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Procissão

29.11.12

Este foi o texto lido por J. Rentes de Carvalho na cerimónia de entrega do Grande Prémio de Literatura Biográfica APE/Câmara Municipal de Castelo Branco. Permitam-nos que manifestemos a vaidade de publicar um autor que escreve assim:

 

"Os tolinhos. Os bufos. Os convencidos. Os pategos. Os membros e as suas esposas. Os amigos dum gajo que conhecemos há muito e  não é sério. Os fanáticos. Os sinceros. Os que foram maoístas. As bruxas. Os inimigos do povo. As irmãs do Salazar. Os compadres. Os hesitantes. O senhor Pacheco do táxi, do aviário e da bomba da gasolina. Os que comem peixe à sexta-feira. Os sócios benfeitores da Associação dos Bombeiros Voluntários de Oliveira de Azeméis. O médico dos Raios-X. A ex-telefonista da ex-PIDE do antigo regime. O clarim de Caçadores 9. Os filhos do falecido Prof. Dr. Joaquim do Amaral Thorensen Perestrelo Owen Ricciotti Matoso Guedes de Crespo e Bombarral (Marquês de Leça, Irmão da Ordem Terceira, Diplomé des Palmes du Mérite Agricole). O maquinista do ‘Foguete’ que levou o Papa a Braga. Os heróis do mar. Os gloriosos combatentes anti-fascistas. Os gaseados de 1914-1918 (Flandres). A tia da D. Amália Rodrigues. O cauteleiro de Cinfães. Os moradores do terceiro andar do prédio nº 42 do Beco dos Capachinhos 1300-444  Lisboa. Os que só gostam de cerveja. O que comprou as calças do Gungunhana e as ofereceu depois ao Museu de Bragança, donde parece que foram roubadas na noite de 7 de Fevereiro de 1952. A mulher do filho do vizinho do Marcelo. As figuras prestigiosas da nossa política acompanhados (acompanhadas? era o que faltava!) das respectivas esposas. O emigrante que construiu aquela casa. Os visitantes do Jardim da Estrela. Os dez mais elegantes. Os calvos, os obesos, os deficientes motores, os invisuais, os diminuídos mentais - que é como quem diz: os carecas, os buchas, os aleijadinhos, os cegos, os tarados. Os manetas e os gagos. O locutor da Rádio Renascença. O bissexual que casou com a Maria João e na intimidade lhe chama Zé Maria. O senhor doutor que está quase a chegar, não falta nada. Os três da panelinha. Os três. Os que dizem trinta e três. A Trindade. O senhor Pimpim. Os que leram Marx. O reformado que pinta aguarelas e imita muito bem o barulho da água a ferver. O eléctrico dos Anjos. Os senhores guardas. As senhoras guardas. As gentes da autoridade. Os defensores da ordem. A mulher que fugiu ao marido alcoólico e se foi juntar com um cego que tem uma barraca em Chelas. Os tocadores de violoncelo. Os fascinados pelo destino do proletariado. Os holandeses anticolonialistas, vegetarianos, com casa no Algarve. O ex-ministro. A Rosa que gosta muito de crianças. Os enfermeiros. As calistas a domicílio. A menina do quiosque. O bispo de Aveiro. Você e eu."

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"J. Rentes de Carvalho, recebe no próximo dia 28 de Novembro,

pelas 17h00, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Castelo
Branco o Grande Prémio de Literatura Biográfica - 2010/2011,
galardoado pelo seu livro "Tempo Contado".

A cerimónia conta com a presença do Presidente da Associação
Portuguesa de Escritores, José Manuel Mendes, do Presidente da
Câmara Municipal de Castelo Branco, Joaquim Morão, coordenador
do prémio, José Correia Tavares, porta-voz do júri, José Manuel
de Vasconcelos e do premiado, J. Rentes de Carvalho."
 

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Julião Sarmento

23.11.12

No dia em que é inaugurada a retrospetiva em Serralves:

 

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A recensão completa ao livro A Piada Infinita, publicada na última edição do Ípsilon. A autora, Isabel Lucas, deu cinco estrelas ao romance colossal de David Foster Wallace (os destaques são nossos):

 

"Agora apetece o silêncio. Assim, a quente, não há palavra escrita que não pareça histriónica, redundante, medíocre. A Piada Infinita, no seu efeito imediato, fechada a última página, cala. A sensação de ferida aberta que perpassa todo o livro persiste. Em inglês a palavra é woundedness. Mais do que mágoa. Magoa. Na relação entre livro e leitor, cada nervo foi tocado e agora não resta nada a não ser o vazio do luto e uma experiência que mudou coisas. Leitor, está disposto a esta viagem de 1198 páginas?

