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Hoje, no Ípsilon, um artigo de José Riço Direitinho sobre James Wood, a propósito de A Mecânica da Ficção.

 

«Nos seus textos, Wood coloca ao leitor perguntas teóricas, mas apresenta respostas práticas. Questões como "o que é uma metáfora bem sucedida", "o que é uma personagem", como é que o escritor faz para lhe soprar a "vida" (assemelhado-se nisso a Deus) ou porque é que a ficção nos consegue comover são respondidas com múltiplos exemplos práticos que o crítico vai buscar ao seu imenso manancial de leituras, que vai desde os clássicos gregos e da Bílblia até Saramago ou os mais recentes David Foster Wallace e Philip Roth.»

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«Os romancistas devem agradecer a Flaubert, da mesma forma que os poetas agradecem à Primavera: tudo começa de novo com ele. Podemos realmente falar de um tempo antes de Flaubert e de um tempo depois deçe. Flaubert estabeleceu decisivamente aquilo que grande parte dos escritores vêem como a moderna narração realista, e a sua influência é quase demasiado familiar para ser visível. Quase nunca elogiamos a boa prosa quando esta favorece o detalhe brilhante e revelador; quando priveligia um alto nível de registo visual; quando matém uma pose não sentimental e sabe quando se abster, com um bom valete, de fazer comentários supérfluos; quando busca a verdade, mesmo sob o perigo que nos repelir; e quando as impressões digitais do autor sobre tudo isto são, paradoxalmente, identificáveis, ams invisíveis. Conseguimos encontrar alguns destes factores em Defoe, Austen ou Balzac, mas todos eles só em Flaubert.»


De A Mecânica da Ficção, de James Wood, traduzido por Rogério Casanova.

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Giorgio Bassani é um dos grandes escritores europeus do século XX. A sua obra foi galardoada com os prémios literários Veillon, Strega, Campiello, Viareggio e Nelly Sachs. Os seus livros mais importantes estão reunidos numa obra maior que se intitula Il romanzo de Ferrara.

Além de escritor, Bassani foi editor da mítica Feltrinelli, onde publicou nomes como Giuseppe Tomasi di Lampedusa. Segundo o jornal The Guardian, «Giorgio Bassani é uma das grandes testemunhas do século [XX] e um dos seus maiores artistas.»

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«Quantos anos passaram desde aquela remota tarde de Junho? Mais de trinta. No entanto, se fecho os olhos, Micol Finzi-Contini ainda está ali, assomada ao muro do jardim e ollha-me e fala-me. Era pouco mais que uma criança, naquele 1929, treze anos magros e loiros, com olhos grandes, claros, magnéticos. Eu, um rapazinho de calções curtos, muito buguês e muito vaidoso, a quem um pequeno desgosto escolar era suficiente para lançar no desespero mais infantil. Fixávamo-nos um ao outro.»

 

De O Jardim dos Finzi-Contini, de Giorgio Bassani, traduzido por Egipto Gonçalves.

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Elza, a Garota

03.06.10

 

Em 1936, depois da famigerada “Intentona”, uma garota de 16 anos, Elza Fernandes, amante do então secretário-geral do Partido Comunista do Brasil, Miranda, era assassinada por ordem do PCB.  Condenada por traição num tipo de julgamento usado hoje pelos “tribunais” de traficantes nos morros, ela foi “justiçada”, isto é, estrangulada com uma corda de roupa.

O fracassado golpe de Estado, seguido dessa morte torpe, foi um dos maiores erros políticos já praticados pela esquerda em toda a sua história. Antecipou a atmosfera envenenada da Guerra Fria, e serviu de laboratório para as práticas repressivas da ditadura de 1964.

O livro não é de denúncia, nem de tese, não tem didatismo nem ranço ideológico, e muito menos é um acerto de contas. É um romance com muita imaginação e menos ficção do que parece, que mistura lances de reportagem investigativa, de thriller policial, aventura, suspense e espionagem, reconstituindo todo um clima de época e apresentando uma trama que se desenrola num cenário de delações e intrigas, covardia, tortura, sordidez e suspeição.

 

Zuenir Ventura fez a «orelha» (badana no nosso português) deste livro. Na edição da Quetzal, é o texto de contracapa.


Nas livrarias a 11 de Junho.

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1936 e 1988

02.06.10

Chegaram ao escritório os novos livros:

 

 

 

Nas livrarias daqui a uma semana: um romance de François Vallejo, que começa com o deflagrar do grande incêndio no Chiado em Agosto de 1988 e uma investigação de Sérgio Rodrigues sobre a namorada menor do Secretário-Geral do Partido Comunista do Brasil  que apareceu morta em 1936.

 

François Vallejo vem a Portugal e participará nas Conversas do Silêncio, parte do Festival Silêncio! 2010. Toda a programação aqui.

 

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«Os cães como doidos e o pai do pequeno Tuckie sem descobrir a razão. Cinco, dez, quinze, vinte minutos... Era de noite, muito de noite. Ele escrevia. Resolveu sair de casa e sentiu em menos de nada o choque do calor. O Verão já bem instalado. Lembrou-se de um livro que tinha escrito, ele a sair de noite de casa, a dar uma volta pelo monte, era Inverno e o frio atacava em força. Tinha nesse livro uma imagem, a dos arqueiros do vento frio, com as suas minúsculas setas que picavam no rosto, dezenas delas, se calhar centenas, ou mais até. Agora era o calor, e nem uma brisa que fosse capaz de o amenizar. O mesmo, ou quase o mesmo, lembrava-se, do calor da noite de fogo que tinha vivido uns anos antes, o incêndio da serra da sua infância, que tinha metido num pequeno romance.».

 

De O Sorriso Enigmático do Javali, de António Manuel Venda.

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«Creio que poucas pessoas serão indiferentes ao tema da infância, mesmo que seja de uma forma egocêntrica, em torno das suas próprias memórias. Mas a verdade é que é difícil para nós, adultos, compreendermos o que se passa dentro da cabeça das crianças quando a nossa própria infância se vai diluindo na memória, cheia de lacunas e de mistérios, simultaneamente familiar e totalmente estranha, como um país longínquo onde habitámos um dia mas que não temos a possibilidade de revisitar. Olhamos para trás com sentimentos muito complexos. Porém, as marcas, boas e más, são indeléveis e podem provar estranhas reacções, ressuscitar fantasmas e fazer emergir a qualquer instante patalogias e neuroses. Esquecemos muita coisa. Recordamos ninharias. A nostalgia invade-nos. Se temos filhos e netos projectamos neles, mais ou menos conscientemente, a nossa própria infância. As histórias que envolvem brutalidade e violência, privação e indiferença, chocam-nos, entristecem-nos e revoltam-nos com particular acuidade. Também são as crianças que nos enternecem mais, que nos alegram ao ponto da cegueira e que determinam amiúde as nossas escolhas e opções de vida.»

 

De A Infância É Um Território Perdido, de Helena Vasconcelos.

A fotografia é de Robert Doisneau.

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QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

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