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Ao contrário do que foi anunciado na blogosfera há cerca de um mês, hoje não vai acontecer na Fnac do Chiado a apresentação de Pastoral Portuguesa de Rogério Casanova. Queira o leitor pegar num exemplar numa livraria e assim tomar conhecimento desta obra.

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Na escola do meu filho, para falar de livros a miúdos de quatro e cinco anos. Uma das duas escolas de Santiago do Escoural, no Alentejo. Convidou-me a professora, e eu, mesmo com medo das histórias que tenho nos livros, lá fui. Um dia de manhã, às dez, sem saber bem o que poderia dizer. Quando cheguei, ainda sem certezas, já os miúdos estavam sentados num espaço que tinha sido preparado num dos cantos de uma das salas. Todos à volta da cadeira que tinham arranjado para mim. Eu continuava atrapalhado, mas no momento em que encarei os miúdos, já sentado na cadeira, encontrei a solução: os animais, os dos livros, os que aparecem em muitas das minhas histórias. Foi do que mais falei, do macaco que serve licor de amoras silvestres no meu primeiro livro, e de outro macaco, enviado pelo Ministério da Cultura para abrilhantar a festa de uma livraria num dos últimos, ou do mosquito de Moçambique que num outro chega a Portugal e causa o maior reboliço; e também de um mágico pequenino, de idade avançada e do tamanho das minhas mãos, um mágico que entra logo em dois romances. Acho que os animais e o mágico é que me salvaram de fazer má figura. E se calhar os sapatos que nesse dia calcei, como se pode ver num cartaz que depois os miúdos arranjaram.

 

António Manuel Venda, autor de Uma Noite com o Fogo.
 

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Três apresentações do romance Uma Noite com o Fogo:

 

- Quarta-feira, 01 de Abril, 18h30, na Livraria Bertrand da Avenida de Roma, em Lisboa (apresentação de Carlos Pinto Coelho);

 

- Quinta-feira, 02 de Abril, 21h30, na Biblioteca Municipal de Loulé (apresentação de Adriana Freire Nogueira);

 

- Sexta-feira, 24 Abril, 21h30, na Livraria Pátio das Letras, em Faro (apresentação de José Vilhena Mesquita).

 

E antes das apresentações para os adultos, António Manuel Venda participou duas sessões com jovens e crianças. A primeira na escola secundária de Faro, onde assistiram cerca de cem alunos. A segunda numa das creches de Santiago de Escoural, numa sala com crianças de quatro e cinco anos.

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Dos lados, em cima, em baixo, não havia nada. Nem pássaros, nem ovelhas, nem casas, nem cavalos. Nada que pudesse chamar-se vivo, novo, velho, doente. Só havia aquilo  - deserto puro -, os êmbolos do petróleo com o seu cabecear triste, e o barulho de uma garrafa que andava de um lado para o outro no corredor e que ninguém - nem eu - se dava ao trabalho de apanhar. Não éramos mais de cinco passageiros, o motorista impávido e um pouco de música.

 

De Os Suicidas do Fim do Mundo, de Leila Guerriero.

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Patagónia, fim dos anos 1990. Uma onda de suicídios conternou Las Heras, uma pequena povoação-fantasma, perdida no vasto Sul argentino, outrora florescente, antes da privatização do petróleo. Todos os suicidas tinham cerca de vinte e cinco anos e eram membros bem integrados na comunidade: filhos de famílias modestas, mas tradicionais. Muito estranho também é que nunca tenha sido feita uma lista oficial dos mortos.

 

Leila Guerriero viajou até àquelas paragens, interrogando familiares e amigos, percorrendo as mesmas ruas que esses jovens haviam percorrido, e visitando cada recando do pueblo. Daí resultou um relato descarnado e preciso, que não só reconstrói os acontecimentos trágicos desses anos, como também traça um retrato magnífico do quotidiano de uma povoação afastada dos grandes centros urbanos- Las Heras, com o seu desemprego maciço e a falta de futuro para os mais jovens, constitui ainda um enigma sem resolução: os suicídios, qual destino funesto, sucedem-se até hoje.