Já avisámos: escrevemos a quente sobre um livro originalmente publicado em 1996, considerado umas das obras mais marcantes da literatura contemporânea norte-americana, escrito por um dos seus mais intrigantes e geniais autores, alguém que não suportou andar sempre à procura da resposta para a pergunta "o que é isto de ser humano?", e que aos 46 anos acabou com a vida, deixando ao lado um romance inédito, The Pale King, publicado no ano passado nos EUA, onde acabaria por vencer o Pulitzer.

A expectativa era alta. A leitora começara pelo fim, ou seja, pela obra publicada postumamente, e ia agora entrar em David Foster Wallace pela primeira vez em português, e logo com aquela que é considerada a sua peça de génio, "a" obra - A Piada Infinita, tradução do original The Infinite Jest, retirado de uma das falas do quinto acto de Hamlet: "I knew him, Horatio; a fellow of infinite jest, of most excellent fancy." Uma infindável paródia, alucinantemente incómoda e provocadora, sobre a sociedade norte-americana, situada num futuro não muito distante do momento em que Wallace a escrevera, aos 33 anos, após sete anos de uma travessia no deserto, com depressões, internamentos, excessos de droga, álcool, auto-medicação, incapacidade de lidar com muitas das responsabilidades pedidas a um adulto. David Foster Wallace refugiara-se, tanto quando pudera, no ensaio e na cátedra, mas eram insuficientes para quem queria inventar uma nova maneira de fazer literatura. Nada menos. 

Nessa realidade paralela ou virtual, A Piada Infinita começa pouco depois do assassínio do presidente Limbaugh. Os EUA fazem parte de uma confederação maior, a ONAN, com o Canadá e o México; parte da Nova Inglaterra é refúgio de um grupo de separatistas do Quebeque. É neste ambiente que encontramos Harold Incandenza, 18 anos, interno desde os sete na Academia de Ténis Enfield, em Massachussets - um sobredotado no desporto, capaz de resultados brilhantes, com um saber enciclopédico, e dependente de marijuana (ou, como escreve o narrador, alguém que "adora apanhar pedradas em segredo, mas um segredo ainda maior é que gosta tanto do secretismo como de ficar pedrado"). Harold é filho de Avril Mondragon, mulher "extremamente alta e nervosa, mas também muitíssimo bonita, elegante, completamente abstémia", catedrática que em tempos teve contactos com elementos da esquerda separatista quebequense - uma personagem construída um pouco à imagem da mãe do próprio Wallace, implacável com as palavras e as regras da gramática -, e tornada Incandenza através do casamento com James O. Incandenza, fundador da academia, alcoólico, que no último período da sua vida dera cabo do património pessoal e familiar para se dedicar à produção de documentários, tendo acabado com a cabeça a explodir num micro-ondas aos 54 anos. Hal é irmão de Orion, um jogador de futebol americano, e de Mario, o mais novo da família, um pouco retardado. A este núcleo acrescente-se a figura de Don Gately, "um drogado em narcóticos orais (preferia Demerol a Talwin) e um ladrão trepador mais ou menos profissional", "expoente alegre e implacável da escola do não te irrites-vinga-te", que vai conquistando um protagonismo cada vez maior à medida que o livro avança, nunca se sabe bem para onde.

