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Longe da literatura, o mesmo clima de tensão entre a população das favelas do Rio de que fala Black Music de Arthur Dapieve, atingiu porproções inéditas e muito mediatizadas. O que sabemos é o que nos chega pelos directo dos telejornais, pelos telefonemas dos correspondentes de rádio, o que sai na imprensa.Tony Belloto diz o que pode sobre o que se está a passar.

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Pode.

26.11.10

«Sullivan - perante o actual fanatismo e radicalismo do movimento republicano - fez a seguinte pergunta: pode haver uma direita americana não-fanática, não-ideológica, não-ultrareligiosa?»

 

Henrique Raposo leu e explica em três tempos A Alma Conservadora, de Andrew Sullivan.

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«Creio que viveria desgostoso numa casa sem flores. Às vezes, como hoje, a meio da noite, entro na sala e acendo a luz sobre a mesa, só para ver o brilho de um ramo de cravos.»

 

De Tempo Contado, diário de J. Rentes de Carvalho.

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Tempo Contado

25.11.10

 

Um fascinante diário escrito nos anos de 1994 e 1995. Acolhido com grande entusiasmo na Holanda entre os leitores e críticos, Tempo Contado matiza o relato factual com a mestria estilística da melhor ficção do autor de Ernestina ou A Amante Holandesa. Um livro incontornável que apaixonará também os leitores portugueses.

 

«Um diário meu não terá a minúcia nem a intimidade das confissões dos de Pepys, ou o veneno destilado nos trinta e dois volumes do de Jouhandeau. Julgo que será, em factos e pensamentos, um relato essencial do dia-a-dia. Diários daqueles em que se anotam minuciosamente os sentimentos, até agora só tive um. Na adolescência. Quando o meu pai o descobriu e julgou encontrar nele a provável razão de, com os meus amores, eu ter descurado o estudo, obrigou-me a ouvir a leitura irónica e declamada que dele fez. Eu tinha dezasseis anos, a humilhação deixou marcas. Hoje, as ameaças desse dia e os insultos, as bofetadas que me deu depois, já não contam. Mas mais do que a dor a humilhação física, o ele ter violado os meus pensamentos e anseios íntimos foi das coisas que nunca consegui esquecer ou perdoar.»

 

 

Tempo Contado, de J. Rentes de Carvalho

série língua comum | J. Rentes de Carvalho

 

 

 

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«De Hendrix a Hemingway (só para citar sobrenomes com a letra H), o narrador cita personalidades pops e eruditas, mostrando que Bellotto quis justamente fazer um romance de entretenimento, como afirmou em uma crônica no site da revista Veja, mas com um pé na boa literatura, aquela que nos faz refletir sobre as questões humanas.» No Buraco, de Tony Belloto, foi também publicado recentemente no Brasil. É natural, por isso, que as primeiras recensões surjam do outro lado do Atlântico. Aqui, a de Cassionei Niches Petry,  um professor com uma entre outras frustrações: a de não é não ter vocação para a música, «preenche esse buraco com muita, muita literatura; escreve quinzenalmente na página Traçando livros no Suplemento Mix do Jornal Gazeta do Sul e quase diariamente no seu blog www.cassionei.blogspot.com.»)

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Teo Zanquis tem cinquenta anos e teve uma banda nos anos 80. É quase tudo o que podemos dizer dele. Mas devemos acrescentar que dessa banda, os Beat-Kamaiurá, quase esquecida, ninguém esquece a grande canção «Trevas de luz». Era o que se chama em inglês uma one hit band. Tony Belloto é músico, guitarrista dos Titãs, uma banda mítica do rock brasileiro, responsáveis por muito mais do que um êxito só. E por isso, além de descrever com um sentido de humor inigualável as desventuras e meditações de Teo Zaquis, Bellotto compôs o tema que levou os Beat-Kamaiurá ao sucesso:

 

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No Buraco

24.11.10

 

 

 

Existe uma mitologia respeito das histórias de estrada e das bandas de rock'n'roll. Ninguém melhor do que Tony Bellotto para escrever uma das mais extraordinárias, divertidas, consoladoras e absurdas memórias do mundo do rock e dos seus cenários em torno da vida de um ex-guitarrista que recorda espectáculos, amores, muitos episódios de muito sexo, drogas e álcool - garantindo que tudo isso acontece «mais ou menos». E, além disso, histórias de homicídio, de melancolia (com a sua namorada Lien, filha de emigrantes coreanos) e de perdição em redor da música e da literatura (Lou Reed e Naboko, Oscar Wilde e Jimi Hendrix, William Blake e Frank Zappa, Balzac e The Clash, etc.) Ninguém consegue livrar-se da galeria que passa pelas páginas deste romance, evocando Jim Morrison, Exile on Main Street, Led Zeppelin, Are You Experienced?, Appetite for Destruction, Black Sabbath, Sex Pistols, Kurt Cubain, Keith Richards,ou Chuck Berry, enquanto a sua vida fica povoada de mulheres ninfomaníacas e de casos para resolver. «Eu vou ser o Joseph Conrad do rock!», diz ele a certa altura. Conseguiu. É uma viagem ao coração das trevas.

 

No Buraco, de Tony Bellotto | série língua comum

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Dizem que por esta altura do ano abre a época das listas. Listas de desejos, listas de coisas para fazer, listas compras, listas do melhor e pior do ano, lista do que se espera para o próximo. Listas, listas, listas. Temos um livro sobre listas: O Livro das Listas, para quem tem dificuldade em elaborar as suas próprias. Aliás, o autor também não escreveu todas as listas publicadas, contando este livro com os altos contributos de Filipe Nunes Vicente, João Miguel Tavres, João Tordo, Jorge Reis-Sá, José Rentes de Carvalho, Onésimo Teotónio de Almeida, Paulo Moreiras, Pedro Marques Lopes, Pedro Vieira, Salvato Telles de Menezes. Já está nas livrarias.

