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Agenda

31.01.11

 

 

E todos os leitores de Lisboa e arredores, visitantes ocasionais e regulares, estão convidados.

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«Havia um bando de crianças à volta da médica, curiosas pelo cabelo de fogo. Rodeavam-na, tocavam-lhe na roupa e acariciavam a mala, como se ali houvesse feitiços. A russa tinha um ar trágico de Ana Karenina. Por momentos, Daniel alheou-se da negociação, que entrara em fase de ruptura. Observou até que ponto ela era magra e ruiva. Fascinou-se, por um instante, com o seu cabelo, que brilhava naquela luz. O sol iluminava-lhe a cara, oval e pálida como a Lua, com tons de bronze quente, alimentando a frescura rósea da pele, desenhando-lhe o contorno dos lábios pequenos e tristes. Dessa forma, era quase bela. Os miúdos deviam estar fascinados, ou talvez meio atemorizados, com aquela deslocada brancura das estepes.»

 

De Jardim Botânico, de Luís Naves. Dia 4 de Fevereiro nas livrarias.

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«A acção decorre em 1962, ano em que poucos duvidam de que os mísseis russos instalados em Cuba sejam uma ameaça ao "reino do bem-estar sobre a terra". A extrema-direita americana conspira contra Kennedy na John Birch Society. A maioria silenciosa teme o indizível, i.e., o comunismo. George está sozinho porque Jim morreu. Os vizinhos não sabem, julgam que foi ver a família e decidiu não voltar.» Eduardo Pitta resume assim o principal da trama  de Um Homem Singular, no mesmo texto em que compara o livro a música de câmara: «um trio com piano (...) parece-me uma designação adequada à tessitura narrativa». Cinco estrelas, foi quanto mereceu A Single Man (título original), no Ípsilon de 21 de Janeiro. 

 

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Jardim Botânico

22.01.11

 

 

 

 

Em Junho de 1998, estalou uma inesperada rebelião militar na Guiné-Bissau. Não estavam em causa questões étnicas ou religiosas, mas sobretudo a rivalidade entre dois homens, o Presidente Nino Vieira e o chefe das forças armadas, brigadeiro Ansumane Mané. A rebelião provocou um curto período de guerra civil, que durou sete semanas. Seguiu-se quase um ano de impasse e uma década de alta instabilidade. Na realidade, a Guiné nunca recuperou daquele episódio. Em poucos dias, o país transformara-se num imenso campo de refugiados. Bissau ficou cercada e praticamente vazia. Deixou até de haver dinheiro. Esta é a história de quatro pessoas no meio da catástrofe humana. Como todas as viagens, tem um ponto de partida e outro de chegada, embora quem ande à deriva não veja assim a forma do caminho. A certo ponto, diz uma das personagens: “É preciso que alguém escreva sobre o que se passou aqui”. Motivo suficiente ou talvez a referência à inutilidade e à incerteza, ao que nos leva para o interior de uma vereda estreita, uns à procura de si mesmos, outros em fuga. Existe uma cortina que nos separa do mundo espesso para lá do qual se escondem os nossos medos. E, por vezes, alguém entreabre essa cortina e estamos dentro de uma selva que não compreendemos.

 

Nas livrarias a 4 de Fevereiro.

 

Jardim Botânico, de Luís Naves | série língua comum |  240 páginas.

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Depois da Hungria, o novo romance de Luís Naves, passado na Guiné-Bissau, durante a Guerra Civil de 1998. Luís Naves esteve lá, enquanto repórter, e devolve-nos agora, em ficção, as imagens e as memórias da Guiné desses dias incertos.

 

 

 

Jardim Botânico, a 4 de Fevereiro, nas livrarias.

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Estes livros podem chegar às mãos dos nossos leitores.

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Pode ler-se aqui o único e curto texto de autobiográfico de Paul Theroux - até ao fim do quinto parágrafo está tudo quanto este autor escreverá neste tom, segundo o próprio, num artigo sobre autobiografias e literatura, publicado na Smithsonian Magazine. O autor de O Velho Expresso da Patagónia explica o que o afasta desta linha.

