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Irma Voth

30.01.13

"A escrita de Miriam Toews é de uma grande elegância, conciliando um humor refinado com fortes vagas de melancolia, desespero e saudade. A vida de Irma Voth é a saga de uma (quase) adolescente, obrigada a tornar-se adulta por vontade própria mas, também, por uma religião habitada pela intolerância. Nesta travessia, ao mesmo tempo que se fecha uma porta onde se deixa trancada a culpa, na incerteza de se esta conseguirá alguma vez voltar a brincar lá fora, abrem-se as portadas de uma janela com vista para a esperança. O futuro pode então começar."

 

Pedro Silva, Rua de Baixo

 

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«O maior dos poetas latino-americanos, o brasileiro Guimarães Rosa, escreveu: «As estórias não se desprendem apenas do narrador, sim o performam; narrar é resistir.» E tal afirmação assenta como uma luva à nova geração de escritores uruguaios, entre cujos nomes se destacam Carlos Liscano, Leonardo Rossiello e Mario Delgado Aparaín.

Se houve um país da América Latina em que as botas militares se encarniçaram contra a literatura e os escritores durante o obscuro decénio das ditaduras, foi o Uruguai. Praticamente todos os escritores uruguaios passaram pela prisão, pelas torturas e pelo exílio. Foram muito poucos, escassíssimos, os que conseguiram sobreviver no Uruguai à barbárie fardada, mas sem a menor hipótese de publicarem uma só sílaba: para a ditadura, escrever era sinónimo de subversão.

Mario Benedetti, Cristina Peri Rossi, Eduardo Galeano, Marta Traba, Ángel Rama, Leonardo Rossiello, tiveram de partir para o exílio. Outros, como Mauricio Rosencoff e Carlos Liscano, permaneceram durante treze anos em prisões da ditadura. Mario Delgado Aparaín deambulou pelo país à procura de trabalho como jornalista e acumulando

as matérias-primas da sua narrativa. Entre todos, mantiveram viva a literatura uruguaia, e não só: fizeram dela uma das literaturas mais sugestivas da América Latina.

Em outubro de 1993 eu ainda só tinha lido um livro de Mario Delgado Aparaín, o romance El día del cometa, e o seu nome era ainda matéria pendente para mim. No entanto, por mais obras do autor que procurasse, não conseguia encontrar nenhuma. Até que um dia, estava eu de viagem num comboio de Frankfurt para Hamburgo, se sentou à minha frente um casal de desconhecidos. Mal se instalaram, pegaram num livro que começaram a ler a quatro

olhos. Liam-no com aquele tipo de avidez e prazer que provoca inveja, que supera qualquer pudor e nos impele a esticar o pescoço para ver se conseguimos descortinar o título do livro, pelo menos. Isto no caso de os leitores que tivermos diante de nós não serem como os que eu tinha: tão cuidadosos que forram os livros. Via-os fruir da leitura enquanto me esforçava por me concentrar numa pavorosa biografia de Heidegger que alguém me ofereceu não sei se

para alimentar a minha exangue cultura geral, se por vingança.

Liam, ficavam sérios, riam. De repente, alguém anunciou o bar ambulante e ouvi-os falar um com o outro no doce espanhol dos uruguaios acerca do que deveriam pedir.

A mulher queria café e o homem assentiu.

— Os senhores são uruguaios? — perguntei.

Apresentámo-nos. O casal de uruguaios atravessava a Alemanha rumo a Estocolmo. Após trocarmos algumas frases, descobrimos que tínhamos amigos comuns na Suécia,

e então esquecemos o café e pedimos uma garrafa de vinho.

— Nunca pensei que fosses latino-americano. Tens uma cara tão séria — disse a mulher.

— Pois é. Estavas a olhar para nós com cara de gastroenterite. Como um alemão — precisou o homem.

