bravo ou de Lawrence da Arábia. Depois, há filmes que vimos uma vez e que nos causaram profundo impacto e tememos revê-los, pois há sempre o risco de não serem tão maravilhosos como pareciam. Para quê estragar uma boa memória? 

 

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Helena Vasconcelos nasceu em Lisboa e cresceu na Índia - em Goa - e Moçambique. Tem vivido, com algumas interrupções, em Portugal. Escreve para o jornal Público e para a revista Elle. Dedica-se à promoção da leitura em colaboração com bibliotecas, universidades, a Culturgest e a Fundação Calouste Gulbenkian, entre outras entidades. Ganhou o Prémio Revelação do Centro Nacional de Cultura com o livro de contos Não Há Horas para Nada. Na Quetzal publicou os ensaios A Infância É um Território Desconhecido e Humilhação e Glória

Não Há Tantos Homens Ricos como Mulheres Bonitas Que os Mereçam, publicado em 2016, é o seu regresso – há muito aguardado – à ficção romanesca.

  

 

 

 

Um exemplo de beleza.

As minhas netas

 

Um exemplo de elegância.

A minha Mãe

 

Um exemplo de fealdade.

Os tiranos, os arrivistas, os prepotentes.

 

A música que nunca lhe sai da cabeça.

O Concerto para Piano n.º 21 de Mozart. O meu pai punha-o a tocar para eu largar os livros e adormecer.

 

O lugar ideal para passar férias.

O Oriente – Bali, Índia (Goa), Vietname.

 

Qual foi o primeiro livro que leu? O que se lembra dele?

O Evangelho, em banda desenhada, para crianças. Mandou-mo o meu avô, para Goa. Achei as histórias fascinantes. Aprendi a ler sozinha, nele. Não o liguei à religião. Ao fim e ao cabo, só frequentava templos budistas.

 

Que livro o obrigaram a ler na escola que achou insuportável?

Na escola não me lembro de nenhum livro insuportável. Lia tudo e achava bem.

 

Qual é obra que releu mais vezes? Porquê?

As Ondas de Virgínia Woolf e O Monte dos Vendavais, de Emily Brontë. De cada vez que os leio descubro que são sempre diferentes. Truques de magia.

 

Vai parar a uma ilha deserta e encontra o pior livro imaginável. Como se chama?

Viagem ao fim da Noite, do Céline. É tão deprimente que me atirava logo à água e deixava-me ir na corrente.

 

Qual é o melhor local para ler? E o pior?

Os melhores lugares são os silenciosos, não importa quais. O pior é aquele em que alguém está a tentar ler o «meu» livro, por cima do «meu» ombro.

 

A bebida ideal para acompanhar uma boa leitura?

Um copo de vinho tinto.

 

Costuma sublinhar livros ou escrever neles ou é daqueles que os mantém imaculados?

Sublinho, escrevo, faço marcas, dobro-os, meto-os nos bolsos. Os livros, tal como os corpos, também têm de ter algumas «rugas».

 

Usa um marcador ou dobra as páginas?

Uso normalmente um lápis muito fino. Para ir tirando notas.

 

Em miúdo, sonhou em ser igual a que personagem literária? Porquê?

Nunca sonhei… eu fui variadas personagens literárias. Tantas, que me baralhei um pouco.

 

De que livro tirava o seu epitáfio, porquê? 

Não quero epitáfios. Bem, talvez uma linha de um poema de Keats...

 

Um filme que gostaria de rever sempre.

O Leopardo, de Visconti. E reler o livro do Lampedusa.

 

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Sérgio Godinho nasceu em 1945 no Porto. Partiu de Portugal com 20 anos, recusando assim fazer a guerra colonial. Viveu durante nove anos em Genéve, Paris, onde integrou o elenco da comédia musical Hair, Amesterdão, Brasil, onde se juntou ao grupo de vanguarda Living Theater em Vancouver. O seu primeiro LP Sobreviventes foi gravado em França, em 1971, com músicos franceses e a colaboração de alguns portugueses então radicados em França. Gravou também no exílio o álbum Pré-Histórias. Estes dois discos, premiados pela Casa da Imprensa, foram sucessivamente proíbidos e autorizados pela censura de então. Tendo regressado a Portugal após a revolução democrática do 25 de abril de 1974, Sérgio Godinho tornou-se autor de algumas das canções mais unânimemente aclamadas da música portuguesa. A sua discografia – imensa, vasta, aclamada – faz parte da história da nossa vida, das nossas paixões, desilusões e delírios. Impossível lembrar todas as canções – e esquecer uma.