Esse é um dos segredos melhor geridos nesta narrativa nada linear. A cronologia é errante e obedece aos valores de uma sociedade que promove a evasão. Com a crise aberta pela morte do presidente Limbaugh, o calendário americano foi vendido à publicidade. Os anos são identificados pelas marcas que os compraram. O ANO DA ROUPA INTERIOR PARA ADULTOS DA MARCA DEPEND, ANO DE GLAD. E o que parece uma paródia é, afinal, uma crítica feroz ao modo como a sociedade sucumbiu ao poderio das marcas e aos meios que as veiculam para promover a tal evasão. Hal Incandenza e Don Gately, nas suas crises de identidade, nos seus vícios, não são mais do que produtos dessa busca incessante de fuga de si que tem no entretenimento - uma das palavras mais repetidas e trabalhadas de todo o livro - o grande objectivo. Não é por acaso que os terroristas separatistas a escolhem como a sua última arma: entreter As verdadeiras substâncias tóxicas são as recreativas. Podem ter nomes de séries, de medicamentos - e há aqui há uma verdadeira enciclopédia (Wallace domina, por experiência, a nomenclatura clínica) -, de estâncias de férias, de agregações. "A experiência americana parece sugerir que as pessoas carecem virtualmente de limites na sua necessidade de se entregarem a vários níveis", lê-se ainda o livro vai no adro. Uma centenas de páginas à frente, justamente na 900, Hal continua a tentar a evasão, "começa a percorrer mentalmente uma lista alfabética dos sítios bem longínquos onde preferia estar naquele momento". E o patético na fronteira do maior dos desesperos. "Ainda nem chegou a Adis Abeba quando Kevin Bain aquiesce e começa a pedir, muito baixinho e hesitantemente, ao homem da cara simpática, Jim, que entretanto já pousou o iogurte mas não o ursinho, para vir, por favor, amá-lo e abraçá-lo. E quando Hal se imagina a cair pelas cataratas do Niágara abaixo, na extremidade sudoeste da Concavidade, dentro de um velho e enferrujado bidão de transporte de lixo nocivo, já Kevin Bain pediu a Jim onze vezes, e cada vez mais alto, para vir acarinhá-lo e abraçá-lo, mas em vão. O tipo mais velho limita-se a ficar ali sentado, agarrado ao ursinho com o iogurte na ponta da língua, com uma expressão algures entre o simpático e o vazio." Parágrafo. "Hal nunca tinha visto uma pessoa a chorar como se estivesse a disparar projécteis."

Entre as lágrimas e o riso, Wallace gere de forma magistral vários registos de linguagem, do calão de rua à academia, gerando tensão mas também tédio capaz de levar ao bocejo com descrições científicas ou técnicas, alternando o detalhe mais comezinho do quotidiano com experiencias interiores extremadas como o suicídio. Tudo num embrulho cheio de referências literárias, científicas, desportivas - com o ténis em destaque -, sem perder o pé do real, mas de um real sempre muito autocentrado. Não há rótulos para isto. Chamam-lhe pós-pós-modernista, discípulo de Thomas Pynchon, louco, lunático: David Foster Wallace é herdeiro de muitos mas fez a sua síntese. Ele é isso tudo. Mas não é só isso. Conseguiu aquilo a que se propôs: inventar uma fórmula, desafiar a sua resistência e a do leitor. Nem todos estarão para isso, para entrar neste inferno que é a cabeça genial de Wallace. E se entrar não é fácil, mais difícil é sair. 

Já agora, a tradução: seria mesquinho apontar defeitos, mas há gralhas de revisão que se podem anotar numa errata. Um trabalho destes merece."

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Foi assim, na passada 6ª feira, no Ritz Clube (na 2ª imagem, Vasco Teles de Menezes e Salvato Telles de Menezes, tradutores de A Piada Infinita, Rui Catalão, que apresentou o livro, e Lúcia Pinho e Melo e Francisco José Viegas, editores da Quetzal)

 

 

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"Foi por causa do humorista Nuno Markl que tentei ler “Infinite Jest”. Há já bastantes anos, numa entrevista, contou-me que apesar de um enorme esforço e dedicação não conseguira passar da página 100 de um livro extraordinário (de que eu nunca ouvira falar), mas que mesmo assim estava orgulhoso do feito. Não era graçola nem exagero – como vim a comprovar enquanto lia, relia e quase treslia as mesmas primeiras linhas, noite após noite, num exercício repetitivo de humildade."

 

Aqui

 

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“Ao longo do livro compreenderemos que dificilmente se passará do hall de entrada. Peixoto fala de cenários, sem esconder a falsidade que sente face à paisagem plana que lhe é apresentada. E é, como o próprio escritor diz, a sinceridade que “nos salva” e que salva este relato raro de um país do qual “às vezes parece que ninguém tem toda a informação”. Dia a dia, jornada a jornada, vamos percebendo como se constrói uma sociedade em que todos se podem sentir como crianças órfãs perante a morte de um líder ou se alcança a perfeita sincronia ao ponto de dezenas de soldados conseguirem libertar as águas no mesmo exato momento.”

