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Quetzal

Na companhia dos livros. O blog da Quetzal Editores.

«A Zona de Interesse é talvez o romance mais comprometido de Amis, e seguramente o mais conseguido, o que não deixa de ser relevante se pensarmos que O Segundo Avião (2008), não sendo uma narrativa de circunstância, reporta ao 11 de Setembro, tema familiar à maioria dos leitores. Tal como há sete anos, também agora nenhuma linha se afasta da realidade, ilustrada por factos documentados. Dir-se-ia que a quota ficcional é um pretexto para contar o indizível. A diferença é que o livro sobre o ataque às Torres Gémeas é uma obra de não-ficção (ainda que inclua um perfil ficcionado de Muhammad Atta), enquanto A Zona de Interesse é um romance clássico no mais amplo sentido do termo. Pode-se dizer que Amis dribla os que até aqui o acusavam de vénia ao ar do tempo. Desta feita, o passado regressa sob a forma de um murro no estômago. Cinco estrelas

 

Eduardo Pitta, Da Literatura

 

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Entrevista de Ana Cássia Rebelo ao Diário Digital:


Estou a entrevistar uma escritora ou uma blogger?
Tenho dificuldade em responder a essa pergunta. O que faço é escrever num blogue. Por enquanto, é o sítio onde me sinto confortável a escrever. Tenho sempre a tentação de publicar no blogue todos os textos que escrevo e a pretensão de que estes tenham um cunho literário. É consciente e assumido. A linguagem dos blogues é efémera, mesmo que depois se façam colectâneas de textos. Eu quero que os meus textos permaneçam. Continuo a ter muito desconforto a identificar-me como escritora. A literatura é importante na minha vida. Tenho um amor profundo a alguns escritores. Sinto-me ainda muito de fora, sobretudo leitora.


No livro e no blogue tiveste a pretensão de reavaliar o papel da mulher na maternidade e no sexo?
Não. Eu não quero ser voz de ninguém. Escrevo sobre mim e nisso sou narcísica. Os textos do blogue são confessionais. Nunca tive a pretensão de estar ali a reflectir o papel da mulher na sociedade portuguesa. No entanto, a verdade é que os ecos que tenho tido de quem se aproxima de mim são de quem passou pelo mesmo. Acontece muito as pessoas dizerem: “ leio os teus textos e parece que são sobre mim.” Há essa identificação, mas não fiz nada conscientemente para que isso acontecesse.

 

ACR.jpgFotografia: Vítor Quelhas

 Ler a entrevista completa aqui.

«As palavras explicam mais do que mil imagens de um conflito, ou pelo menos tentam pensá-lo com a relativa distância, na certeza, porém, de que um simples clique vencerá sempre a melhor frase armada. «Quando há fotografias, uma guerra torna-se real», recorda-nos Susan Sontag, percorrendo esse território povoado por quem assiste à barbárie. Frisemos: «não há guerra sem fotografia», como observou o esteta bélico Ernst Jünger em 1930, insistindo na analogia entre a câmara e a arma, e aos disparos para que uma e outra estão vocacionadas.

Oito anos mais tarde, Virginia Woolf publicava Os Três Guinéus, reflexões incómodas sobre as origens da guerra. É por aí que começa Olhando o Sofrimento dos Outros, ou Regarding the Pain of Others, com o qual Susan Sontag retoma o tema da fotografia, depois de um ensaio dedicado ao mesmo assunto, datado de 1977. À semelhança desse volume, as 125 páginas daquele que foi o seu último livro, editado em 2003, um ano antes da sua morte, lançado agora em versão portuguesa, apresentam-se livres de imagens. Afinal, é tempo de analisar a saturação.»