Então, expliquei-lhes que o que eu tinha era uma curiosidade imensa em relação ao que estavam a ler com tanto interesse. Foi assim que me veio parar às mãos, pela primeira vez, A Balada de Johnny Sosa

 

Do prefácio de Luis Sepúlveda

 

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Na próxima quinta-feira, dia 31 de janeiro, no auditório do Teatro do Campo Alegre, as já célebres Quintas de Leitura terão como convidada a poeta Maria do Rosário Pedreira, recentemente distinguida com o Prémio Literário Fundação Inês de Castro 2012 pelo livro A Ideia do Fim, incluído na Poesia Reunida, publicada pela Quetzal em 2012.

 

A primeira parte, apresentada pelo escritor Valter Hugo Mãe, contará com leituras de Sara Carinhas, Susana Menezes, Pedro Lamares e da própria Maria do Rosário Pedreira. Na segunda parte haverá um concerto de Aldina Duarte, fadista que tem no seu repertório diversos fados com letra da poeta.

 

Será também uma oportunidade para celebrar a recente distinção com o Prémio Literário Fundação Inês de Castro, entregue anualmente a obras de expressão literária sobre motivos do mito «inesiano».

 

O júri, composto por José Carlos Seabra, Mário Cláudio, Fernando Guimarães, Frederico Lourenço e Pedro Mexia, escolheu a obra de Maria do Rosário Pedreira, que assim sucede a outros nomes grandes da literatura portuguesa como Pedro Tamen, Teolinda Gersão, José Tolentino de Mendonça, Hélia Correia e Gonçalo M. Tavares.

 

 

 

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Organizado por Vasco Rosa, este volume de escritos dispersos de Raul Brandão chega às livrarias a 22 de fevereiro.

 

«Recolhido de quase quarenta publicações de todo o tipo, calibre e geografia, emerge um imenso corpo textual de nítida proximidade com os temas recorrentes de Raul Brandão, que algumas vezes, e a considerável distância temporal, serve de base a passagens das suas Memórias, outras comenta livros da época, outras ainda, como os verbete do Guia de Portugal, desdobra a escrita impressionista de Os Pescadores e de As Ilhas Desconhecidas, ou enfatiza todo o seu envolvimento com o teatro e desde muito cedo (1892 e 1895, como é habitualmente dito). Fica também em evidência a atenção central concedida a Columbano Bordallo Pinheiro e a Guerra Junqueiro, a sua compaixão por Almeida Garrett janota, impiedosamente troçado nas gazetas e nas tertúlias, o seu fascínio por Camilo Castelo Branco, e traz-se a primeiro plano a «História do batel Vai com Deus e da sua campanha», folhetim da nossa vida piscatória claramente preanunciador de Os Pescadores, escrito duas décadas depois. As suas reportagens sobre jovens delinquentes, sem-abrigo, presos ou hospiciados de Lisboa, que Guilherme de Castilho mencionara e depois dele José Cardoso Pires, podem ser lidas neste volume de A Pedra Ainda Espera Dar Flor

 

Vasco Rosa

 

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"Os escritores Vasco Graça Moura e Daniel Jonas, o realizador Miguel Gomes, e o fadista Camané foram distinguidos com o Prémio Europa - David Mourão Ferreira 2010-2012, anunciou hoje o Instituto Camões. [...] Na categoria Mito, que visa galardoar a carreira de uma personalidade eminente da cultura lusófona que se tenha distinguido no campo das letras e das artes, os premiados foram o escritor e poeta Vasco Graça Moura e o fadista Camané."

 

Ler aqui a notícia completa.

 

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"Este livro está dividido em duas partes: “Partidas” e “Chegadas”. Há uma viagem pela palavra, por lugares, talvez uma viagem dentro de ti. Fala-nos dela.


A minha poesia é muito biográfica, muito geográfica, é uma poesia do espaço e do tempo. Nestes poemas, como noutros, tentei parar para reaprender a olhar, tentei re-parar (repetir a paragem). Os poemas da primeira parte trazem valores universais como a beleza, a arte, o tempo, a história, a memória, a tradição, o amor, o desejo, a amizade, e esses situei-os, não por acaso, numa geografia europeia. Na segunda parte verifica-se um regresso à prosa dos dias (Manuel António Pina), à forma como a realidade se nos impõe num quotidiano menos abstracto, mais concreto, onde os valores são necessariamente outros, não são necessariamente melhores. Esses poemas situei-os em Portugal, o que faz deste livro, talvez, o meu livro mais político.