 

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«Alguns dirão que não serve exactamente para nada, mas a verdade é que se perde tanto tempo entre as nossas mãos que, pelo menos, nos afasta de livros maus ou outros trabalhos menos dignos e interessantes. E está cheio de informações divertidas, surpreendentes, originais (algumas listas são elaboradas por colaboradores como João Miguel Tavares, Pedro Vieira, João Tordo ou Salvato Telles de Meneses) e estapafúrdias.»

O Livro das Listas, de João Pombeiro, nas Horas Extraordinárias, de Maria do Rosário Pedreira.

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Somos o Esquecimento que Seremos, de Héctor Abad Faciolince, revisto pelo The Independent: «estruturado quase como uma composição musical, Oblivion desdobra uma série de estados de espírito constrastante e temas recorrentes até um grand finale».

 

 

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Catálogo

22.11.10

Não é muito mais do que a ligação entre os livros. E, às vezes, é feito de acasos. Na página 438 de O Sonho do Celta, na longa lista de agradecimentos, está o nome de Héctor Abad Faciolince.

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O Sonho do Celta

22.11.10

 

O Sonho do Celta baseia-se na vida do irlandês Roger Casement, cônsul britânico no Congo belga, em inícios do século XX – e que durante duas décadas denunciou as atrocidades do regime colonial,  antes de rumar à Amazónia peruana.  É no cenário deslumbrante e perturbador do rio Congo, revelado por Roger Casement ao escritor Joseph Conrad – e de que este se serviu para o seu romance O Coração das Trevas– , que Mario Vargas Llosa situa no início do seu livro. Roger Casement, defensor dos direitos humanos, nacionalista irlandês, condenado à morte por traição, é mais do que um personagem de romance; a sua vida extraordinária, cheia de aventuras, ousadias, sonhos e perseguições é também um fragmento da história da humanidade que não desiste de ser humana e justa, apesar das muitas desilusões que a cerca.

 

O Sonho do Celta, de Mario Vargas Llosa | série américas

Tradução de Cristina Rodriguez

440 páginas

 

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... e o fundamental não vai mudar.

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Lançado há menos de vinte dias em Espanha e no Peru, O Sonho do Celta, de Mario Vargas Llosa, chega este fim-de-semana às livrarias portuguesas, com a chancela da Quetzal e na tradução de Cristina Rodriguez. 


Uma obra sobre alguém que foi muitos personagens de cada vez, com incongruências e contradições na sua biografia. Um romance motivado pela atracção de Vargas Llosa pela dualidade deste celta, «entre um herói e  um ser humano normal».

 

No Público de amanhã (edição em papel), pode ser lido um excerto do livro.


 

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A capa:

18.11.10

 

(É assinada pelo Rui Rodrigues.)

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Quem é o celta?

17.11.10

Roger Casement. Este homem, amigo de Joseph Conrad (e que o guiou numa viagem pelo Rio Congo, revelando-lhe uma realidade mais tarde retratada no romance O Coração das Trevas), teve uma vida extraordinária, plena de aventura. Acérrimo defensor dos direitos humanos - como também o comprovam os relatórios que redigiu durante a estadia na Amazónia peruana - militou activamente, no fim da sua vida, o nacionalismo irlandês, acabando condenado à morte por traição e executado.

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Quando Mario Vargas Llosa nasceu, em Março de 1936 – em Arequipa, no Peru – os seus pais estavam separados. Fez os estudos de primeiras letras na Bolívia e regressa ao Peru em 1945, altura em que, finalmente, conhece o seu pai. Aos 17 anos decide estudar Letras e Direito e, no ano seguinte, casa com a sua tia Julia Urquidi  - assegurando a subsistência com trabalhos muito diversos, desde conferir e rever os nomes das lápides dos cemitérios até escrever para a rádio ou catalogar livros. Em 1959 abandona o Peru e,  graças a uma bolsa, ingressa na Universidade Complutense de Madrid, onde conclui um doutoramento que lhe permite cumprir o sonho de, um ano depois, se fixar em Paris, onde, sempre próximo da penúria, foi locutor de rádio, jornalista e professor de espanhol – tinha apenas publicado um primeiro livro de contos.  Regressa ao Peru em 1964, divorcia-se de Julia Urquidi e casa-se no ano seguinte com a sua prima Patricia Llosa, com quem parte para a Europa em 1967 (depois de ter publicado a A Casa Verde, em 1966), tendo vivido até 1974 na Grécia, em Paris, Londres e Barcelona – após o que regressa ao Peru. O seu afastamento em relação ao regime de Havana (que visitara pela primeira vez em 1965) irá marcar toda a sua biografia política e literária a partir de 1971, dois anos depois da publicação de Conversa na Catedral. Em Lima pode, finalmente, dedicar-se em exclusivo à literatura e ao jornalismo, nunca abandonando uma intervenção política que o levou a aceitar a candidatura à presidência da República em 1990. Vive em Londres desde essa época, escrevendo romances, ensaios literários, reportagens e percorrendo o mundo como professor visitante em várias universidades. Entre os muitos prémios que recebeu contam-se o Rómulo Gallegos (1967), o Princípe das Astúrias (1986) ou o Cervantes (1994).
 
Foi distinguido com o Prémio Nobel da Literatura em 2010. «A mí me encontrará la muerte con la pluma en la mano», disse recentemente ao ABC.

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Pela mão do Bibliotecário de Babel, que traduziu um livro sobre bibliotecas:

 

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QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

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