Em outubro de 2014 a Quetzal publicou o seu primeiro livro de ficção, Vidadupla. Em fevereiro de 2017, sairá o seu primeiro romance, Coração Mais Que Perfeito.

 

 

 

PERGUNTAS E RESPOSTAS

 

 

Um exemplo de beleza.

Scarlett Johansson.

 

Um exemplo de elegância.

Gisele Bündchen. Também podia estar na resposta anterior...

 

Um exemplo de fealdade.

Trump (aquele que ficou à frente nos primários republicanos) e o seu feio  penteado, e as suas ainda mais feias propostas.

 

A música que nunca lhe sai da cabeça.

Ui, às vezes a minha própria, quando estou a compor. Acordo às cinco ou seis das manhã e não a consigo parar.

 

O lugar ideal para passar férias.

É mesmo naquela praia paradisíaca de águas tépidas e transparentes que ainda não descobri.

 

Qual foi o primeiro livro que leu? O que se lembra dele?

Acho que foi um dos Cinco. Lanches copiosos e sobretudo passagens secretas, desde aí essenciais no meu imaginário.

 

Que livro o obrigaram a ler na escola que achou insuportável?

Nenhum, de facto.

 

Qual é obra que releu mais vezes? Porquê?

Deve ter sido o On the Road, do Jack Kerouac, porque me fez partir realmente à aventura.

 

Vai parar a uma ilha deserta e encontra o pior livro imaginável. Como se chama?

O meu primeiro romance, Coração Mais Que Perfeito. Porque ainda é inédito, e seria insuportável que ninguém o lesse.

 

Qual é o melhor local para ler? E o pior?

No comboio. Apetece apanhá-lo só para ter tempo para ler. Também gostei muito de ler das duas vezes que estive preso no Brasil. Que melhor forma de me evadir?

 

A bebida ideal para acompanhar uma boa leitura?

Vinho tinto, sempre.

 

Costuma sublinhar livros ou escrever neles ou é daqueles que os mantém imaculados?

Apenas dobro por vezes o canto da página.

 

Usa um marcador ou dobra as páginas?

Marcador.

 

Em miúdo, sonhou em ser igual a que personagem literária? Porquê?

Ao Tintim, claro, e o porquê é óbvio.

 

De que livro tirava o seu epitáfio, porquê?

Nunca o tiraria de um livro. 

 

Um filme que gostaria de rever sempre.

Coxas Quentes em Delírio. Mas comigo no protagonista.

 

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Esta fotografia de um Quetzal foi obtida por © Donna J. Provancher  na Guatemala. É o nosso quetzal para esta sexta-feira – bom fim-de-semana e boas leituras!

 

E uma nota: The Quetzal, reputed to be the most beautiful bird that exists in the American continents, belongs to the Trogan family. The iridescent color of its plumage appears green or blue, according to the changes of daytime light. In Guatemala, it lives in the mountainous, subtropical, humid regions of the departments of Quiche, the Verapazes, Huehuetenango, San Marcos, and Suchitepequez. The vegetation of the territory it inhabits is quite dense and rich in humus. In this habitat, the Quetzal searches for an old tree trunk situated in a tiny forest clearing to make its nest. There, in February through April, the hen lays one or two eggs. Both the hen and cock take turns during the 18-day period of incubation. The male Quetzal enters the nest, always leaving his beautiful tail plumes outside so as not to injure them. The female doesn't have this problem, for her tail feathers are very short. After the birth of the nestlings, their parents feed them with worms, insects, and larvae. The adults will eat forest fruits. The young can fly 20 days after birth, and abandon the nest to cut freely through the skies of [Guatemala]. If the Quetzal is confined to a cage, it dies. The Quetzal cannot live in captivity. For this reason, it is the emblem of our liberty.