A dada altura, em “Chegadas”, surge um poema intitulado “Poeta marca território”. Como gostarias que a tua poesia marcasse para além de ti?


Como acontece com os gatos (“os gatos são poesia, os cães são prosa”), acontece-me marcar o território lá em casa com tinta de caneta, nos lençóis, nos sofás, nos tapetes, para desalento de quem deles cuida… É difícil responder. Seguramente que gostaria que algum poema ficasse. Não acredito verdadeiramente que se possa prever como um poema vai ser lido uma, duas gerações depois. A minha ocupação é publicar poemas com os quais me identifico na altura em que os escrevo, tanto quanto no período de tempo (2, 3 anos) em que decorre o processo de selecção e revisão, até saírem em livro. Se vencerem esse teste do tempo, autorizo-me a acreditar neles. Caso contrário, elimino-os. Desconheço se isso é suficiente para a poesia deixar marca mas se em cada um deles tentar “make it new”, como defendia Pound, já será um bom princípio…"

 

Ler a entrevista completa aqui.

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Brevemente

22.01.13

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A Revista Sítio (agora no endereço http://revistasitio.blogspot.pt/) dedica esta semana à poesia de João Luís Barreto Guimarães, cujo novo livro, você está aqui, chega às livrarias na sexta-feira. A anteceder a notícia da publicação deste inédito, o livro Poesia Reunida, publicado em 2011 pela Quetzal, teve direito a uma recensão crítica, da autoria de Landeg White, no The Times Literary Supplement, um facto que justificadamente nos enche de orgulho.

 

 

 

 

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O Prémio Literário Fundação Inês de Castro, que distingue anualmente obras de expressão literária sobre motivos do mito «inesiano», foi atribuído a Maria do Rosário Pedreira, pelo seu livro Poesia Reunida, publicado em setembro de 2012 pela Quetzal, que às obras anteriormente publicadas pela autora (A Casa e o Cheiro dos Livros – 1996, O Canto do Vento nos Ciprestes – 2001 e Nenhum Nome Depois – 2004) juntava o inédito A Ideia do Fim.

 

O júri, composto por José Carlos Seabra, Mário Cláudio, Fernando Guimarães, Frederico Lourenço e Pedro Mexia, escolheu a obra de Maria do Rosário Pedreira, que assim sucede a outros nomes grandes da literatura portuguesa como Pedro Tamen, Teolinda Gersão, José Tolentino de Mendonça, Hélia Correia e Gonçalo M. Tavares.

 

A cerimónia de entrega do prémio, que tem este ano a sua sexta edição, terá lugar na Quinta das Lágrimas, em Coimbra, no próximo dia 2 de março.

 

 

Maria do Rosário Pedreira nasceu em Lisboa em 1959. Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, é editora, dedicando-se hoje à descoberta e divulgação de novos autores portugueses. Como poeta, estreou-se em 1996 com A Casa e o Cheiro dos Livros (traduzido em italiano e catalão), a que se seguiram O Canto do Vento nos Ciprestes (também editado no Brasil) e Nenhum Nome Depois. A sua poesia está representada em numerosas antologias e revistas portuguesas e estrangeiras. Além de poeta, escreveu o romance Alguns Homens, Duas Mulheres e Eu (1993) e duas séries de livros juvenis que foram adaptadas à televisão. Recebeu vários prémios literários e tem participado em numerosos encontros de escritores nacionais e internacionais. Mantém o blogue Horas Extraordinárias (http://horasextraordinarias.blogs.sapo.pt), no qual partilha diariamente a sua paixão pelos livros.

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«Na altura em que o delirante e ofensivo romance Lionel Asbo: State of England (2012) [que será publicado ainda este ano pela Quetzal] acaba de sair em Inglaterra com poucas, mornas e distraídas críticas, reedita-se em Portugal Dinheiro. Um Bilhete de Suicídio (1984), uma das obras fundamentais do século XX, com o seu hilariante e apocalíptico aviso premonitório de tudo aquilo que estava para vir e se concretizou, com inefável certeza, para mal de todos nós.»

