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O fogo de Carver

27.07.12

“É seguramente uma das confissões literárias mais bonitas. Num pequeno texto intitulado Fogos (título também da coletânea em que está inserido e que a Quetzal agora publica), Raymond Carver desvenda os seus tempos de jovem escritor. E fá-lo com uma honestidade desarmante, como em muitas outras ocasiões. Nestas páginas reencontramos o homem que aos poucos sonhou um imenso território só para si: a ficção. Mas que também se confrontou com a vida, o quotidiano, as obrigações. As familiares, em primeiro lugar, as domésticas, logo a seguir, e as pessoais, finalmente e com maior peso, onde poderíamos incluir a bebida, o veneno da sua alma.”

 

Luís Ricardo Duarte, Jornal de Letras

 

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A Direção da Associação Portuguesa de Escritores divulgou hoje a atribuição do Grande Prémio de Literatura Biográfica ao livro Tempo Contado, de J. Rentes de Carvalho, publicado pela Quetzal em 2010.

 

O júri, presidido por José Correia Tavares, e do qual faziam parte José Manuel de Vasconcelos, Luísa Mellid-Franco e Miguel Real, escolheu a obra de Rentes de Carvalho por unanimidade, entre 50 obras de autores portugueses, publicadas por 25 editoras.

 

O diário Tempo Contado, escrito nos anos de 1994 e 1995, matiza o relato factual com a mestria estilística do autor de Ernestina, La Coca e A Amante Holandesa.

 

J. Rentes de Carvalho junta-se a anteriores galardoados com este prémio como Maria Teresa Saavedra, Eduardo Prado Coelho ou Cristóvão de Aguiar.

 

 

 

 

«Um diário meu não terá a minúcia nem a intimidade das confissões dos de Pepys, ou o veneno destilado nos trinta e dois volumes do de Jouhandeau. Julgo que será, em factos e pensamentos, um relato essencial do dia-a-dia. Diários daqueles em que se anotam minuciosamente os sentimentos, até agora só tive um. Na adolescência. Quando o meu pai o descobriu e julgou encontrar nele a provável razão de, com os meus amores, eu ter descurado o estudo, obrigou-me a ouvir a leitura irónica e declamada que dele fez. Eu tinha dezasseis anos, a humilhação deixou marcas. Hoje, as ameaças desse dia e os insultos, as bofetadas que me deu depois, já não contam. Mas mais do que a dor a humilhação física, o ele ter violado os meus pensamentos e anseios íntimos foi das coisas que nunca consegui esquecer ou perdoar.»

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“Quem tenha lido o extraordinário Somos o Esquecimento Que Seremos, publicado em Portugal há pouco mais de três anos, tem sobejas razões para esperar que qualquer novo título do colombiano Héctor Abad Faciolince confirme, ao menos, as capacidades literárias que se percebiam no belo relato biográfico em torno do pai do escritor. […] Particularmente talhado para todos os apreciadores da metaliteratura, Os Dias de Davanzati aborda as relações entre a escrita e a leitura, equiparando a literatura a sobras de um banquete oficiado por um escritor que trabalha para ninguém, e o leitor a um mendigo que revolve o lixo alheio em busca de algo que preste.”

 

Jorge Marmelo, P2

 

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A 3 de agosto nas livrarias

 

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Joie de vivre

23.07.12

"Em "Sofonisba", quase todas as personagens são bastante cultas e bastante loquazes, propensas a teorias estéticas, com alusões a Trakl, Manrique, Morandi ou Warburg. O próprio narrador, Carlos, um alter ego pouco disfarçado, expõe as suas teses sobre tradução enquanto "evidência iluminante", o remorso como chave da decadência portuguesa, bem como a convicção de que os anos 60 foram "uma boa merda". As embirrações de Carlos, proclamadas com evidente gosto, ecoam as do autor empírico, que não aprecia vanguardistas, sindicalistas e "pederastas", sem esquecer católicos progressistas, com a sua indispensável "ternurinha". Carlos é um burguês que pratica a joie de vivre burguesa e assume as desagradáveis caturrices burguesas, hostil a tudo o que lhe pareça "existencialista", ou lúmpen, ou "possidónio", e sempre muito a favor da arte clássica, do individualismo e dos avanços libidinosos."

 

Pedro Mexia, Expresso

 

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A Promessa

20.07.12

"Quanto ao alegado “excesso” de ideias, tão característico de qualquer romance-ensaio, não vemos como considera-lo um “defeito” da obra. Torna-a por vezes pouco fluida? Seja. Mas desde quando se prefere a fluidez ao debate ideológico, filosófico, político? Em boa verdade, percorrem-se hoje – e desde sempre, diga-se de passagem – milhares e milhares de páginas de inúmeros romances sem que deles possamos extrair uma ideia, uma questão que possa ser objecto de tematização filosófica, uma perplexidade, sequer. Como não louvar quem exige do leitor algum esforço, algum raciocínio, algum “sacrifício” mental?”

