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«A escrita... um assombro. A história... só o "trasmontano" que nasceu, de par com o mundo, em V.N. de Gaia, mas plantou raízes em Estevais, concelho de Mogadouro, terroir de seus avós e de seus pais a poderia ter urdido e, mais ainda, contado.»

 

A Amante Holandesa, de J. Rentes de Carvalho, no Mainstreet.

 


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Dois livros da Quetzal nas sugestões de Verão do Actual do Expresso. O Livro dos Prazeres Inúteis e A Mecânica da Ficção.

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«A velha ideia europeia de que a religião é um entrave ao progresso está, por todo o mundo, a dar lugar ao ideal americano de pluralismo e convivência pacífica entre a Modernidade e a Fé.» do texto de Tiago Moreira Ramalho no Expresso online.

 

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«A minha mãe fez uma viagem pela Grécia quando era muito nova. No sul do Peloponeso viu uma encenação de Medeia num anfiteatro. A experiência comoveu-a profundamente porque, quando Medeia está prestes a matar os seus filhos, algums pessoas do público começaram a gritar: "Não os mates, Medeia!" "Estas pessoas não percebiam que estavam a ver uma obra de arte - disse-me ela muitas vezes -, era tudo real."

 

Estes diários são, também, reais. E ao lê-los tenho sobremaneira a ansiedade de estar a reagir como aqueles espectadores gregos de meados de 1950. Quero gritar, "não faças isso", ou "não sejas tão exigente contigo própria", ou "não te aches tão importante", ou "tem cuidado com ela, ela não te ama". Mas, obviamente, é tarde demais: a peça já foi representada e a sua protagonista está morta, tal como muitas das outras personagens, embora não todas.»

 

 

David Rieff, filho de Susan Sontag, no prefácio de Renascer - Diários e Apontamentos 1947-1963, que editou.

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Susan Sontag

14.07.10

 

Susan Sontag foi uma das mais importantes e influentes intelectuais norte-americanas da segunda metade do século XX. Foi professora universitária, activista na defesa dos direitos das mulheres e dos direitos humanos em geral, ficcionista e ensaísta.

 

A sua escrita foi presença assídua em publicações como The New Yorker, The New York Review of Books, The New York Times, The Times Literary Supplement, Art in America, Antaeus, Parnassus, The Nation, e Granta, entre outras. Susan Sontag teve um filho, David Rieff - editor dos diários inéditos, com o título Reborn, cuja publicação a Quetzal agora inicia -, e viveu os últimos tempos da sua vida com a fotógrafa Annie Leibovitz.

Susan Sontag nasceu em 1933 m Nova Iorque, cidade onde morreu, em 2004.

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Renascer

14.07.10

 

Este é o primeiro dos três volumes de diários e apontamentos de Susan Sontag - e um surpreendente registo da formação de uma grande figura intelectual. O livro começa com os anos da faculdade e as primeiras experiências ficcionais e termina em 1963, quando Sontag já se tornara uma figura de destaque na cena cultural e artística nova-iorquina.

 

Renascer é o auto-retrato de uma das maiores escritoras do nosso tempo, dotada de uma curiosidade voraz e de um intenso apetite pela vida. Ao longo das suas páginas compreendemos a complexidade da sua escrita de juventude, partilhamos encontos com escritores que tiveram um papel de destaque na sua formação - e somos arrebatados pelo seu brilho incontestável.

 

Edição e prefácio de David Rieff.

Tradução de Nuno Guerreiro Josué.

Renascer, de Susan Sontag | serpente emplumada | Susan Sontag

 

Nas livrarias a 16 de Julho.

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«É superficial encarar um diário apenas como um receptáculo dos pensamentos privados e secretos de cada um - como um confidente surdo, mudo e analfabeto. No diário não só me exprimo de uma forma mais aberta do que faria com qualquer pessoa, mas crio-me a mim própria. O diário é um veículo para o meu sentido de individualidade. Representa-me como emocional e espiritualente independente. Em consequência (infelizmente) não é um registo simples da minha vida diária - e em muitos casos - oferece uma alternativa a ela.»

 

Susan Sontag, em Renascer, da entrada de 31 de Dezembro de 1957.

 

Nas livrarias a 16 de Julho.

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É para conferir aqui, o que diz sobre as mulheres no mundo o autor de A Viúva Grávida, livro que fala sobre raparigas e rapazes e o que mudou desde a revolução sexual dos anos 1970. Ou não.

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Afonso Cruz em entrevista a Maria João Freitas, no segundo número de Alice, a revista online do Clube de Criativos de Portugal.

