Em 2003 e 2004, no Verão, grande parte da floresta da minha terra foi destruída pelo fogo. Tanto num ano como no outro as chamas andaram à solta pela serra de Monchique, e até bem para lá dos seus limites. Lembro-me de que na altura alguém me disse que eu poderia escrever sobre esses tempos terríveis. Logo pareceu-me que não, que era tudo ainda muito recente. Mas ao mesmo tempo senti que mais tarde talvez acabasse por fazê-lo. Foi já em 2008 que comecei a escrever, primeiro sem saber bem por que caminhos seguir, depois eu próprio a espantar-me com uma descoberta que fazia, a de que o romance estava a ser escrito dentro da minha cabeça desde uma noite terrível do Verão de 2004.
António Manuel Venda criou um blogue para o livro que acabamos de publicar, onde se pode ler este e outras notas.