 

Cristina Margato, Expresso

 

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"A Piada Infinita, lançado em 1996, é um romance sobre depressão e várias outras desordens mentais e físicas, sobre família, consumos compulsivos, drogas, indústria do entretenimento, terrorismo e agências de segurança e mil outros subtemas explorados pelo autor com a minúcia de um pesquisador de nanopartículas. [...] Por tudo isto, A Piada Infinita é um desafio ao qual poucos leitores conseguem aceder por completo, mas um feito extraordinário, que ficará na história da literatura."

 

Filipa Melo, Sol

 

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“É de uma riqueza de tal ordem que é esmagadora. Não sei como é que as pessoas vão reagir à leitura, mas acho que devem estar preparadas. Tem uma dimensão trágica, épica, irónica, e depois tem sobretudo uma coisa que, para mim, é uma característica de sempre na literatura americana: os autores gostam das suas personagens.”

 

Salvato Telles de Menezes, um dos tradutores de A Piada Infinita, em declarações a Isabel Lucas, na edição de hoje do Ípsilon. Para o tradutor, ensaísta e ex-professor de literatura norte-americana na Faculdade de Letras de Lisboa este foi o mais difícil dos livros que traduziu até hoje. “É um caso muito sério”, diz. Na crítica ao livro lê-se: “Entre as lágrimas e o riso, Wallace gere de forma magistral vários registos de linguagem, do calão de rua à academia, gerando tensão mas também tédio capaz de levar ao bocejo com descrições científicas ou técnicas, alternando o detalhe mais comezinho do quotidiano com experiências interiores extremadas como o suicídio. Tudo num embrulho cheio de referências literárias, científicas, desportivas – com o ténis em destaque –, sem perder o pé do real, mas de um real sempre muito autocentrado. Não há rótulos para isto. Chamam-lhe pós-pós-modernista, discípulo de Thomas Pynchon, louco, lunático: David Foster Wallace é herdeiro de muitos mas fez a sua síntese. Ele é isso tudo. Mas não é só isso. Conseguiu aquilo a que se propôs: inventar uma fórmula, desafiar a sua resistência e a do leitor. Nem todos estarão para isso, para entrar neste inferno que é a cabeça genial de Wallace. E se entrar não é fácil, mais difícil é sair.”

 

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DFW no Ípsilon

13.11.12

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O missionário

09.11.12

“Para Wood, os grandes escritores são aqueles – como Tchéckhov, Gógol, Jane Austen, Melville, Thomas Mann – que melhor souberam explorar essa tensão entre os dois sistemas e aceitar as contradições e intermitência s de qualquer fé. Da mesma maneira, as maiores dores de aversão crítica são reservadas para as ficções (quase todas contemporâneas) que criam realidades autónomas sem o devido cuidado de calibrar a sua plausibilidade. Ao investir contra as várias deturpações do realismo – do «mágico» ao «histérico» – o crítico inglês está no fundo a denunciar os escritores que desvalorizam o «real», exigindo ao leitor um ripo de crença demasiado próximo da religião.”

 

Crítica de Rogério Casanova, que traduziu A Mecânica da Ficção, na revista Ler deste mês

 

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Na Time Out desta semana, uma recensão sobre o consensual Ensaios sobre a Fotografia, de Susan Sontag, e outra sobre o polémico A Civilização do Espetáculo.

 

“Os ensaios contidos neste volume revelam uma pensadora polifacetada e arguta, que transpõe para a esfera da fotografia a mais-valia do seu domínio das técnicas da escrita e da análise. Sontag não se limita a uma abordagem descritiva ou interpretativa: cria um arco que inclui componentes técnicas, artísticas (que várias vezes questiona) e filosóficas – um embrião de filosofia da imagem e da fotografia.”

Hugo Pinto Santos

 

 

“Querer disparar sobre tantos (e tão fugidios) alvos em apenas 220 páginas leva a que MVL se fique por generalidades e proclamações assertivas e ruidosas mas inócuas. O carácter indisciplinado e errático do livro é agravado por digressões e reminiscências pessoais despropositadas e pela reciclagem de artigos publicados na imprensa sobre temas tão diversos e alheios à temática do livro como a pintura erótica de Picasso e o véu islâmico nas escolas francesas.”

José Carlos Fernandes

 

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Pins e fitas

02.11.12

 

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“Para um leigo em cultura visual, o acompanhamento das ideias pode ser espinhoso. Mas Sontag reflecte sobre tudo o que diz respeito à fotografia: evolução histórica, criadores, objectos, estatuto e funções. A abrangência da abordagem é razão suficiente para uma leitura estimulante.”

 

Filipa Melo, Sol

 

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QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

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