 

Helena Vasconcelos, Ípsilon

 

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«Na base desta obra, é legítimo pressupor um projecto não simplesmente literário, mas cultural. Este poeta descende de uma linhagem ilustre, que, por sua vez, se inscreve no xadrez da História e das artes, e que cruza os diversos elementos em jogo nessa dinâmica. Pelo que são eixos desta poesia a relação entre vida e arte, as vicissitudes do tempo e o lugar do sujeito como agente da sua obra e biografia. V.G.M. é, acima de tudo, um humanista em pleno século XXI, autor de um classicismo improvável num contexto sobretudo hostil à elevação de padrões culturais. Por outro lado, a sua postura, vincadamente anti-romântica, deliberadamente desprendida, que tende a anular a encenação e o dramatismo tão associados aos bastidores da escrita, é, ao mesmo tempo, estimulante para quem lê, e reveladora para quem queira perceber a sua obra e o seu posicionamento enquanto poeta.»

 

Hugo Pinto Santos, Time Out

 

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"Em 17 pequenos-grandes contos, Jorge Luis Borges discorre sobre alguns dos temas universais que estiveram, desde sempre, presente na sua escrita: o tempo, o sonho, o infinito, a morte, a justiça, Deus, a ética. Sempre com o fantástico como papel de parede: em «O imortal» procura-se a secreta Cidade dos Imortais e a vida eterna; «História do guerreiro e da cativa» é um dos dois contos – a par de «Emma Zunz» – que parte de factos fidedignos, e que revela a escolha entre o lado racional ou animal da vida; «A casa da Astério» é uma fábula sobre um deus que aguarda o seu redentor; «Abenjacan, o Bokhari morto no seu labirinto» conta a história de um homem preso no seu próprio esconderijo, guardado por um escravo e perseguido por um morto sedento de vingança; «Os dois reis e os dois labirintos» mostra que a melhor prisão não precisa de ter escadarias, portas ou paredes; «O Aleph», que dá título ao livro, é o conto supremo, trespassado pela loucura, onde numa casa à beira da demolição se poderá ver, através de um único ponto, o Universo inteiro."

 

Pedro Silva, Rua de Baixo

 

 

Aqui.

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«Um dos grandes méritos do autor é ter conseguido abranger a textualidade de uma forma ímpar. Ele analisa a sociedade que o rodeia (exterior), analisa-se a si (interior) e, principalmente, expõe ao leitor a dialéctica entre o indivíduo e a sociedade. Ao fazê-lo, consegue resgatar o papel de autor de uma textualidade global que, de acordo com o pós-estruturalismo/desconstrucionismo de Derrida, Barthes ou Foucault, implica o desaparecimento da voz única que se manifesta num autor.»

 

Ler a crítica completa aqui.

 

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Você Está Aqui

14.01.13

Nas livrarias a 25 de janeiro

 

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O nosso leitor Cassionei Niches Petry enviou-nos o texto que se segue sobre Nada a Dizer (a 1 de fevereiro nas livrarias), romance da escritora brasileira Elvira Vigna. Agradecemos a amabilidade do autor do texto, que aqui reproduzimos na íntegra com a sua autorização:

 

«Há muito a dizer sobre Nada a dizer, de Elvira Vigna. O espaço, porém, é limitado, o que é bom, pois só assim escapo da tentação de contar tudo e afastar, dessa forma, o leitor da obra. Sugerir é mais sensato, provocar a leitura, dar pistas talvez. Bem, o melhor é dizer pouco.

Carioca, nascida em 1947, Elvira Vigna tem uma obra consolidada, que inclui romances como Coisas que os homens não entendem e Deixei ele lá e vim. É uma escritora que sabe o que quer dizer e diz. Seus projetos literários são baseados em estudos teóricos bem fundamentados que ela expõe em palestras ou vídeos disponíveis no seu site. Não é diferente com esse Nada a dizer.