 

«I never felt that my life was substantial enough to qualify for the anecdotal narrative that enriches autobiography. I had never thought of writing about the sort of big talkative family I grew up in, and very early on I developed the fiction writer’s useful habit of taking liberties. I think I would find it impossible to write an autobiography without invoking the traits I seem to deplore in the ones I’ve described—exaggeration, embroidery, reticence, invention, heroics, mythomania, compulsive revisionism, and all the rest that are so valuable to fiction.»

 

Ainda que os seus relatos de viagens seja na primeira pessoa, Paul Theroux é essencialmente um observador do que o rodeia. E pode ser que seja justamente esse olhar o mais distanciado possível que justifica que seja também um grande ficcionista. Reconhecido na ficção sobretudo pelo A Costa do Mosquito, Paul Theroux publicou recentemente A Dead Hand in Calcuta, romance que em breve a Quetzal disponibilizará para os leitores portugueses, numa tradução de Nuno Guerreiro Josué.

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Catedral

11.01.11

 

 Raymond Carver disse que era possível «escrever sobre lugares-comuns», sobre coisas e objectos, usando lugares-comuns, mas também uma linguagem precisa, conferindo, assim a estas coisas – uma cadeira, uma cortina, um garfo, uma pedra, um brinco de mulher – uma força e  uma cintilação imensas. Em parte nenhuma é tão evidente esta alquimia como em Catedral.

 

Catredral, de Raymond Carver | tradução de João Tordo

serpente emplumada | Raymond Carver

 

 

Nas livrarias a 21 de Janeiro.

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Os Exércitos

10.01.11

 

 

Ismael, um velho professor reformado, e a sua mulher, Otilia, vivem um quotidiano modesto e pacato numa povoação do interior chamada San Jose.

Em cima de uma escada e enquanto apanha laranjas, Ismael gosta de espiar o quintal do vizinho – a razão é a esbelta Geraldina, a mulher do brasileiro, que toma banhos de sol nua, enquanto este tange a guitarra e os miúdos – Eusebito, o filho, e Gracielita, a criada adolescente – brincam em redor.

 

Em baixo, Otilia dá de comer aos peixes do tanque, e aos três gatos, e espera Ismael com dois copos de limonada fresca e a reprimenda habitual.

Este ambiente idílico da aldeia será em breve ensombrado pelo desaparecimento de alguns dos seus habitantes. E ao voltar de um passeio, Ismael descobrirá que os vizinhos foram raptados e tenta, em vão, encontrar a mulher.

 

As razias e os ataques dos exércitos – de militares, de paramilitares, de narcotraficantes, de guerrilheiros? Não se sabe – atingem uma violência extrema, até que os sobreviventes decidem fugir. Mas Ismael prefere ficar na sua aldeia destruída – uma opção que lhe reserva um destino obscuro e imprevisível.

 

Os Exércitos, de Evelio Rosero | tradução de Margarida Amado Acosta

Série américas

 

 

Nas livrarias a 21 de Janeiro.

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Evelio Rosero

10.01.11

 

 

Evelio Rosero (Bogotá, 1958) é um dos grandes escritores colombianos da geração que se seguiu a García Marquez. Estudou Comunicação Social e começou a publicar em 1984. A sua obra tem sido traduzida em muitos idiomas e frequentemente distinguida com galardões literários. Os Exércitos, o primeiro romance de Evelio Rosero publicado em Portugal, obteve o Prémio Nacional de Literatura da Colômbia, o Prémio Independent para a melhor Ficção Estrangeira e o Prémio Tusquets «pela singular elegância e a mestria, não isentas de dramatismo, com que (o autor) aborda um assunto, que por ser habitual não é menos difícil de tratar - a violência arbitrária e irracional.»

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Leila Guerriero, jornalista argentina, autora de Os Suicidas do Fim do Mundo, publicado pela Quetzal em Abril de 2009, assina no Babelia um artigo sobre bibliotecas de escritores. As bibliotecas de Héctor Abad Faciolince, entre outras bibliotecas.

 

«La biblioteca no como una colección de libros -jamás como una colección de libros- sino como una huella. Como una forma de tener o no tener, de aferrarse o dejar ir. Una autobiografía. Un mapa del pasado y un intento de dibujar, sobre las aguas indescifrables de lo que vendrá, un gesto seguro porque, como se sabe, salvo error o inundación o incendio o naufragio, los libros siempre -siempre- estarán allí. A veces por suerte. A veces no tanto.»