 

António Rego Chaves, no Jornal de Negócios, sobre A Promessa, romance de Vergílio Ferreira publicado pela Quetzal em 2010

 

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A revista Visão recomenda 21 livros para ler à sombra. Quatro são nossos:

 

 

 

 

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"O lixo não só como veículo mas também como mensagem daquilo que cai no vazio, como a vida que se revela nas folhas, e como símbolo dos despojos sem sentido que vamos deixando. A reflexão sobre literatura, sobre a possibilidade de escrever para ninguém ou o efeito reformador de tudo o que fica gravado em papel. E a narrativa a duas vozes, ou mais - do narrador, de Davanzati, das suas personagens -, como mais uma exibição descarada da força gentil da escrita do autor do tremendo Somos o Esquecimento Que Seremos."

 

Catarina Homem Marques, Time Out

 

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Garnet Bowen, antigo jornalista e autor de um único livro, vive agora de alguns trabalhos avulsos e sustenta com dificuldade os seus três filhos. A mulher e a sogra convencem-no a aceitar um trabalho que implica passar uma temporada num país do Sul da Europa, investigando a verdadeira identidade de um escritor misterioso.

 

Bowen odeia sair de Londres e sempre desprezou a ideia de viajar pelo continente, mas não vai conseguir evitar a ida. E aí vai ele para um país em que o álcool é barato; o sol, opressivo; a comida estranha; e as raparigas, ilegíveis, nos sinais que dão de recetividade e repúdio – esse país é Portugal.

 

Neste fabuloso entretenimento que é Gosto Disto Aqui – o mais autobiográfico dos romances de Kingsley Amis -, o nosso perplexo herói vai passar por consecutivos apuros e desastres cómicos, que culminam numa situação amorosa com uma jovem mulher e um hostil representante da fauna de insetos locais.

 

Nas livrarias a 3 de agosto.

 

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Carver

16.07.12

"Carver abominava a escrita «confusa» e «aleatória», a prosa «embaçada», vaga, «cheia de fumo». Interessava-lhe «escrever sobre coisas e objetos quotidianos usando linguagem quotidiana mas precisa, e dotar essas coisas - uma cadeira, uma cortina, um garfo, uma pedra, os brincos de uma mulher - de um poder imenso, quase espantoso». E é precisamente isso que acontece nos poemas e contos deste volume."

 

José Mário Silva, Expresso

 

Para além de Fogos, de Raymond Carver, as sugestões de verão do Expresso incluem os seguintes livros da Quetzal:

 

 

 

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"No fundo, Thomas McGuane retrata um mundo feito de pó e sujidade que fazem parte do mundo que ele próprio conhece. Lembro-me de "The Bushwacked Piano", o seu velho livro do início da década de 70, um imenso livro que já delineava muito daquilo que sempre encontrámos na escrita do autor. Ele não está muito preocupado com os acontecimentos, mas sim com a envolvência e com o espírito das personagens."

 

Fernando Sobral, no Jornal de Negócios, sobre Por Um Fio, de Thomas McGuane, de quem vamos publicar Um Céu Sempre Azul, a 13 de julho

 

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“A definição mediática de Martin Amis (n. 1949) foi automática no início da sua carreira: ele era o «bad boy da literatura inglesa», e continuou a sê-lo muito para lá do cronologicamente razoável. (Google-se a expressão «bad boy of english literature/english letters» e ainda se encontram dúzias de artigos, alguns publicados quando Amis já era cinquentenário.) Mas no princípio dos anos 90 algo aconteceu. O jornalismo britânico reagiu coletivamente como um anfitrião exasperado. O bad boy fictício cuja presença tolerara durante anos continuava ali, recusando levar a sua badboyness para outro sítio. Medidas de emergência foram tomadas e o bad boy foi reclassificado como bad man. Para validar a nova «personalidade», alguns factos foram apresentados: Amis abandonou a sua mulher; Amis despediu a sua agente; Amis zangou-se com um dos seus melhores amigos; Amis pediu fortunas pelos direitos de um novo romance; Amis queria dentes novos e um carro desportivo; Amis estava fora de controlo. A informação surgia em torrente, e as manchetes escreviam-se praticamente sozinhas. A Informação – o romance publicado em 1995, no meio desta tempestade tabloide – não se escreveu sozinho, mas o leitor na posse de toda a informação prévia pode sentir-se tentado a cometer várias falácias biográficas ao longo do caminho. Os temas, como sempre na ficção de Amis, são tão garridos como manchetes do Daily Mirror: sucesso e fracasso, os dramas mesquinhos da masculinidade, rivalidade, violência, humilhação. Mas se tudo isto é familiar, nunca antes parecera tão terrivelmente pessoal. A Informação não é autobiografia disfarçada, nem sequer um roman à clef, mas mais do que qualquer ficção de Amis, parece arrancada ao osso.”

 

Rogério Casanova, Revista Ler

 

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Fernando Sobral, Jornal de Negócios

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QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

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