 

 

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É hoje à tarde, sexta-feira, o lançamento do novo romance de Manuel Jorge Marmelo – na Livraria FNAC da Rua de Santa Catarina, no Porto, pelas 18h30, apresentado por Manuela Ribeiro. Manuel Jorge Marmelo obteve em 2014 o Prémio Correntes d'Escrita Casino da Póvoa com o romance Uma Mentira Mil Vezes Repetida

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Uma ponta do véu sobre Macaco Infinito? Imaginemos o seguinte: se sentarmos um macaco a uma máquina de escrever por tempo indeterminado e sem limite, o animal acabará por conseguir escrever uma obra-prima da literatura à altura de Shakespeare ou de Cervantes. Isto diz a Teoria do Macaco Infinito. Pegando nesta tão extraordinária quanto absurda teoria, Marmelo escreveu uma metáfora sobre a criação: Paulo Piconegro é o dono paralítico (e não menos ressabiado) de uma casa de meninas; Wakaso é o negro chegado do outro lado do Mediterrâneo que o serve, um criado absolutamente disponível e servil, manso e eficaz como um eletrodoméstico. Maria do Socorro é a sua escrava sexual e a rapariga mais bonita do Bar Mitzvá. Piconegro planeou uma vingança cruel, concentrando em Wakaso o difuso ódio e a misantropia que até aí cultivara como a uma flor morta. Mas da sua condição de escravo de Piconegro agrilhoado à máquina de escrever horas e horas sem fim, Wakaso sairá vencedor. E o leitor sairá recompensado de mais um notável romance de Manuel Jorge Marmelo. Um livro para não esquecer.

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Uma brasileira, uma cabo-verdiana e uma portuguesa encontram-se retidas num aeroporto norte-americano. Não, não é o início de uma anedota – mas uma peça de teatro de José Luís Peixoto. O humor está lá, a espaços, para nos lembrar que “o primeeiro passo para nos conhecermos melhor é aceitarmos que nos conhecemos tão pouco”. Leia a notícia sobre a estreia de Estrangeiras no Teatro Rivoli, no Porto. 

A peça de José Luis Peixoto, que está neste momento na China, estreará em seguida em Cabo Verde e no Brasil.

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Um exemplo de beleza.

A beleza, felizmente, produz aparições com grande frequência e nas mais diversas declinações. Confesso, por isso, a minha dificuldade em escolher entre um pôr-do-sol no Douro, os olhos amarelos da Lilias Fraser da Hélia Correia, a luz de um sorriso, o assombro de um verso perfeito ou os olhos verdes da minha namorada.

 

Um exemplo de elegância.

Aqueles dois versos em que o Manuel António Pina contempla umas “pernas que subiam lentamente até um sítio escuro dentro de mim”. A voz do Cortázar a ler Rayuela. A Gwyneth Paltrow. O Jorge Luis Borges.

 

Um exemplo de fealdade.

O penteado do Donald Trump. Aquilo que está dentro da cabeça do Donald Trump e dos outros ayatollahs.

 

A música que nunca lhe sai da cabeça.

“Desafinado”, do Tom Jobim.

 

O lugar ideal para passar férias.

Todos os anos regresso a Castelo de Vide, onde, parece, fui pela primeira vez aos 18 meses, com os meus avós paternos, que lá nasceram.

 

Qual foi o primeiro livro que leu? O que se lembra dele?

Não me lembro. Há-de ter sido um Tio Patinhas qualquer.

 

Que livro o obrigaram a ler na escola que achou insuportável?

Insuportável? Nenhum. Mas o Eurico, o Presbítero, custou-me bastante.

 

Qual é obra que releu mais vezes? Porquê?

Releio pouco. Mas talvez O Amor de Perdição ou Uma Família Inglesa. Acabo sempre com vontade de chorar.

 

Vai parar a uma ilha deserta e encontra o pior livro imaginável. Como se chama?

Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei. Mas passei a evitar os best-sellers desde então.

 

Qual é o melhor local para ler? E o pior?

O melhor é o meu sofá, em minha casa, no meio do meu silêncio. Mas, se o livro for bom, qualquer sítio serve.

 

A bebida ideal para acompanhar uma boa leitura?

