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«Escrever um romance de ideias, profundamente marcado por uma certa visão do mundo, parecendo que se está unicamente a contar uma história que merece ser contada, é feito apenas ao alcance de grandes escritores. Com a mão certeira para embrenhar a narrativa num percurso ideológico, Vargas Llosa assina em O Herói Discreto uma história folhetinesca com contornos policiais (na verdade, duas histórias que caminham paralelas até se fundirem numa só narrativa) onde o seu manancial de recursos literários se desenrola com todo o esplendor.»

 

Sara Figueiredo Costa, Time Out

 

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«Há muitas personagens e todas estão interligadas. Demorou muito tempo a terminar o livro?

Não sabia muito bem como transformar esta ideia em livro. Tentei fazer uma obra com arcos narrativos mais convencionais. Mas ao fim de 30, 40 páginas parecia tudo artificial. E roubava magia às personagens. Em conversa com o Francisco José Viegas, o editor, ele dizia-me "mas escreve como estás a pensar, com retratos autónomos". Aos poucos fui então descobrindo a estrutura que mantinha a força das histórias, juntando-as, ainda assim. Mas há quem não goste.

Do quê?

Da estrutura do livro. Já me disseram "gosto das histórias mas não gosto da estrutura". Mas as coisas não são autónomas, não é possível separar. Ou se gosta de tudo ou então é melhor ler outro livro. Faz lembrar aquele comentário de alguns brasileiros: "Devíamos era ter sido colonizados pelos holandeses ou pelos ingleses." À espera que depois fossem brasileiros na mesma e dançassem o samba. Não ia resultar. E eu é que sou o autor. Não vai dar, eu tentei.»

 

Entrevista de Bruno Vieira Amaral ao jornal i

 

Foto: António Pedro Santos

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«No início deste ano, Magris assinou com outros intelectuais (nomeadamente Umberto Eco, Salman Rushdie, Julia Kristeva, Fernando Savater e António Lobo Antunes) um manifesto de Bernard Henri-Lévy intitulado “Europa ou caos?”, onde se diz que a Europa – como “ideia”, como “sonho”, como “projeto” – “não está em crise, está em vias de morrer”. Embora concorde com a denúncia do manifesto, ao assiná-la sentiu um certo incómodo: “A verdade é que não me parece que os intelectuais sejam mais clarividentes quanto aos problemas que dizem respeito a todos. Não gosto de ver os escritores e outros artistas elevados ao estatuto de sacerdotes de uma religião laica, como se compreendessem melhor a realidade do que as pessoas que não escrevem ou que não criam.” Quanto ao eventual melhor conhecimento que os escritores terão da natureza humana, desvaloriza-o: “Talvez isso seja verdade, mas conhecem a natureza humana de um ângulo que não é necessariamente o mais importante para a vida política de um país. Não podemos aplicar os mesmos critérios à minha loucura e ao problema das crianças que não têm escola.”»

 

Excerto da entrevista que Claudio Magris concedeu a José Mário Silva, publicada no suplemento Atual, do Expresso.

 

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«Foi assim que chegámos (tendo como base estudos dos italianos Alesina e Ardagna) à conclusão que a austeridade não afectaria o crescimento. A ortodoxia tomou conta da zona euro e, exceptuando o caso da Grécia (onde as contas estavam comple...tamente deturpadas e o sistema fiscal não funciona minimamente), a austeridade continua, asfixiando as economias dos países que só com um perdão de parte da dívida conseguirão alguma vez pagá-la. A austeridade continua a ser um farol para a União Europeia, mas cada vez mais parece ser um poço sem fundo, como demonstra Mark Blyth neste livro fundamental.»

Fernando Sobral, Jornal de Negócios
 

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Hoje

22.10.13

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«Uma Coisa Supostamente Divertida que Nunca Mais Vou Fazer, o texto que fornece o título a esta colecção de ensaios – nove, no total, publicados entre 1993 e 2009 em várias revistas americanas – é um exemplo perfeito da sua técnica e do seu espírito. Contratado para escrever uma peça sobre um cruzeiro de luxo nas Bahamas – símbolo do hedonismo desenfreado ligado estreitamente ao verbo “mimar” que, como enfatiza o autor, constitui o refrão dos directores e promotores do navio, ironicamente chamado Nadir –, Wallace acaba por falar incessantemente da morte em todas as suas declinações, presente na claustrofóbica intimidade forçada entre tantos seres estranhos, num mar vasto e terrífico, e como uma sombra funesta, na assídua repetição do excesso e no tédio daí decorrente.»

 

Helena Vasconcelos, Ípsilon

 

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J. Rentes de Carvalho sobre As Primeiras Coisas (o texto pode ser lido na íntegra no blogue do escritor - Tempo Contado)

 

 

«Espero que acreditem se lhes disser que a literatura é a minha vida. Que nos juízos que sobre ela faço não entram amizades nem gentilezas, muito menos favores. Dependências não conheço, dívidas não tenho, nem submissões. Também podem estar certos de que sou avaro de qualificativos, e não me arrisco a fazê-los à ligeira.