 

Maria Ramos Silva, Sol

 

Regarding-Susan-Sontag-031-09-1_M.jpg

 

 

 

Maria do Rosário Pedreira destaca o livro de Rebecca Solnit, Esta Distante Proximidade, no blog Horas Extraordinárias:

«Na última página do livro, o editor escreve com que tipo de letra e onde foi impresso o “romance” que acabámos de ler. Ora, embora se leia como um romance e fale sobretudo do “poder redentor das histórias”, Esta Distante Proximidade, de Rebecca Solnit – uma das ensaístas mais aclamadas dos EUA na actualidade – não é um romance, e quase apostaria que no país de origem figura nas listas de livros de não-ficção. Na verdade, parte do livro é realidade, autobiografia, e a outra parte reflexão e sugestão de teoria. Mas tudo está ligado efectivamente pelas histórias – mitos, lendas, fábulas, contos de fadas, histórias da História e também coincidências e episódios da vida da autora.»

 

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José Mário Silva escreveu no Expresso sobre A Liberdade do Drible, de Dinis Machado.

 

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«As 23 crónicas futebolísticas reunidas neste volume foram publicadas entre 1978 e 1996 – a maior parte no então trissemanário desportivo “A Bola”, as restantes no “Tal & Qual”, em “O Jornal”               e no “Guia da Semana”. Apesar da sua qualidade desigual, ao lê-las é reconfortante verificar que Dinis Machado era daqueles escritores que nunca deixavam de o ser, mesmo quando as circunstâncias da vida o levavam a alinhavar prosas para a imprensa, sabendo que no dia seguinte já só serviriam para embrulhar peixe. O certo é que estas crónicas, décadas depois, ganharam a dignidade da edição em livro – e bem a merecem. Merecem justamente porque escapam ao mero comentário a realidades que a distância temporal tornaria incompreensíveis aos leitores de hoje, rememorando e recriando, em vez disso, histórias que podem ser lidas com proveito por leitores de qualquer época.»

Recensão de Isabel Lucas, no Ípsilon, ao mais recente romance de Martin Amis, A Zona de Interesse.

 

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«É, sobretudo, uma zona de desconforto, de grande perturbação, este décimo-quarto romance de Martin Amis – e essa constatação é a primeira grande conquista do escritor que arriscou investir num tema tão explorado por tanta literatura, incluindo a sua. Depois de ter falado dos campos de extermínio nazis em Time’s Arrow (1991) e de ter escrito sobre as vítimas da União Soviética de Estaline em Koba, o Terrível (2003), o escritor britânico situa o seu mais recente romance nos bastidores de um campo de concentração nazi na Polónia, ou seja, no lado onde vivem os oficiais das SS: uma normalidade feita de encontros amorosos semi-clandestinos, festas, jantares, arranjos sexuais, espectáculos, humor pícaro e um odor que denuncia o mal.»

Filipe Homem Fonseca entrevistado por Miguel Branco, do jornal i. Há Sempre Tempo Para Mais Nada já está nas livrarias.

 

«Como é que alguém licenciado em publicidade, toda a vida ligado ao humor, acaba por se interessar pela linguagem do romance?

Sempre gostei de explorar várias plataformas e géneros, apesar de não considerar o humor um género, mas antes uma abordagem. Já tinha feito várias séries dramáticas, também no teatro, e há uns anos comecei a publicar contos. Publiquei um romance em 2013, e agora este. Há histórias que têm de ser contadas em determinado formato. Estas duas, em particular, são histórias que só via serem escritas assim, em romance.

Diz isso pelo enredo em si?

Sim, talvez pudessem ser contadas noutro formato, mas a história acabaria por ser diferente. A forma acaba sempre por influenciar o conteúdo, pelo menos comigo. Da mesma maneira que já tinha experimentado teatro, rádio, cinema…

Que são veículos bem distintos. O romance é mais exigente?

Sem dúvida. Tudo ali é para ser lido. Quando estás a escrever argumentos, as descrições de acção são quase instruções para a movimentação. Quanto mais sucinto e menos poético fores na escrita de um argumento, mais eficaz vais ser. Se o sol está a nascer, está a nascer, não precisa de estar a nascer com o olho do tigre não sei onde…

Os mecanismos do processo criativo são idênticos nas diversas formas de escrita?

Escrevo sempre da mesma forma. O processo em si é que acaba por ser diferente. O que senti nos romances, talvez por escrever argumentos há 20 anos e romances há poucos, é que é mais demorado.»

 

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