Whisky.

 

Costuma sublinhar livros ou escrever neles ou é daqueles que os mantém imaculados?

Sou daqueles que os mantém imaculados. Se quisesse e os lesse depressa, podia passar a vida a usar os talões de troca. Mas gostos de estar rodeado pelos livros que li.

 

Usa um marcador ou dobra as páginas?

Marcador, claro. Podia mesmo trocar os livros depois de acabar de os ler.

 

Em miúdo, sonhou em ser igual a que personagem literária? Porquê?

Em miúdo talvez sonhasse ser igual ao Major Alvega. Mas talvez não seja suficientemente literário. Igual ao Sandokan do Salgari também, por causa da série na televisão. Mas já não me lembro porquê. Não parecendo, já fui miúdo há uma porrada de tempo.

 

De que livro tirava o seu epitáfio, porquê? 

Ainda não comecei a pensar no assunto. Espero não ter de falecer tão cedo.

 

Um filme que gostaria de rever sempre.

One From the Heart, do Coppola. Ou o Manhattan, do Woody Allen. Ou o Casablanca.

 

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João Leal nasceu em Lisboa em 1973. Estudou Teologia, curso que deixou incompleto. É livreiro desde 1997. Entre 2003 e 2005 manteve o blogue Bicho Escala Estantes. É casado, tem duas filhas e mora na vila de Sintra. Alçapão foi o seu primeiro romance. A Quetzal acaba de publicar Terra Fresca, que confirma o seu nome como uma das novas vozes mais originais da literatura portuguesa, capaz de unir a crítica especializada ao favor de um público mais vasto.


Um exemplo de beleza.

Jardim das Camélias, no Parque do Palácio da Pena.

 

Um exemplo de elegância.

Jesus perante Pilatos

 

Um exemplo de fealdade.

Os Quatro Caminhos, em Queluz, em dia de semana por volta das 5 da tarde

 

A música que nunca lhe sai da cabeça.

“Soft Place to Land”, San Beam & Jesca Hoop        

 

O lugar ideal para passar férias.

Com a Joana num lugar novo.

 

Qual foi o primeiro livro que leu? O que se lembra dele?

As Aventuras de Huckleberry Finn, com 10 anos. A jangada deslizando pelo Mississippi foi maravilhosa e a parte passada na casa-barco pareceu-me aterradora. Não fazia ideia de que era possível um livro fazer sonhar com liberdade e meter medo ao mesmo tempo.

 

Que livro o obrigaram a ler na escola que achou insuportável?

Não me lembro de me terem obrigado a ler nenhum livro.

 

Qual é obra que releu mais vezes? Porquê?

Aparição, de Vergílio Ferreira. Porque, de cada vez, saboreei a vitória de Alfredo sobre as cosmovisões demasiado complicadas e afetadas de todos os outros do grupo de Évora.

 

Vai parar a uma ilha deserta e encontra o pior livro imaginável. Como se chama?

Qualquer um de António Lobo Antunes pós A Morte de Carlos Gardel.

 

Qual é o melhor local para ler? E o pior?

O melhor: um comboio à hora de ponta na linha de Sintra. O pior: numa sala de cinema.

 

A bebida ideal para acompanhar uma boa leitura?

Café ou Chá Mate.

 

Costuma sublinhar livros ou escrever neles ou é daqueles que os mantém imaculados?

Não escrevo nem sublinho nas páginas de texto. Compenso essa ideia, potencialmente asséptica, com migalhas, manchas de café e de gordura, talões de multibanco e folhetos de publicidade (Prof. Karamba, Meo, Vodafone, Zon, lojas de informática e, se em época eleitoral, folhetos do PCP, BE e das Testemunhas de Jeová).

 

Usa um marcador ou dobra as páginas?

Dobro páginas e uso badanas. Marcadores, com dificuldade quando os livros são emprestados.

 

Em miúdo, sonhou em ser igual a que personagem literária? Porquê?

Tom Sawyer. Corria descalço e era inteligente. A Amy parecia mesmo simpática e lembrava-me a Beta, a minha paixão desse período da escola primária.

 

De que livro tirava o seu epitáfio, porquê? 