 

Vale pena ler a versão completa, aqui. E agradecer à Sara Figueiredo Costa e ao José Mário Silva pela chamada de atenção.

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Nesta recolha de histórias — que assinala um grandioso regresso aos dias gloriosos de Trainspotting e afins — são colocados ao leitor várias questões de difícil resolução: Como é que três jovens americanos dão por si perdidos no deserto e porque é que um deles acaba a fazer um fellatio a outro, enquanto são observados por uma mulher seminua e dois mexicanos armados? Quem é o misterioso cozinheiro coreano que se muda para casa de Kendra Cross, uma socialite de Chicago? E o que é que ele tem a ver com o desaparecimento do béu-béu de estimação dela, Toto? Como faz Mickey — o inglês dono de um bar na Costa Brava — o malabarismo de manter o andamento sexual da avantajada Cynthia no máximo, enquanto cuida da juvenil Persephone e dribla a sua persistente mulher e uma parelha de gangsters eapanhóis? E que sucessão de acontecimentos leva a que Raymon Wilson Buttler, biógrafo de um lendário realizador americano, acabe como um objecto de memorabilia do cinema?

A resposta a estas e outras questões está nas cinco extraordinárias histórias de Se Gostaste da Escola Vais Adorar o Trabalho, que fazem nova prova da mestria de Irvine Welsh na narrativa breve — e de que ele continua a ser um dos escritores mais cómicos e obscenos da cena literária britânica.

 

Se Gostaste da Escola, Vais Adorar o Trabalho, de Irvine Welsh  | Tradução de Jorge Pereirinha Pires

Série serpente emplumada | Irvine Welsh

 

Nas livrarias a 21 de Janeiro.

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Christopher Isherwood nasceu em Cheshire em 1904. Começou a escrever nos tempos da faculdade e a sua prolífica obra desenvolveu-se em vários géneros: romance, conto, relato de viagem e teatro. Mudou-se ainda jovem para Berlim, onde se sustentava ensinando inglês. Na Alemanha, assistiu de perto à ascensão de Hitler, e alguns dos seus romances reflectem essa experiência - por exemplo Adeus a Berlim, com a célebre adaptação ao cinema no musical Cabaré.

 

No fim dos anos 1930, viajou pela China com W.H. Auden, após o que se radicou nos EUA. Aí, nos anos 1960, durante uma fase crítica da relação com Don Bachardy – o homem com quem viveu mais de vinte anos –, Christopher Isherwood escreveu este romance breve e poderoso, Um Homem Singular, com que a Quetzal inicia a publicação das suas obras.

 

Christopher Isherwood morreu em Janeiro de 1986.

 

(Fotografia retira daqui.)

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Celebrado como a obra-prima de Christopher Isherwood, Um Homem Singular conta a história de George Falconer, um professor de inglês de meia-idade destroçado pela morte súbita do amante de longa data. Numa Califórnia suburbana dos anos 1960, George Falconer tenta reaprender a viver, cumprindo os gestos diários e os ritos sociais. E observa-se com o distanciamento de um estranho e com a premência de encontrar em si  alguma coisa reconhecível do seu passado.

 

Com uma clarividência e humor extraordinários, Christopher Isherwood mostra a determinação de George em continuar a viver (e não morrer de saudade de Jim), evocando os prazeres inesperados que a vida apesar de tudo reserva, e a capacidade que temos de superar a perda e a alienação. Um Homem Singular foi recente adaptado ao cinema, no filme homónimo de Tom Ford.

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Um Homem Singular, o livro de Christopher Isherwood que inspirou o filme de Tom Ford, chega às livrarias a 21 de Janeiro.

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Roberto Bolaño, Guillermo Cabrera Infante, Irvine Welsh, Pedro Vieira, Raymond Carver, Francisco Duarte Mangas, Christopher Isherwood, Luís Naves, José Manuel Fajardo, Karla Suarez, Luís Naves, Alberto Torres Blandina, Paulo Ferreira, Dave Eggers, Susan Sontag, são alguns dos nomes que farão parte dos posts no blogue, twitter e facebook, serão impressos nas capas, motivos para lançamentos e outras celebrações. 2011 será um mais um ano bom no que respeita a livros. Na Quetzal estamos a trabalhar para isso.

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QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

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