 

Os Suicidas do Fim do Mundo é uma crónica inquietante que se lê com o fascínio que nos suscitam alguns romances, e que revela uma realidade marcada pelo horror, pelos preconceitos e pela indiferença.


Os Suicidas do Fim do Mundo, de Leila Guerriero | série américas


Nas livrarias a 3 de Abril.

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Leila Guerriero

30.03.09

 

 

Leila Guerriero nasceu em 1967 na província de Buenos Aires. Começou a sua carreira jornalística em 1991e é redactora da revista do diário La Nación desde 1996. Ao longo destes anos os seus textos têm sido publicados em importantes publicações latino-americanas, nomeadamente, Rolling Stone Argentina, Gatopardo, Travesías, Letras Libres, Paula (Santiago do Chile), El País (Montevideo), El Universal (México), El Mercurio e Courrrier Internacional, bem como em diversas revistas culturais argentinas. Participou no colectivo de escritores e jornalistas que escreveu o livro Mulheres Argentinas.

 

Os Suicidas do Fim do Mundo é o primeiro livro de Leila Guerriero publicado pela Quetzal.

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Paul Theroux

30.03.09

 

Paul Theroux nasceu em Medford, no Massachusetts, em 1941. Passou cinco anos em África antes de partir para Singapura, onde foi professor universitário. Entre os livros que publicou contam-se Riding the Iron Rooster, Chicago Loop, Picture Palace (prémio literário Whitebread em 1978), The Mosquito Coast (que ganhou ex aequo o James Tait) e To The Eastern Star e Elephanta Suit, que serão publicados pela Quetzal em 2009 e 2010. Paul Theroux é casado, tem dois filhos e vive entre Cape Cod e Londres.

 

O Velho Expresso da Patagónia é o primeiro livro de Paul Theroux publicado pela Quetzal. Paul Theroux virá a Portugal participar no IV Encontro Literatura em Viagem, organizado pela Câmara Municipal de Matosinhos, que decorre naquela cidade de 18 a 23 de Abril.

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... é a viagem.

 

A epígrafe é de Eduardo Lourenço e dá o mote para encontro em Matosinhos. Mais informações aqui.

 

 

 

 

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O blogue da Ler já deu a notícia que rapidamente foi replicada nos jornais. Paul Theroux participará no IV Literatura em Viagem, organizado pela Câmara Municipal de Matosinhos. Os argentinos Leila Guerriero e Eduardo Belgrano Rawson, o mexicano Gonzalo Celorio e os brasileiros Christine Tassis e Marçal Aquino farão da Quetzal uma das editoras mais representadas neste encontro, que decorre de 18 a 23 de Abril.

 

 

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Dizer o mundo

27.03.09

O mundo resiste, contudo, às tentativas de ser traduzido em palavras. O discurso poético permite, sem dúvida, uma aproximação mais subtil, e também mais volátil. Quanto mais imagens e sinestesias, mais o epicentro do real aparece, mas também mais frágil, delicado e evanescente se revela. O poema lê-se, relê-se, medita e alcança o éter, provocando incessantemente uma reactivação da leitura. O Equador ou a Ásia de Michaux convidam à meditação, à apreensão lenta, ao tempo lúdico, tal como o México de Antonin Artaud. Poetas decerto, mas não geógrafos. Porque as duas disciplinas sempre se ignoraram. Heródoto e Estrabão de um lado, Píndaro e Teógnis do outro, os dois universos não se tocam.

 

De Teoria da Viagem - Uma Poética da Geografia, de Michel Onfray. Nas livrarias a 3 de Abril.

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Entrevista de Onfray, na Visão desta semana, conduzida por Emília Caetano.

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Viajar tornou-se, não apenas uma espécie de apelo da humanidade civilizada e com um mínimo de meios económicos, mas também uma vitória sobre a eternidade; porque a viagem nos salva do que perdura e que não é tão eterno como julgávamos. Pertencendo a um mundo em que cada minuto tem um preço e uma medida exacta, o viajante recupera a poesia, a inutilidade, os monumentos em ruínas, os papéis que hão-de ser arquivados fora da memória, as varandas dos hotéis, os instantes fugidios de prazer e de clandestinidade.