Da novela A Prova, de César Aira. “Todos para trás!”, porque na impossibilidade prática de ser invisível, a expressão tem o nível de aviso e ameaça que considero ideais.

 

Um filme que gostaria de rever sempre.

Twelve Monkeys, de Terry Gilliam.

 

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Patrícia Müller nasceu em Lisboa, em 1978. Estudou Comunicação Social, na Universidade Nova de Lisboa, e começou a vida profissional como jornalista da revista Elle. Colaborou com outros periódicos e estreou-se na televisão em 2000. Inaugurou a sua carreira de argumentista em 2002 e, desde então, tem escrito filmes, séries, telefilmes, novelas. Em 2014, lançou Madre Paula, romance histórico baseado na relação entre D. João V e uma freira de Odivelas. Uma Senhora Nunca é a sua primeira proposta totalmente ficcionada – aliás, parcialmente ficcionada, porque é uma história inspirada na bisavó da autora.

 

 

 

PERGUNTAS E RESPOSTAS

 

Um exemplo de beleza.

Vitória de Samotrácia. Impressionou-me muito quando a vi ao vivo, no Louvre.

 

Um exemplo de elegância.

Uma mulher que anda em cima de saltos altos como se andasse em cima de nuvens.

 

Um exemplo de fealdade.

A falta de educação.

 

A música que nunca lhe sai da cabeça.

“Detalhes”, do Roberto Carlos.

 

O lugar ideal para passar férias.

Todos, desde que se esteja relaxada.

 

Qual foi o primeiro livro que leu? O que se lembra dele?

Lembro-me dos livros da Enid Blyton, os Cinco e as suas aventuras. Lembro-me de querer ter a vida dos personagens, livre, independente, cheia de cor e significado.

 

Que livro o obrigaram a ler na escola que achou insuportável?

A Sibila, da Agustina. Anos mais tarde li a obra toda dela e é, até hoje, a minha escritora portuguesa favorita. Isto só mostra que, na escola, não sabemos nada.

 

Qual é obra que releu mais vezes? Porquê?

O Amante, da Marguerite Duras. Porque é magistral a forma como ela consegue descrever a humidade dos corpos, a transgressão silenciosa, a ideia de amor errado e certo, ao mesmo tempo. E porque o final faz-me chorar sempre que a ele volto. Sempre.

 

Vai parar a uma ilha deserta e encontra o pior livro imaginável. Como se chama?

Qualquer livro do Paulo Coelho. Acho-o muito chato.

 

Qual é o melhor local para ler? E o pior?

Qualquer local é bom para ler.

 

A bebida ideal para acompanhar uma boa leitura?

Nenhuma. Leitura é a seco.

 

Costuma sublinhar livros ou escrever neles ou é daqueles que os mantém imaculados?

Sublinho, risco, escrevo, atravesso-me nas páginas de todos os livros que me passam pelas mãos. Quanto mais gosto, mais estragos faço.

 

Usa um marcador ou dobra as páginas?

Dobro páginas e já cheguei a arrancá-las, porque achei que eram demasiado importantes para ficarem dentro do livro.

 

Em miúdo, sonhou em ser igual a que personagem literária? Porquê?

Sonhei ser o Sherlock Holmes e o Hercule Poirot. Os policiais fizeram parte da minha iniciação literária de uma forma muito intensa.

 

De que livro tirava o seu epitáfio, porquê? 

Tirava o meu epitáfio de uma música do Frank Sinatra: “The best is yet to come”.

 

Um filme que gostaria de rever sempre.

Dirty Dancing. Faz parte da minha adolescência. A famosa frase “nobody puts Baby in a corner” inspirou a miúda que eu era na altura.

 

 

 

 

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É já esta semana, dia 8, sexta-feira, que sai para as livrarias o novo título de William S. Burroughs no catálogo da Quetzal. Nele, tudo em  é desconcertante. É implacavelmente pessoal, mas também deslumbrantemente político, uma narrativa de aspeto realista que irrompe nas mais fantásticas fantasias, incluindo matérias de tom tão indeterminado que é difícil saber se havemos de desatar aos uivos de riso ou de consternação. Peça genuinamente esquisita, é ao mesmo tempo um livro de revelações e um texto insondável, um texto prematuro constrangedoramente autobiográfico que Burroughs abandonou incompleto, e um segredo que manteve oculto durante três décadas, simultaneamente um trabalho falhado e uma antecipação das coisas que estavam para vir.