 

Qual o autocolante com que te sentes mais confortável? Ilustrador, escritor, músico, fabricante de cerveja?

Autor, talvez... mas depende da situação. Escolho a profissão conforme o momento.

 

E talvez a provar que do autocolante escolha é certa: Afonso Cruz no programa A de Autor.

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...

09.07.10

«O preço da liberdade é a infelicidade. Tenho de contorcer a minha alma para escrever, para ser livre.»

 

Escreveu Susan Sontag em 4 de Janeiro de 1958.
Renascer, o primeiro volume dos diários de Sontag, chega às livrarias dentro de uma semana.

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Morrer de mágoa

09.07.10

«Neste mundo onde se persegue a felicidade como utopia e o conforto da democracia se paga bem caro, há mais gente a morrer de mágoa do que de radiações atómicas. No universo de Saul Bellow é assim.» Helena Vasconcelos, hoje no Ípsilon, deu cinco estrelas a Morrem Mais de Mágoa, de Saul Bellow.

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«[Vergílio Ferreira] estava a preparar o espólio para o futuro. Tinha essa noção de que era necessário conhecer tudo o que um escritor faz para substanciar a apreciação que fazemos dele», Professor Hélder Godinho, da equipa envolvida nas recentes edições do espólio de Vergílio Ferreira, em declarações ao Ípsilon que hoje dedica duas páginas aos inéditos do autor de Aparição.

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«Sem nunca perder o rigor da forma do relato verídico, Eggers não deixa de usar o seu talento de romancista nas descrições que faz, como a da citação anterior. Toda a história, apesar de seguir uma ordem cronológica com enumeração das datas, está repleta de analepses, de lembranças da infância e juventude de ambos, de pormenores laterais que fazem desta grande narrativa não-ficcional um romance (no sentido mais lato da palavra).» José Riço Direitinho sobre Zeitoun, de Dave Eggers, no Ípsilon de hoje.

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Mais um espaço onde se pode falar dos livros da Quetzal. Um blogue do JN, sobre livros, mantido, para já, por Elmano Madaíl e Sérgio Almeida. Boas notícias a fechar uma semana quente.

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«O estilo aqui é vital. Imaginem a dificuldade técnica de escrever uma história em que uma ave mal embalsamada, com um nome ridículo, acaba por representar uma das pessoas da Santíssima Trindade, em que a intenção não é satírica, nem sentimental, nem blasfema. Imaginem, além disso, contar tal história do ponto de vista de uma velha ignorante, sem a fazer parecer depreciativa ou modesta.»

 

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«Emily tinha já visto qua mãe com ares sedutores em frente de outros homens, mas nunca de uma forma tão aberta como o fazia com Geoffrey Wilson. "Oh, isso é maravilhoso!", exclamava ao meno gracejo dele, e depois dissolvia-se em pérolas de gargalhadas, enquanto sedutoramente colocava o dedo médio sobre o lábio superior, para esconder o facto de que as suas gengivas tinham mirrado e que os seus dentes estavam estragados.

 

E Emily pensou que o homem era engraçado - não era tanto o que ele dizia, observou ela, mas a forma como o dizia - mas sentia-se envergonhada com o entusiasmo de Pookie. Além disso, muito do humor de Geoffrey Wilson dependia da estranha maneira como comunicava, pelo que o seu pesado sotaque inglês parecia combinado com um defeito da fala: pronunciava as palavras como se tivesse uma bola de bilhar na boca. A sua mulher, Edna, era agradável, gorducha e bebia bastante xerez.


Emily era sempre incluida nas tardes que a sua mãe passava com os Wilsons - sentava-se sossegadamente a mordiscar bolachas de água e sal enquanto eles se riam e conversavam - ainda que na verdade ela tivesse preferido sair com Sarah e Tony, andar naquele carro esplêndido com o cabelo graciosamente impelido pelo vento, passear com eles praias desertas, depois de voltar a Manhattan pela meia-noite e sentar-se com eles na mesa reservada do Anatole's enquanto o pianista tocava a sua canção favorita.»

 

Excerto de Desfile de Primavera, de Richard Yates.