 

Ele é verdadeiramente um espião; e o mundo inteiro é o seu território. Em Teoria da Viagem - Uma Poética da Geografia, Michel Onfray reflecte sobre a origem do desejo de viagem. Por que razão nos sentimos mais nómadas ou mais sedentários? Por que somos impelidos para o movimento constante, a deslocação - ou amamos o imobilismo e as raízes? porque mantiveram alguns povos a sua marcha permanente, atravessando continentes? E por que se dedicaram outros a um só lugar, onde cuidaram dos seus campos? A energia que anima estas diferentes formas de vida, estes dois arquétipos, é a mesma que anima o resto do universo, e que as combina em cada um de nós.

 

Teoria da Viagem, de Michel Onfray |  textos breves

Nas livrarias a partir de 3 de Abril.

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Michel Onfray

27.03.09

 

Michel Onfray é um filósofo francês. Nasceu em 1959, em Argentan, no seio de uma família de agricultores normandos. Doutorado em Filosofia, leccionou no ensino secundário durante vinte anos. Em 2002, fundou a Universidade Popular de Caen, uma universidade gratuita, cuja concepção assenta nos princípios do seu manifesto La communauté philosophique. Onfray defende que não há Filosofia sem Psicanálise e os seus escritos celebram o hedonismo, a razão e o ateísmo.

 

A Teoria da Viagem - Poética da Geografia é o primeiro livro de Onfray publicado pela Quetzal.

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Mais tarde, muito mais tarde, cada qual se descobre nómada ou sedentário, amador de fluxo, de transportes, de deslocações, ou apaixonado pelo estatismo, imobilidade e raízes. (...) Os primeiros gostam da estrada, longa e interminável, sinuosa e ziguezagueante, os segundos adoram o solo, sombrio e profundo, húmido e misterioso. Estes dois princípios existem não tanto em estado puro, sob a forma de arquétipos, mas em componentes indescerníveis no pormenor de cada individualidade.

 

De Teoria da Viagem - Uma Poética da Geografia, de Michel Onfray. Nas livrarias a 3 de Abril.

 

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A Isabel Coutinho e o José Mário Silva estão lá. O Rui Tavares, um dos autores do Barnabé, um blogue de que se fez um livro, também lá está. Mas podiam estar também o Rogério Casanova e o Filipe Nunes Vicente.

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Estão convidados para a apresentação do livro A Infância É Um Território Desconhecido, de Helena Vasconcelos, por Inês Pedrosa, na livraria Bertrand do Chiado, às 18h30.

 

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Lolita, o romance, é um grande espectáculo de magia, uma ilusão feérica cheia de truques, alçapões, fugas e alucinações, charadas e jogos de palavras. Nada, nas suas linhas, é exactamente o que parece, e esta alusão remete-nos imediatamente para Lewis Carroll e para o seu mundo de fantasia, do «outro lado do espelho». Apesar de Nabokov ter feito bastante troça do pobre Carroll - que ele descrevia todo encasacado, frustado pela sua educação vitoriana quando  das suas paixões pelas suas ninfas, envolto numa hipocrisia que Nabokov dizia detestar - é difícil não reparar nas semelhanças entre os dois homens, até mesmo no que diz respeito ao ambiente familiar em que cresceram. A família de Carroll não era tão abastada como a de Nabokov, mas ambas estavam imbuídas de uma longa tradição cultural e de um grande sentido de dever público. Tanto Lewis como Vladimir  foram crianças amadas e mimadas num ambiente caloroso, mas com regras de disciplina bem delineadas. Ambos gostavam de xadrez e borboletas, adoravam jogos de palavras e era no vasto campo da linguagem que experimentavam a maior liberdade.

 

De A Infância É Um Território Desconhecido, de Helena Vasconcelos.

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Do texto de Andreia Brites na Os Meus Livros de Março de 2009.

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Elsa Furtado sugeriu a leitura de 366 Poemas que Falam do Amor no seu blogue, a propósito do dia da poesia.

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QUETZAL. Ave da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz da palavra Quetzalcoatl (serpente emplumada), divindade tolteca, cuja alma teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.

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