Pesando as palavras, seguro de que não exagero, é invulgar a satisfação que tenho em poder dizer que Bruno Vieira Amaral é um grande escritor, e As Primeiras Coisas um grande livro.»
 

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José Eduardo Agualusa, com o romance Teoria Geral do Esquecimento, venceu o prémio literário Fernando Namora.

 

«Esta é a 16.ª edição do galardão instituído pelo grupo Estoril-Sol, em que pela primeira vez foram anunciados os romances finalistas, que além do de Agualusa incluía obras dos escritores Afonso Cruz, Ana Cristina Silva, Julieta Monginho e Rui Nunes, respetivamente, "Jesus Cristo Bebia Cerveja", "O Rei do Monte Brasil", "Metade Maior" e "Barro".

 

A escolha do júri teve em conta «a escrita ágil de um autor que sabe realizar uma especial economia de efeitos, encontrando uma linguagem em que o português é falado em interceção com outros modos», segundo o texto da ata.

No mesmo documento, o júri salienta que «esta obra engrandece o apurado estilo literário da ficção do autor».

 

O júri foi presidido pelo escritor Vasco Graça Moura, e integrou Guilherme d`Oliveira Martins, em representação do Centro Nacional de Cultura, José Manuel Mendes, pela Associação Portuguesa de Escritores, Manuel Frias Martins, pela Associação Portuguesa dos Críticos Literários, Maria Carlos Gil Loureiro, pela Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, Maria Alzira Seixo e Liberto Cruz, convidados a título individual e ainda Nuno Lima de Carvalho e Dinis de Abreu, pela Estoril Sol.»

 

A Vida no Céu, o mais recente romance de José Eduardo Agualusa, foi publicado já este ano pela Quetzal.

 

 

 

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Bairro Amélia

11.10.13

«Depois do ensaio literário Guia Para 50 Personagens da Ficção Portuguesa, este ano publicado pela Guerra e Paz, Bruno Vieira Amaral também foge, nesta sua estreia no romance, à ordem, ou melhor, desafia o convencional que diz, por exemplo, que as notas de rodapé são segundo plano em literatura. Aqui são um contínuo imprescindível para perceber os mistérios do Bairro Amélia. Enquanto colectivo esta personagem vai ficar no imaginário literário português.»

 

Isabel Lucas, Ípsilon

 

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«A altíssima qualidade da prosa [de Bruno Vieira Amaral] cria em torno de As Primeiras Coisas (…) a expectativa do surgimento de mais um excelente escritor.»
José Mário Silva, Atual, Expresso

«Um muito original romance de estreia, escrito com grande maturidade estética e forte conhecimento da realidade descrita. O anúncio de um futuro grande escritor.»

Miguel Real, Jornal de Letras

 

«Surpreendente, de rara e comovente beleza, o último parágrafo é de antologia. Relê-se para saborear, condensa-se nele a arte e o talento de Bruno Vieira Amaral, prova à saciedade que este "estreante" o é apenas na cronologia, mas na realidade escritor feito, um daqueles que sabem que a boa, a verdadeira prosa, é também música, a que nos eleva e redime.

J. Rentes de Carvalho, sobre As Primeiras Coisas

 

 

 

 

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Um Herói Humano

02.10.13

 «A par da história de Felícito corre também a de Rigoberto, que aos 62 anos decidiu aposentar-se precocemente  -três anos antes – da seguradora onde trabalha, pertença de Ismael Carrera. Ismael tem dois filhos aparentados de hiena, decidindo por isso casar com a empregada para lhes tirar a herança das mãos, pedindo a Rigoberto que sirva como uma das testemunhas, mesmo sabendo que com isso trará até si a ira dos filhos e Ismael. Os problemas de Rigoberto não acabam porém aqui. Fonchito, o seu filho adolescente, trava conversas com Edilberto Torres,um amigo que se supõe imaginário, e que Rigoberto pensa tratar-se  de uma personagem arrancada ao universo de Fausto.

 

E são estas duas histórias aparentemente inconciliáveis que, depois de muitas voltas, irão convergir para um destino partilhado. Com “O Herói Discreto”, Vargas Llosa recupera a mística para nos fazer voltar a acreditar em algo que julgávamos extinto: um herói humano com o sentido pleno de honra.»

 

Pedro Miguel Silva, Rua de Baixo

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Llosa vintage

01.10.13

«Correm dois enredos paralelos em O Herói Discreto, o mais recente romance do escritor hispano-peruano, Nobel da Literatura em 2010. A primeira tradução é a portuguesa e óptima, ou não fosse assinada por Cristina Rodriguez e Artur Guerra. Llosa inspira-se numa história real e produz um vintage. Recupera personagens, cruza-lhes as histórias lá mais para o fim do livro, mas põe tudo no presente e impregna-o com as preocupações expostas no ensaio A Civilização do Espetáculo (Quetzal, 2012). […]

Em contraponto, Llosa, um dos raros liberais sul-americanos, continua a ficcionar a rectidão de alma e a enaltecer a rebeldia do cidadão comum, pequeno David em luta contra o Golias da corrupção.»

 

Filipa Melo, Sol

 

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QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

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