No romance, há uma história de adultério. Tema que pode parecer comum, mas que na mão da escritora ganha outro brilho, pela maneira como é contada, pela voz que relata, pela forma como ficamos sabendo da traição. Aliás, o ponto de vista da narrativa, para quem não lê a orelha ou a contracapa do livro, é uma surpresa que se desvenda logo no início, mas que já demonstra o trabalho criterioso da autora. É difícil, inclusive, resumir parte do enredo sem falar sobre o narrador. Tentaremos.

A personagem principal, cujo nome desconhecemos, é casada com Paulo. Ambos estão recém se mudando do Rio de Janeiro para São Paulo. A casa ainda por arrumar tem caixotes espalhados pelos cômodos, dando um indício do que acontecerá com os dois. A vida deles será bagunçada devido a algumas visitas que Paulo faz ao Rio de Janeiro, com o pretexto de encontrar os amigos e jogar futebol. Através de troca de e-mails, conversas no Skype e mensagens de celular, o marido marca encontros com N., uma amiga do casal no Rio. A mulher traída, depois de descobrir tudo, lê obsessivamente os rastros de conversas que foram deixados, bem como o blog escrito pela amante, numa tentativa de entender os motivos de o marido, já com seus sessenta e poucos anos, se envolver com uma mulher vinte anos mais nova.

Paulo, num primeiro momento, nega tudo. Mente. Mas depois confessa, a esposa o ouve e expressa esse momento numa das passagens mais belas do romance: “Não sei como exprimir o que vivi. Eu teria de falar em frases lentas, muito suaves, uma música de câmera dessas que nos embalam e se preocupam em nos avisar quando terminam graças aos compassos em tom menor, mais curtos. Quando então saímos de nossa letargia para bater palmas discretamente e nos dirigir à pessoa ao lado, com acenos de cabeça, sim, a execução foi exatamente como esperávamos, sim, muito satisfatório esse sentimento de realização que nos fica quando acompanhamos até o fim uma melodia”.

Paulo havia mentido para a mulher. É a mentira que torna o caso uma traição. Não ter nada a dizer sobre o que aconteceu, negar tudo. O romance, por isso, é muito mais sobre a mentira do que o adultério. Mentir é inerente ao ser humano. A história escrita por Elvira Vigna pode ser uma mentira. O escritor mente e cria personagens que mentem, inclusive a própria mulher traída mente. Por isso dizemos que um romance é uma ficção. A mentira aqui serve para mostrar a verdade, revelar questões humanas que só se revelam na ficção. Acreditamos mais em uma mentira bem contada do que numa verdade com roupa rota. Inclusive esta resenha pode ser mentirosa, mas sobre isso não tenho nada a dizer. O que tenho a dizer é que Nada a dizer é um romance que merece e deve ser lido. Pronto, já disse.»

http://cassionei.blogspot.com.br/2011/12/no-tracando-livros-de-hoje-o-romance-de.html

 

 

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 «Mais do que desenvolver uma teoria, Naipaul relata o que foi ouvindo e observando num livro que é um misto de literatura de viagens, crónica e reportagem política. “Porque é que as religiões reveladas pelo estrangeiro haviam forjado tal confusão com a crença africana?”, pergunta. Ou seja, como se deu a fusão à partida impossível entre dois modos completamente distintos de entender o transcendente?»

 

Isabel Lucas, Ípsilon

 

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«Uma Obra Enternecedora de Assombroso Génio é um livro de “memórias” de Dave Eggers sobre os trágicos acontecimentos da morte dos pais e da educação do irmão, mas à mistura com muitos “jogos” em que o autor baralha o tempo e funde histórias. Um épico familiar – uma história de sobrevivência no tumulto e no caos emocional depois do estilhaçar de uma família – repleto de elementos estilísticos inovadores que quase sempre parecem querer ter a função de contribuir para a aparência de uma “narração descontraída”.»

 

José Riço Direitinho, Ípsilon

 

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Pág. 1/2



QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

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