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Quetzal

Na companhia dos livros. O blog da Quetzal Editores.

«A autora calibra o plot com a naturalidade e a segurança de quem relata uma história linear. Ora o romance de Helena Vasconcelos será tudo menos linear. Veja-se como do Livro I para os seguintes o tempo da narração sofre uma forte guinada. Afinal, nem tudo é como na pacata Steventon. Verdade que a clave irónica da close reading austeniana transforma o livro em obra aberta, pós-modernista em sentido amplo. Drible perfeito: com material na aparência “fútil” se fez um belo romance de ideias. Nada de confusões com a empáfia indígena que todos os dias presume ter descoberto a roda.»

frenteK_nao_ha_homens_ricos.jpgEduardo Pitta dá 5 estrelas ao romance de estreia de Helena Vasconcelos, na Sábado.

Entrevista de J. Rentes de Carvalho à Sábado:

«Rentes de Carvalho, de 85 anos, volta aos romances com a história de um emigrante que regressa à aldeia onde nasceu - e onde não lhe aconteceram coisas boas, nem ele as fez. Não conseguindo esquecer nem falar, a amargura chega-lhe ao osso. Uma grande história de solidão, ressentimento e maldade. 

Rentes de Carvalho explicou mais à SÁBADO, por email, a partir de Amesterdão, Holanda, onde vive.


O que o motivou? Porque quis escrever sobre um homem tão amargo, que despreza a mulher e o filho e até cobiça sexualmente a nora?

Talvez porque sou de índole pacífica, sempre senti um certo fascínio pela violência e os motivos que a provocam, a parte de  irracionalidade que leva alguém a perder a cabeça. No caso deste personagem, o Meças, além da irracionalidade há um elemento de vingança, e as humilhações a que submete a mulher, o filho, a nora, ou quem simplesmente o contradiz, provêm todas da mesma impotência, a de ser incapaz de  esquecer. Mas ao fim e ao cabo, nas chamadas horas mortas é ele quem mais sofre, pois nem a crueldade nem a bebida lhe trazem alívio.»

NOVA_FOTOGRAFIA_RENTES_BW.jpg

 

Ler a entrevista completa aqui.

Navegámos o dia inteiro pelo estreito

de Messina (longe de guerras antigas onde

as pedras voavam). Eu fazia 

o que fazias - 

como ondas repetidas quebrando 

maduras na praia

ensaiando imperfeições num mar que 

não se desliga. Para trás ficavam os deuses

de folga em Taormina (Posídon 

dando descanso a um cardume de iates

um certo Hefesto poupando a

neve no cume do Etna). E eu fazia

o que fazias

(como a cópia de uma chave no acto

de ser copiada).


Um poema de 'Mediterrâneo', de João Luís Barreto Guimarães. 

 

 

«O principal instrumento do poeta é a atenção extrema ao que o rodeia. Pode ser a múmia de um gato num museu de antiguidades egípcias em Turim, a “cúpula celeste” em Rodes, ou “o silêncio dentro do silêncio”. […] Sobre este canto de amor à cultura mediterrânica não paira o espectro da solenidade, e menos ainda quaisquer sombras de grandiloquência, porque o poeta nunca se põe em bicos de pés nem alardeia erudição. Muito ao seu jeito, desmonta essa ameaça com recurso ao humor, à ironia, e a um espírito lúdico, um gosto pela brincadeira e pela experimentação.»

José Mário Silva dá quatro estrelas a Mediterrâneo, o novo livro do poeta João Luís Barreto Guimarães

 

frente_capa_mediterraneo_final.jpg

 

«Tudo isto gravita no temível e truculento Meças, emigrante regressado da Alemanha, assombrado por memórias de abusos e por maus vinhos, que repercutirá prepotências no filho desprezado e na nora cobiçada (um iPhone branco, será a vingança dela…). Vital, violento, implacável, lúcido e aquiliniano, virtuoso no vocabulário popular e numa escrita que alavanca a tradição oral, O Meças é um livro do desassossego.»

Sílvia Souto Cunha, Visão

 

frentek_Mecas.jpg

 

«O romance tem uma nota inicial que avisa: "O Meças é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com acontecimentos, lugares e pessoas, vivas ou falecidas, é simples coincidência." Não acredito nesta nota, diz-se a J. Rentes de Carvalho, que fica surpreendido com a afirmação e responde logo com um "Ah não! Não acredita no meu talento?" E passa ao ataque: "Não encontrará nenhuma descrição real a não ser a da barragem do Sabor - que está lá e ninguém pode tirar - e a do hotel. Mais nada, o resto é tudo ficção."»

Entrevista de José Rentes de Carvalho ao Diário de Notícias.

Rentes by Orlando Almeida.jpg Foto: Orlando Almeida / Globalimagens

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