 

 

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«Um exemplo de elegância? Obama ou a minha namorada» — é uma das respostas do autor ao inquérito de verão da Quetzal. José Eduardo Agualusa, recentemente finalista do Man Booker Prize 2016, nasceu na cidade do Huambo, em Angola, a 13 de dezembro de 1960. Estudou Agronomia e Silvicultura em Lisboa. É jornalista. Viveu em Lisboa, Luanda, Rio de Janeiro e Berlim.  Os seus livros mais recentes publicados pela Quetzal são A Vida no Céu (2013), Um Estranho em Goa (2013), A Rainha Ginga (2014) e O Livro dos Camaleões (2015). Vive, como habitualmente, entre Lisboa, o Rio de Janeiro e Luanda. Escreve crónicas semanais para o diário O Globo, do Rio — e está a terminar o seu novo romance, que a Quetzal publicará ainda este ano.

 

 

 

 

AS PERGUNTAS E AS RESPOSTAS: 

 

Um exemplo de beleza.

A minha namorada.

 

Um exemplo de elegância.

Obama, ou a minha namorada.

 

Um exemplo de fealdade.

Trump.

 

A música que nunca lhe sai da cabeça.

‘Muxima’.

 

O lugar ideal para passar férias.

Não sei bem, acho que nunca fiz férias. Ou então estou sempre em ferias.

 

Qual foi o primeiro livro que leu? O que se lembra dele?

Não faço a menor ideia.

 

Que livro o obrigaram a ler na escola que achou insuportável?

Um manual de pedologia (estudo dos solos).

 

Qual é obra que releu mais vezes? Porquê?

Provavelmente ‘Os Maias’. Porque gosto.

 

Vai parar a uma ilha deserta e encontra o pior livro imaginável. Como se chama?

Manual de Pedologia das Ilhas Desertas.

 

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Esta fotografia de um Quetzal foi obtida por Carol Sue © na Costa Rica, em Monteverde – na Reserva Biológica Bosque Nuboso. É o nosso quetzal para esta sexta-feira – bom fim-de-semana e boas leituras!

Entretanto, ficam aqui algumas fotografias desta reserva natural, onde o quetzal voa pelas montanhas.

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Álvaro Laborinho Lúcio, mestre em Ciências Jurídico-Civilísticas pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e magistrado de carreira, é juiz conselheiro jubilado do Supremo Tribunal de Justiça. De Janeiro de 1990 a Abril de 1996 exerceu, sucessivamente, as funções de secretário de Estado da Administração Judiciária, Ministro da Justiça e deputado à Assembleia da República. Entre Março de 2003 e Março de 2006, ocupou o cargo de ministro da República para a Região Autónoma dos Açores. Com intensa actividade cívica, é membro dirigente de várias associações, entre as quais se destacam a APAV e a CRESCER-SER, das quais é sócio fundador. Com artigos publicados e inúmeras palestras proferidas sobre temas ligados, entre outros, à justiça, ao direito, à educação, aos direitos humanos e à cidadania em geral, é autor de livros como A Justiça e os Justos, Palácio da Justiça, Educação, Arte e Cidadania, O Julgamento – Uma Narrativa Crítica da Justiça – e, em co-autoria, Levante-se o Véu. Agraciado pelo rei de Espanha com a Grã-Cruz da Ordem de São Raimundo de Peñaforte, e pelo presidente da República Portuguesa com a Grã- Cruz da Ordem de Cristo, é membro da Academia Internacional da Cultura Portuguesa, exercendo, actualmente, as funções de presidente do Conselho Geral da Universidade do Minho.

O seu primeiro romance, O Chamador, foi publicado pela Quetzal em 2014. Em setembro próximo sai o segundo.

 

 

AS PERGUNTAS E AS RESPOSTAS:

 

 

Um exemplo de beleza:

A minha mãe.

 

Um exemplo de elegância:

Erasmo de Roterdão.