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No blogue do livro O Sorriso Enigmático do Javali, António Manuel Venda explica a imagem que teu origem à colecção de aventuras do Pequeno Tukie. Uma belíssima imagem:


«Só que um dia, ia a regressar a casa, pelo montado, vi uma coisa um bocado macabra – uma garça morta numa vedação de arame farpado. Estive quase uma hora para conseguir tirá-la dos bicos do arame, que a prendiam pelo pescoço. Mesmo morta, eu não podia deixá-la lá. Enquanto estive naquilo, senti uma enorme tranquilidade. Lembro-me de que estava preocupado com coisas do trabalho, o que tinha para fazer. Estava, como agora é moda dizer, em stress. Com aquilo da garça no arame farpado, tudo passou. Esqueci-me mesmo das preocupações. Durante esse tempo, muito

concentrado, sem perceber como vi um miúdo a fazer o que eu estava a fazer; e na estrada de terra não estava parado o meu carro, mas sim uma pequena bicicleta. Vi-me um miúdo, e vi naquele momento as imagens da primeira aventura do livro.»

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«O brasileiro Sérgio Rodrigues cruza investigação jornalística e ficção partindo de um caso verídico: o assassínio, nos anos 30, da amante do secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro por decisão da cúpula partidária. O sensacionalismo fica todo no subtítulo, “a história da jovem comunista que o Partido matou”. A história de Elza e as circunstâncias macabras da sua morte são o chamariz que nos atrai para os territórios mais complexos da verdade histórica, da construção dos mitos e de como os homens se servem da memória para expiarem os seus pecados. Não é por acaso que a citação que abre o livro é retirada de Expiação, de Ian McEwan.»


Bruno Vieira Amaral leu Elza, a Garota, escreveu sobre o livro no i, no sábado passado, e publicou o texto n'A Douta Ignorância.

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Considerado o grande romance de Richard Yates, a par de Revolutionary Road, O Desfile da Primavera conta a história de duas irmãs, Sarah e Emily Grimes. Conhecêmo-las quando ainda são pequenas, com os pais recém-divorciados. E ao longo de quarenta anos, acompanhamos os caminhos que as tornam mulheres muito diferentes, embora  ambas tentando lidar com um mesmo passado difícil. Sarah, a estável, a determinada, vai para Long Island,  vive um casamento infeliz, e acaba por sucumbir ao seu desespero silencioso; Emily, a precoce, a independente, fica em Nova Iorque, percorre vários empregos sem interesse, dorme com vários homens, perde a carreira e perde-se no álcool.

 

Neste sombrio e magistral romance, e com mestria que caracteriza toda a sua obra, Richard Yates reforça a ideia de que não existe aquilo a que se chama uma vida normal.

 

 

«Extraordinariamente bom… Escrito com a força e a simplicidade da verdade absoluta.»

The San Francisco Sunday Examiner & Chronicle

 

«Um romance elegante, comovente, silenciosamente pungente.»

The Washington Post

 

«O efeito é simultaneamente doce e cruel, devastador e brutal.»

The Boston Book Review

 

«Cada palavra trabalha no silêncio, para inspirar a ilusão de que as coisas estão a acontecer por si só. Uma conquista literária.»

 

O Desfile de Primavera - The Easter Parade, de Richard Yates

serpente emplumada | Richard Yates

 

Tradução de Nuno Guerreiro Josué.

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«Em Assuão, Hammad viu o Nilo correr denso e inchado como um pequeno mar em fúria, rodeado de planaltos, campos de silvas e rochedos. Seguiu o rio que desfilava, desabrido, na sua viagem para norte. Como se a sua memória ao reencontrar-se com uma civilização de gostos refinados e beleza luxuriante, se recusasse a acolher um tesouro que não vê porque não o conhece. Face àqueles templos, esculturas e pinturas, Hammad compreendeu que a viagem ao Egipto não fora só o fruto de um desejo de contemplar um quadro do qual já conheceria alguns traços, mas também uma viagem em direcção a um desconhecido cuja presença ele recriaria, um desconhecido carregado de questões essenciais que o homem formula junto às margens do Nilo, à sombra da história.

 

Nada nos é dado previamente. Ao aproximarmo-nos daquilo que julgamos ser a verdade, outras coisas se nos revelam que põem em causa a fórmula inicial das nossas interrogações. A memória, também, longe de ser unívoca, é como esse Verão de 1956 que não se repetirá na vida de Hammad. Melhor ainda, a memória possui múltiplas pátrias e espaços. É por isso que vivemos, como se diz, entre dois fogos: a utopia da lembrança e a utopia do desejo. Sempre que recordamos, o desejo insinua-se e vem dar cor à nossa memória; e sempre que nos abandonamos ao desejo, a memória apodera-se dele.»

 

Excerto de Como Um verão Que Não Voltará, de Mohamed Berrada, um livro da série mediterrâneo.

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QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

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