 

Um exemplo de fealdade:

Adolf Hitler

 

A música que nunca lhe sai da cabeça:

Não uso a cabeça para prender o que quer que seja.

 

O lugar ideal para passar férias:

Quando encontrar, direi.

 

Qual foi o primeiro livro que leu? O que se lembra dele?

Só me lembro de que o livro tinha um título que incluía um Agapito. Não me lembro de mais coisa nenhuma.

 

Que livro o obrigaram a ler na escola que achou insuportável?

O Auto da Alma, de Gil Vicente. Mais tarde arrependi-me.

 

Qual é obra que releu mais vezes? Porquê?

Nunca reli completamente nenhuma obra. Volto a algumas, mas para reler apenas partes.

 

Vai parar a uma ilha deserta e encontra o pior livro imaginável. Como se chama?

Cem Anos de Solidão.

 

Qual é o melhor local para ler? E o pior?

Um qualquer. O pior, nenhum.

 

A bebida ideal para acompanhar uma boa leitura?

Depende da leitura.

 

Costuma sublinhar livros ou escrever neles ou é daqueles que os mantém imaculados?

Sublinho e escrevo. Que mais não seja para os não manter imaculados.

 

Usa um marcador ou dobra as páginas?

Uso marcador. Quando não há, decoro a página. Quando me esqueço, arrependo-me de não a ter dobrado.

 

Em miúdo, sonhou em ser igual a que personagem literária? Porquê?

Ao Sandokan. Porque era um herói justo. Pelo menos, parecia-me.

 

De que livro tirava o seu epitáfio, porquê?

De um livro meu. Para ter a certeza de que o meu epitáfio não valeria mais do que eu. 

 

Um filme que gostaria de rever sempre.

Casablanca.

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MArgarida.jpg

 Eu devia este texto aos nossos leitores, aos nossos colaboradores – e, naturalmente, à Margarida Ferra, que trabalhou connosco, ininterruptamente, desde 2008. Na Quetzal assumiu desde o princípio a tarefa de divulgar os nossos livros – e mais tarde, quando era já a responsável pela comunicação global do Grupo BertrandCírculo (no qual se integra a Quetzal), nós sabíamos que a Quetzal estava no seu coração, tal como acredito que ainda esteja neste momento.

Porém, a Margarida Ferra não era apenas a responsável pela nossa imagem e pela divulgação dos nossos livros (só isso, uma tarefa de primeira): era uma magnífica leitora, uma companheira dedicada e amável, uma intuição perfeita e, além disso, uma poeta de excepção (deixem-me manter o p nesta exceção), autora de dois livros belíssimos, Curso Intensivo de Jardinagem e Sorte de Principiante, ambos publicados na editora & Etc pela mão de Vítor Silva Tavares (só isso já é uma distinção).

Todos nós, creio eu – falo em nome de autores, editores, livreiros, todos os que trabalhamos os livros da Quetzal –, tínhamos pela Margarida um enorme afecto e ela merecia-o: em todos os momentos, sabíamos que «o voo do Quetzal» estava em boas mãos. A sua dedicação foi permanente. Nunca o esqueceremos.

A Margarida foi trabalhar agora para a Casa Fernando Pessoa, onde será responsável pela área de comunicação & imprensa. Como conheço aquela Casa (vim de lá para a Quetzal em 2008, justamente), sei que a Margarida fará o seu melhor, como sempre, e que a Casa a receberá bem, como ela merece.

Em termos pessoais, a saída da Margarida foi uma perda. De uma amiga de quem deixei de estar próximo todos os dias; de uma pessoa que entendia o mapa de voo da Quetzal sem ser necessário «dizer tudo»; de uma leitora atenta; de um olhar especial sobre os nossos livros. E uma perda é uma perda é uma perda é uma perda, e não há nada a fazer. Obrigado, Margarida.

Francisco José Viegas

 

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A declaração aparece numa entrevista recente: «Porque acho que descobri uma nova forma, uma combinação de crítica e ficção, que era totalmente adequado ao assunto», o jazz. 

Geoff Dyer responde ao célebre inquérito «By the Book», do The New York Times. Pode ler as respostas de Geoff Dyer aqui, na íntegra.

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QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

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